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domingo, 1 de fevereiro de 2015

ESCOLHIDA POR DEUS PARA SER SUA SERVA



 No dia 16 de Fevereiro de 1935, em Lisboa, na freguesia de Penha de França, nasce uma criança do sexo feminino, com o nome muito especial e com um significado muito forte, FLORINDA DEOLINDA DE SOUSA,
Flor+linda, Deo+linda, significa «FLOR LINDA DE DEUS». A mãe não podia ter escolhido outro nome, porque esta flor tinha sido escolhida por Deus para ser sua serva, se não vejamos.
A pequenina flor logo aos cinco anos de idade fica órfã de mãe e o pai abandonou-a. Sem lar e sem família, foi para o Orfanato de Santa Isabel em Lisboa, sem carinho de pai e de mãe, com a sua deficiência, começa o seu calvário. Deste orfanato transita para a casa de recolhimento da D. Sílvia Cardoso, na Amadora, aqui recebeu o baptismo, esteve até aos oito anos.
Dia do Baptismo de uma sua catequizanda.
Novamente muda de “casa“, faz a caminhada para o Albergue da Mitra. Todas estas passagens são feitas sem o calor humano de uma família, sem o beijo de um pai e de uma mãe, sem poder brincar como deveria ser, mas esta pequenina flor de aparência frágil, consegue ultrapassar com sorrisos, agradecendo ao seu Pai e à sua Mãe Nossa Senhora. Novamente muda de casa, vai para casa de uma tia, mas a sua frágil saúde atira-a para uma cama do Hospital da Misericórdia de Lisboa, daqui para o Sanatório da Parede, sendo submetida a várias operações para poder andar. Aos dezoito anos de idade, fez a 4ª classe por iniciativa própria, porque até aqui não pode iniciar os estudos, mas a vontade de estudar era tão grande, contra tudo e contra todos, conseguiu completar o secundário.
Esta flor delicada já com 21 anos, parte para Angola, lá consegue o primeiro trabalho no Colégio das Irmãs Doroteias, dando aulas no primário e preparatório e ao mesmo tempo também estudava.
Neste colégio começa a dedicação da sua vida ao Pai, fazendo trabalhos para a igreja, fazendo parte das diversas irmandades, fez-se 3ª Carmelita, bem como noutras ordens.
Casa-se em 1973, com Lionilde Luis, viveu feliz até ao ano de 1982, ficando viúva.
Voltando ao ano de 1975, dá-se a independência de Angola, vem para Portugal com o seu marido, ingressou na paróquia de S. Paulo, sendo membro activo dos movimentos bíblicos e outras actividades.
Mais tarde, vem viver para Palmela nos anos 83/84, aqui fixou a sua vida, casando-se com João Jacinto no ano de 1986, sendo novamente feliz. Continuou sempre com muita força, com muito amor e a palavra não, não existia no seu vocabulário, mas sempre o Sim.
Aqui, começa o trabalho na paróquia da Quinta do Anjo, onde assume diversas actividades, fazendo formação cristã de jovens e adultos, pertenceu ao movimento da Mensagem de Fátima, faz o secretariado geral da paróquia e ao mesmo tempo ajuda a comunidade do Bairro Alentejano durante 24 anos, formando muitos jovens e adultos na caminhada cristã.
Mais tarde, a comunidade de Santo António de Aires, vem pedir-lhe o seu auxílio e mais uma vez não consegue dizer não.
Nesta comunidade assumiu as catequeses, formações de crismas, formações de adultos para o baptismo, bem como em Pegões, durante 8/9 anos.
Entretanto nesta caminhada, ainda há lugar para tirar o curso de Teologia = estudos de Deus=, e como esta flor delicada era insaciável, não ficou por aqui, inicia outro curso = Antropologia Filosófica =, este curso é interrompido porque no dia 3 de Novembro de 2014, o Pai vem busca-la para a companhia dele.
É o resumo possível de uma lição de vida que esta Grande Senhora nos deixou, onde a falta de amor, o brincar quando somos crianças, a incapacidade, a dor, o abandono, o não ter casa, família, andar de orfanato em orfanato, nunca foram barreiras para ser uma vencedora, com uma formação humana extraordinária, com uma doçura e com muito amor para dar, sempre com um sorriso nos lábios e com um sim no coração.
A flor delicada fez um percurso de vida dedicada a Deus e ao próximo.

