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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Seminário de São Paulo de Almada


O Seminário de São Paulo de Almada foi fundado como seminário do Patriarcado de Lisboa no ano de 1935, mas já antes a casa contava com um rico historial, de grande relevo na vida de Portugal e de toda a zona circundante de Lisboa. Assim, a vida desta belíssima casa começa no já longínquo ano de 1569, com a fundação do Convento Dominicano de São Paulo de Almada por Frei Francisco Foreiro, insígne teólogo que se distinguiu no Concílio de Trento, e então Provincial da sua Ordem no nosso país, que nele viria a falecer e ser sepultado em 1581, onde ainda hoje se encontra.

Em 1755, o Convento sofre grandes danos, e só a Igreja é restaurada quase de imediato, motivo pelo qual passa a sede da paróquia de Nª Sª da Assunção do Castelo, cuja igreja havia caído com o sismo. Dez anos depois, e porque as condições nunca mais foram as mesmas desde aquele catalismo, os Frades Pregadores abandonam o Convento de São Paulo.Começa aqui o rol das muitas tribulações e mãos pelas quais o Convento passou. Em 1775, os Dominicanos vendem a quinta a um industrial francês, François Palyart, e a casa conventual, em 1776 aparece já na posse das Ordens Militares, que por sua vez, e ainda no mesmo ano, a tornam a vender, desta feita ao mesmo francês que já tinha comprado a quinta. A igreja e uma das alas do convento ficaram para a paróquia.Com o decreto de extinção das Ordens Religiosas de 1834, os bens dessas instituições passam a fazer parte do património estatal, mas isso em nada afecta a Igreja de São Paulo, que era paroquial e não de ordem religiosa. Mas no ano seguinte, perde esse carácter, pois a paróquia de Nª Sª da Assunção do Castelo foi definitivamente incorporada na de Santiago de Almada, ficando a igreja entregue aos cuidados de uma das suas irmandades, a do Rosário. Segue-se uma fase extremamente confusa, com vendas e contravendas, falências e casos mal esclarecidos. 
Chegamos, entretanto, a 1855 com uma situação no mínimo caricata: a quinta e a casa eram de um proprietário, mas o corredor da Sacristia era de outro. E assim se foi caminhando, com tudo a ameaçar derrocada total. A irmandade da Assunção, para não deixar que a igreja se danificasse, fez restauros em 1897. Em 1913 está danificada grandemente, tendo sido as imagens atiradas pela ravina ou queimadas. Alguma coisa escapou, mas nada ficou incólume.Em 1934, o Patriarcado de Lisboa adquire a Quinta e o Convento, por intermédio do Cónego José Falcã, para instalação do Seminário Menor, sendo este inaugurado no ano seguinte, a 20 de Outubro de 1935, pelo então Patriarca D. Manuel Gonçalves Cerejeira, com 41 seminaristas. O seu primeiro Reitor foi Monsenhor Francisco Félix, e o primeiro Vice-Reitor, o Padre António de Campos, mais tarde ordenado Bispo. Por o espaço ser relativamente exíguo para o que se necessitava, logo em 1936 começam obras de ampliação, que foram terminadas e inauguradas em 1938.Cumpridas que foram, em 1960, as Bodas de Prata do Seminário, este preparava-se para atravessar o Concílio Vaticano II. No fim deste, em 1965, surgiu uma novidade: o Patriarcado de Lisboa iria criar três zonas pastorais - Santarém, Oeste e Setúbal - com vista à sua elevação a Dioceses. O Seminário de Almada ficou assim plenamente integrado na Zona pastoral de Setúbal. Os acontecimentos, no entanto, não tomaram um rumo linear: nas conversações e nas reuniões havidas no seio da Conferência Episcopal Portuguesa sobre a criação e os limites das novas dioceses, o Cardeal Cerejeira opôs-se a que o Santuário do Cristo-Rei e o Seminário de Almada fossem integrados no território da nova Diocese de Setúbal. A votação então havida foi inconclusiva, com a diferença de um voto a separar os bispos secundantes desta opinião e os seus opositores, para quem tudo o que estava abaixo da linha do Tejo no território do Patriarcado devia fazer parte da nova Diocese de Setúbal. E assim, a 16 de Outubro de 1975, pela Bula Studentes Nos, do Papa Paulo VI, era criada a Diocese de Setúbal, sem o Seminário de Almada e o Santuário de Cristo-Rei. No entanto, mercê das insistências do Cónego João Alves, antigo Vice-Reitor do Seminário, que viria a ser Bispo de Coimbra e Presidente da Conferência Episcopal, a Bula trazia a clausula de que as duas instituições só ficariam em administração do Patriarcado «enquanto não se pode providenciar doutro modo».
 


Enquanto isso, na nova diocese de Setúbal, nascia o Seminário Diocesano logo a 2 de Fevereiro de 1976, pela mão do seu primeiro bispo, D. Manuel Martins. Este seminário, no entanto, não teve outra existência senão a formal durante cerca de quinze anos, com os seminaristas de Setúbal a fazerem a formação fora do território da diocese, na sua maior parte nos seminários de Almada e Olivais, do Patriarcado. Ao mesmo tempo que, em 1986, o Seminário de São Paulo comemorava as suas Bodas de Ouro, ia nascendo e crescendo o desejo em D. Manuel Martins de poder fazer a formação dos seus seminaristas numa instituição que tivesse a ver com a realidade da sua diocese. E foi assim que, em 1991, nasceu com três seminaristas que o iniciaram, na cidade episcopal, o Seminário de Santa Maria Mãe da Igreja, dando finalmente corpo ao Seminário Diocesano de Setúbal. Deixou-se então de frequentar o Seminário de São Paulo, completando-se somente a restante formação no Seminário dos Olivais. Mesmo este estado de coisas viria a terminar no ano de 1997, com D. Manuel Martins a chamar todos os seminaristas a Setúbal, devido ao facto de entender estarem reunidas todas as condições para a formação ser feita integralmente na Diocese.Neste intervalo de tempo, nunca a situação do Seminário de Almada e do Cristo-Rei surgiu como «natural» aos olhos dos diocesanos de Setúbal, que olhavam com alguma estranheza a sua continuada situação de enclave dentro da nova Diocese, sem resolução definitiva à vista. Pela conjugação de diversos factores, no ano de 1998 foi possível às duas dioceses começarem a encarar a hipótese da transferência, o que, depois de algumas conversações, se veio a realizar a 16 de Julho de 1999, XXIV Aniversário da criação da Diocese de Setúbal, já então presidida pelo seu segundo bispo, D. Gilberto D. G. Canavarro dos Reis. Os seminaristas que estavam em Setúbal vieram então para o Seminário de Almada, mantendo-se os responsáveis: como o Reitor, Mons. Alfredo Brito, e como primeiro Vice-Reitor, o Padre Carlos Rosmaninho. Em 15 de Agosto de 2002, para dar continuidade e renovar tão importante obra diocesana, o Senhor Bispo de Setúbal, como é tradição, assumiu pessoalmente o papel de Reitor, nomeou Vice-Reitor o Padre José Rodrigo da Silva Mendes F.C. e Prefeito e Ecónomo o Padre João Rosa José, sendo este último substituído, em 2005, pelo Padre Fernando Maio de Paiva. No presente ano mantendo-se como Reitor da casa, O Sernhor Bispo nomeou o Padre Fernando Paiva como Vice-Reitor e Ecónomo e o Padre Rui Gouveia como Perfeito.
A instituição Seminário de S. Paulo foi assim plenamente assumida, com a sua história e tradição já longas, pela Diocese de Setúbal, que deseja torná-la coração e viveiro de muitas vocações, para a Diocese e para tudo aquilo que o Senhor pede à Sua Igreja. Procura não desdizer o passado das duas instituições que lhe deram origem: o Seminário Patriarcal de S. Paulo e o Seminário de Santa Maria, Mãe da Igreja. Estes foram como que os «progenitores» desta nova situação do Seminário Maior de S. Paulo: um «pai» ardente no zelo do Apóstolo de quem tomou o nome, e uma «mãe» pobre e simples que toma d'Aquela que lhe deu a existência a fé confiante e a vontade de servir até ao fim, «até à morte e morte de cruz» e «guardando sempre tudo no coração».

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Peregrinação Diocesana a Fátima - 25 de Outubro 2014

«Nesta peregrinação – que abre solenemente o ano pastoral preparatório da celebração dos 40 anos da diocese – peçamos para a Diocese a graça da oração contemplativa para sentirmos no peito a luz de Deus. Então, seremos capazes de fazer memória feliz e agradecida do amor de Deus e, de viver a paixão de dar Cristo aos homens e às mulheres, aos jovens e às crianças, como Maria o deu aqui em Fátima. Ele é a fonte da alegria profunda que nada nem ninguém nos poderá roubar.»