25º Aniversário do Matrimónio
  Não posso deixar de incluir a despedida que nos deixou escrita no seu computador pessoal, não pode ficar só para alguns, porque ela, ao escreve-la seria para conhecimento geral, aqui vai a sua transcrição:

UMA DAS MINHAS HIEROFANIAS
Recordo-me com saudade, dos tempos em que vivia em Angola, numa terra situada no interior da Província da Huila, Jamba, assim se chamava essa terra.
Era costume, afastar-me do povoado e ir junto de uma lagoa que ficava um pouco afastada da Jamba e, aí, apreciar o maravilhoso pôr-do-sol. Era deslumbrante, porque o Sol descia pelo morro e, ia espraiar-se nas águas da lagoa, dando-lhes tons de oiro e de prata.
Era o meu lugar predilecto! Sozinha, ouvindo o chilreio dos pássaros que recolhiam aos seus ninhos, não podia deixar de pensar no Mistério que, dentro do meu peito, ardia como Sol que desaparecia por detrás do morro e me trazia uma serenidade, como água da lagoa que se deixava “ abraçar “ pelo Sol, num adeus de despedida.
Assim me preparo para ir para o Pai, pois está a chegar o fim da jornada, levo todos no coração, as minhas comunidades, os meus grupos de catequese, os meus Padres assistentes e em especial o meu JOÃO.
Adeus a todos que fique convosco a paz e o amor de Deus.
Deolinda

Com esta despedida só posso dizer Obrigada minha Grande Amiga do fundo coração e um até Sempre.

Odete Rodrigues

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Comemoração dos 40 anos da restauração da Paróquia de Corroios

Celebrou-se, no passado dia 13 de Outubro na Igreja de Nossa Senhora da Graça de Corroios, uma eucaristia presidida pelo nosso Pároco, Pe. Casimiro Henriques, assinalando os 40 anos da restauração da Paróquia de Corroios.

Há quarenta anos, o Cardeal D. António Ribeiro, voltava a separar as Paróquias de Amora e Corroios, que depois do terramoto tinham sido anexadas, devido ao estado de ruína em que se encontro a igreja do "Termo de Almada".

Nesta eucaristia foram lembrados todos os sacerdotes que passaram pela Paróquia, em particular o Pe. António Benetti e o Pe. Norberto Lino que já partiram para a casa do Pai. Foram igualmente recordados muitos leigos que animaram e ajudaram a reconstruir a Igreja de Corroios.

A celebração da Eucaristia terminou no exterior da igreja, com a bênção de uma imagem, colocada na parede lateral à Igreja, em honra de Nossa Senhora e da autoria do escultor Hugo Maciel. Esta imagem, lembrou o Pàroco, serve fundamentalmente para abençoar, todos é cada um que por ela passar, de forma particular as famílias, e ainda mais particularmente as mães, que tal como Maria têm a função de proteger cada filho.

Foi igualmente lançado, nesta celebração, o livro "40 anos... 40 Ecos" da autoria do Pe. Casimiro Henriques. Esta obra é composta por uma compilação de 40 artigos escritos no boletim paroquial "Ecos da Paróquia". As verbas provenientes da venda desta obra revertem para a construção do Centro Pastoral S. Nuno de Santa Maria e para fazer face à aquisição da obra exposta na fachada lateral da Igreja.


 

sábado, 24 de janeiro de 2015

Quarenta anos de amor e vida conjugal


A Lurdes e o Manuel uniram-se para toda a vida pelo Sacramento do Matrimónio, no dia 27 de Abril de 1975.



Esta cerimónia muito marcante para nós foi realizada na Igreja do Espírito Santo no Montijo, na presença de Deus, sendo seu Ministro então, o muito amigo Padre Manuel Gonçalves.

Foi nesse dia abençoado que nos entregámos um ao outro e a Deus Nosso Senhor, jurando fidelidade para sempre, pedindo a bênção de Deus para o nosso comprometimento a três, e Ele veio morar connosco.

Quatro filhos muito amados chegaram então e a todos lhes demos a conhecer pela Igreja, o amor de Deus.

Frequentaram enquanto se sentiram chamados, movimentos dos jovens especialmente os Escuteiros.

Mas um dia bateram asas e abandonaram o ninho e vivem agora a sua própria vida de amor. Dois já casaram tendo o nosso Pai do Céu a abençoá-los e outros dois estão no bom caminho para o mesmo. E já contamos com seis maravilhosos netinhos.

Porque sabemos hoje, que a “Memória é uma dimensão da nossa fé e que crente é fundamentalmente” uma pessoa que faz memória e que a alegria evangelizadora refulge sempre sobre o horizonte da memória agradecida” ao longo dos 40 anos de namoro e amor nós tentámos mostrar aos nossos filhos, netos, amigos mais chegados e ainda à comunidade que nos rodeia quer humana quer eclesial, a nossa grande alegria de viver como esposos cristãos.