Homilia do Sr. Bispo D. Gilberto na peregrinação da Diocese de Setúbal a Fátima

Em Fátima, Nossa Senhora visitou-nos, como um dia visitou a prima Isabel, para nos dar Jesus, fonte inesgotável de alegria. Felicito-vos por terdes vindo até junto de Maria e convido-vos a abrir-lhe a alma com o encanto dos pastorinhos, sobretudo da Jacinta e Francisco, já beatificados.
Saúdo cada um de vós que pelo baptismo fostes incorporados em Cristo, revestidos do Espírito e reunidos na Igreja de Deus e que estais no coração do nosso Deus. Bem vindos. Caros diocesanos e peregrinos.
Os pastorinhos, a quem a Senhora mais brilhante que o sol apareceu, eram crianças normais, rezavam pouco, cuidavam o rebanho mas gostavam mais de brincar, tinham medo. Depois das aparições tudo muda: rezam longos tempos, sacrificam-se por amor a Deus, não têm medo de morrer mesmo no azeite a ferver, suportam a doença por amor a Jesus...
Que aconteceu para provocar esta mudança profunda na sua vida?
Não foi o susto das aparições nem quaisquer promessas mundanas. Foi a luz de Deus que Nossa Senhora colocou no seu peito, no decorrer das aparições. Foi essa luz que os impressionou.
Lúcia diz, acerca desta luz: Maria abriu... as mãos, comunicando uma luz tão intensa..que, penetrando-nos no peito e no...íntimo da alma, nos fazia ver Deus, que era essa luz, mais claramente que nos vemos no melhor espelho. O Francisco diz: "o que mais gostei foi ver Nosso Senhor na luz que Nossa Senhora nos meteu no peito. Gosto tanto de Deus! Mas Ele está tão triste, por causa dos muitos pecados"(..) "estávamos a arder, na luz que é Deus e não nos queimávamos. Como é Deus!"
A luz que a Senhora pôs no seu coração, encantou-os e transformou-os. Mostrou-lhes Deus no Seu encanto, fez-lhes desejar o Céu, sentir a maldade do pecado, levou a Jacinta a rezar pelos pecadores e o Francisco a rezar muitos terços para ir para o Céu e para consolar Jesus!
A experiência do amor de Deus criou neles um amor tão grande a Deus que os abriu plenamente à Sua vontade. Assim, à pergunta de Nossa Senhora "quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos em reparação dos pecados com que é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?" responderam: 'sim queremos'.
Caros irmãos e irmãs,
A experiência do amor de Deus renova as pessoas. A conversão dos pastorinhos, a partir desta experiência, confirma o que a história ensina: quando Deus Se revela em todo o Seu amor, o homem renasce. Também o Papa – na carta que me enviou pela Secretaria de Estado com a bênção aos artistas Rão Kyao e Teresa Salgueiro em resposta à oferta ao Santo Padre, por estes artistas, de seus trabalhos discográficos, feitos em ligação com o nosso Seminário de Almada – diz assim: " A nossa alegria não vem (..) de possuirmos muitas coisas, mas de termos encontrado uma Pessoa -Jesus-que está no meio de nós (...) com Ele, nunca estamos sozinhos, até nos momentos difíceis..".
Caros irmãos na fé,
Na preparação dos 40 anos da Diocese, a nossa primeira atitude é de alegria e de acção de graças a Deus por nos ter “tocado o peito” com a luz do Seu amor neste tempo. Este amor imenso e belo tornou possível todo o bem e crescimento destes anos, reuniu-nos como Igreja feliz e fiel e tem gerado belos frutos de vida e de santidade a par de tantas realizações que conheceis bem.
Conscientes do amor de Jesus que nos precede e envolve, queremos no curso do ano descobri-lo melhor e descobrir pessoas, instituições e obras que dele brotaram, que O revelam e, diante das quais, queremos dizer com Maria: “a minha alma engrandece o Senhor...”.
Caros peregrinos,
O amor de Deus sempre precede e envolve o cristão. A experiência deste amor, na fé viva, é essencial na vida cristã. Se está forte tudo se alcança, se está débil tudo se complica. Por isso, para sermos Igreja da alegria e da evangelização, pedi comigo à Mãe do Céu que, como na visitação, acenda no coração de cada diocesano – fiel leigo, clérigo ou religioso – a luz do amor de Jesus.
Envolvidos neste amor, conseguiremos dar a Deus, com os pastorinhos, um “sim” decidido, mesmo que implique grandes sacrifícios: os sacrifícios necessários para abrirmos o coração ao amor de Jesus, para
nos tornarmos discípulos missionários, evangelizadores com Espírito, Igreja em saída e capaz de mudar o que for necessário para sermos fiéis ao Evangelho.
Por isso, pedimos à Mãe do Céu que ponha em nós a luz do amor de Jesus, como fez aos pastorinhos, para apostarmos corajosamente na catequese dos adultos, na formação dos catequistas, na iniciação cristã exigente e cativante, no acompanhamento dos jovens. Pedimos esta luz para que tenhamos sede da Palavra divina e para que a missa dominical nos una a Cristo que comungamos, ilumine a vida da semana e nos reúna como família de Deus. Pedimos esta luz para acolhermos com a atenção de Jesus os que nos contactam e para ir ao encontro de quem busca a esperança.
Pedimos à Mãe do Céu o amor de Cristo para que brilhe em nós e para melhorarmos os nossos muitos e belos serviços de caridade, através de maior aposta no envolvimento de toda a comunidade, no trabalho em rede, na escolha e formação dos vários agentes, na cultura da espiritualidade cristã e no bom acolhimento a cada pessoa. Tudo isto para crescermos na arte de escutar bem o pobre, de o integrar plenamente na comunidade e de sensibilizar o povo de Deus para a urgência de conhecer, pôr em prática e divulgar o rico e actual ensinamento social da igreja.
Pedimos à Mãe do Céu a luz divina necessária para viver a alegria nas crises; para superar as queixas lamurientas, a maledicência e a rotina pastoral; para ser um só coração e uma só alma; para sermos alma cristã da Península de Setúbal e ricos na vocação laical, religiosa e sacerdotal.
Pedimos à Mãe do Céu a luz divina para detestar e combater o pecado e para rezar pelos pecadores; para tornar as famílias lugar onde germina e cresce a vida e o amor, lugar e escola de comunhão, de alegria, de oração e de evangelização e para aprender a acolher os casais em rotura; para nos tornarmos comunidades onde cada um se sinta acolhido e acolha bem e para que nos sintamos enviados a participar na construção duma sociedade mais justa e fraterna.
Caros diocesanos,
Do que mais precisamos é desta luz que Nossa Senhora meteu no peito dos pastorinhos e que os santificou. E precisamos de a pedir sem cessar porque Deus, embora a queira dar a todos, raras vezes a dá de forma extraordinária como aos pastorinhos.
Como acolher, então, a luz divina que não queima mas que encanta e tudo renova?
Acolhe-se desejando-a, pedindo-a com insistência e pondo-se a jeito de a receber. O sol entra em casa se abrirmos as janelas. A luz de Deus entrará em nós se abrirmos as janelas do nosso coração; entrará, se orarmos com Maria e os pastorinhos no silêncio orante, diante de Jesus escondido. Quem reza assim, irá descobrir na vida, por vezes negra como a noite, que o Deus bom está a sorrir-lhe e dizer-lhe: estou aqui e amo-te, nada te roubará a alegria!
Rezemos bem. Rezemos o terço, como Nossa Senhora pediu. Passemos mais tempo com Jesus escondido no sacrário e na Sua Palavra e tocaremos Deus na escuridão da vida como é dito no testemunho enviado à mãe pelo jornalista James Foley, executado pelos jiadistas:"Rezo por vós, para que sejam fortes e acreditem. Sinto que, ao rezar, vos consigo tocar mesmo nesta escuridão".
Nesta peregrinação – que abre solenemente o ano pastoral preparatório da celebração dos 40 anos da diocese – peçamos para a Diocese a graça da oração contemplativa para sentirmos no peito a luz de Deus. Então, seremos capazes de fazer memória feliz e agradecida do amor de Deus e, de viver a paixão de dar Cristo aos homens e às mulheres, aos jovens e às crianças, como Maria o deu aqui em Fátima. Ele é a fonte da alegria profunda que nada nem ninguém nos poderá roubar.
 
Ó Maria, virgem e Mãe,
ao visitares a tua prima Isabel
– grávida da presença de Jesus –
fizeste exultar de alegria João Baptista, no seio de sua mãe,
ao pressentir o Salvador
e, cheia de alegria, cantaste as maravilhas do Senhor.
Ó Maria, que nos visitastes neste lugar,
que encheste de luz o peito dos pastorinhos,
e que sois nossa padroeira sob a invocação de Santa Maria da Graça,
fazei-nos sentir a presença e a alegria de Jesus Ressuscitado
já nesta celebração e ao longo do ano, tão intensamente,
para que sejamos capazes de viver este ano pastoral
preparatório dos 40 anos da Diocese
sob o lema “Setúbal, com Maria, alegra-te e evangeliza”.
Ámen.

+ Gilberto, Bispo de Setúbal