A todos mostramos que o sacramento do Matrimónio começa por partir à aventura da vida a dois, desbravando os caminhos e obstáculos que se nos deparam, por vezes difíceis de transpor, e que com o decorrer dos anos o amadurecimento da nossa relação trouxe muito mais amor e muito mais ternura entre nós.

Abraçámos os movimentos eclesiais, Equipas de Nossa Senhora e Centro de Preparação para o Matrimónio, onde nos mantemos, e também participámos noutros tais como Encontro Matrimonial e Cursilho de Cristandade. A nossa vida conjugal ganhou muito em termos de espiritualidade e o nosso amor ficou muito mais enriquecido desde que nos decidimos por esta entrega a Deus e à nossa comunidade.

Mas é fundamental dizer aos outros que nos ouvem, que só tivemos sucesso na nossa aventura porque escolhemos um Guia para a nossa caminhada.

Sabemos hoje que a mão de Deus Nosso Senhor esteve e estará sempre connosco enquanto vivermos na Terra. Depois no Céu logo se verá…


Lurdes Marques e Manuel Marques
17 Janeiro 2015

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Aliança de Misericórdia, numa diocese da Misericórdia



           
 O movimento Aliança de Misericórdia caracteriza-se por uma vivência e um anúncio ardoroso da Misericórdia de Deus, para com todos os pobres, sejam eles material ou espiritualmente, tendo sua origem no Brasil e presente em mais 6 países (Portugal, Itália, Bélgica, Polónia, Venezuela e Republica Dominicana).

            Atendendo ao convite de fazermos memória da nossa história e relaciona-la com a historia da nossa Diocese, vejo que apesar de pouco tempo, poderíamos escrever alguns livros e ainda seriam poucos para relatar o milagre que testemunhamos diariamente nesta Terra de Santa Maria.

            Por muito tempo caminhávamos à procura de um espaço em que pudéssemos desenvolver a Evangelização de acordo com que o nosso carisma exige e, portanto, chegando a esta igreja local, encontramos mais que um espaço físico…. Encontramos uma Igreja em saída…uma Igreja da Misericórdia.

            Fizemos uma proposta de Evangelização para nosso Bispo Dom Gilberto que, após um tempo de discernimento, aprovou e acolheu a comunidade, iniciando assim uma nova fase da missão em solo lusitano. Logo nos foi apresentada a Quinta-do-Álamo, um espaço muito amplo e próximo daquilo que Nosso Senhor nos inspirava para a Missão nesta Igreja. Começamos um período de conversações a fim de chegarmos a um acordo sobre como seria a nossa permanência neste local.

            Chegando a bom termo, viemos habitar na Quinta-do-Álamo e de maneira impressionante, Deus nos surpreendia com a sua providência divina. Em menos de um ano, dia após dia, assistimos o milagre acontecer, pois antes de morarmos no Álamo, residíamos em casas arrendadas em Lisboa e quando partimos para o Seixal não tínhamos muita coisa para trazer. Basicamente tínhamos as nossas roupas e um carro, pois os móveis e demais objetos pertenciam aos proprietários das devidas casas.

            Mas na certeza que a vida de despojamento atrai, porque é uma vida à maneira da Vida De Cristo, aquele que não tinha onde reclinar a cabeça, em pouco tempo muitas pessoas foram se aproximando da comunidade, fosse para estar connosco algum momento do dia, fosse para rezar ou ir à capelinha de oração… bem como pessoas que chegaram e foram sinais da Providencia Divina. Pouco a pouco fomos melhorando a estrutura da casa, de modo a criar melhores ambientes para o bom desenvolvimento da comunidade e para a Evangelização. Se no início morávamos um tanto apertados e até mesmo improvisando cómodos, um ano depois temos a graça de estar melhor instalados e com a possibilidade de acolher quem bate à nossa porta. Como dizia certa vez um jovem que encontramos nos bares do Seixal, numa noite de Missão, estando ele naquela realidade das drogas, que não sabia que a Igreja Católica saía às ruas para falar com os jovens e que estava realmente surpreso e agradecido por o terem escutado sem o terem julgado por aquilo que fazia ou o modo como vivia.

“Acreditamos que ninguém é tão pobre que não tenha algo para dar e nem tão rico que não tenha algo para receber.”

            Esta é nossa breve história mas em tudo damos Graças, e por esta Diocese de Setúbal que ao longo desses 40 anos gerou muitas vidas para a Igreja, contribuindo para a construção de um Mundo Novo, a que chamamos de “ Civilização do Amor”.


            Portanto como família diocesana digamos juntos:

“ Igreja de Setúbal, com Maria Alegra-te e Evangeliza”


Deus nos abençoe,


Missionário Luiz

Comunidade Aliança de Misericórdia






terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Oração de D. Gilberto para os 40 anos da Diocese: leitura e interpretação teológico-pastoral


Pai Santo,
Somos a Igreja de Setúbal
que reúnes e animas
pelos braços do Teu Filho e do Espírito Santo
e que quer celebrar quarenta anos de Diocese.

= Somos a Igreja de Setúbal
À boa maneira paulina, se refere que a Igreja está, vive e faz-se num contexto sócio/geográfico muito concreto. Aqui se refere a realidade diocesana, onde cada um se sente parte dos outros que consigo caminham, sofrem, alegram-se, vivendo a graça do perdão e da comunidade.
As paróquias só têm sentido se estiverem em comunhão com a Diocese.

= Que reúnes e animas...
A ‘Igreja’ é a reunião dos irmãos, cuja expressão máxima se exprime na eucaristia. Reunião e animação que não dependem só dos fatores humanos nem dos ingredientes sociais.

= Pelos braços do Teu Filho e do Espírito Santo
Na linguagem dos padres da Igreja, nós somos ‘um povo unido pela unidade do Pai e do Filho no Espírito Santo’ (cfr. LG 4). Deste modo a Igreja é o ícone da Santíssima Trindade, onde o Pai e o Filho e o Espírito santo constroem e animam a vida dos cristãos e a comunhão das instituições.

= Que quer celebrar 40 anos de Diocese

Somos uma Igreja no espaço e no tempo, com história e com memória...no passado e com presente!
Pai santo,
nesta hora feliz, damos-te graças
por tantas pessoas, instituições e acontecimentos,
que são sinais do Teu amor por nós.

= Pai santo, nesta hora feliz, damos-te graças
A celebração dos 40 anos da Diocese de Setúbal é um momento de felicidade de índole espiritual e motivo de ação de graças… sendo a eucaristia uma dos expoentes máximos dessa vivência de gratuidade e de agradecimento pela ação da graça de Deus nesta porção do povo de Deus.

= Por tantas pessoas, instituições e acontecimentos
Eis uma pequena (mas significativa) lista de motivos para esta ação de graças, como diocese: as pessoas que habitam entre o Tejo e o Sado que se esforçam por fazerem parte desta Igreja; as instituições tanto de natureza civil como eclesial ou mesmo associativas e imensos acontecimentos que decorreram nestes 40 anos, tantos agradáveis como difíceis… tudo faz parte da vida e fez caminho de vida nesta e para esta Igreja.

= Que são sinais do teu amor por nós
Eis uma leitura urgente a fazer: ver tudo como sinal de Deus, nada é desperdiçado nem ninguém é excluído da nossa história pessoal e familiar, social e eclesial. Se tivéssemos, assim, uma visão de fé, pela esperança e na caridade tudo seria bem interpretado em Deus… para louvor d’Aquele para Quem tudo concorre para o bem daqueles que O amam! 

E pedimos-te
a paixão pela santidade,
a fé viva alimentada pela Palavra e pela Eucaristia
e um coração acolhedor de todos, sobretudo dos pobres.

= Pedimos-te a paixão pela santidade
Iniciamos uma série de ‘pedidos’ (intercessões e petições) para todos como Igreja e não meramente para cada um de forma isolada. Somos um corpo de Cristo santificado pelo poder do Espírito Santo. É, por isso, que solicitamos ao Pai que derrame o seu Espírito de santidade em nós, como diz o concílio Vaticano II, ‘santa Igreja dos pecadores’ (LG 48), isto é santa na sua natureza embora pecadora nos seus membros.
Mais do que uma qualidade da Igreja, a santidade que suplicamos é uma condição de afirmação dos cristãos no mundo: santos embora sujeitos à condição terrena de tentados e de pecadores.
Temos de assumir a ‘paixão pela santidade’ e isso fará de cada um de nós e de todos nós um povo marcado pela unção da santidade na vida de cada dia.

= A fé viva alimentada pela Palavra…
O cristão alimenta-se do ‘pão da vida’ seja na Palavra de Deus, revelada na Sagrada Escritura, seja pelo anúncio evangelizador da mesma Palavra na Igreja. Precisamos de ultrapassar o défice de conhecimentos da Bíblia, lendo, escutando, meditando e rezando a Mensagem da salvação que nos é comunicada na Palavra de Deus escrita e na Tradição. Não podemos continuar a ser ignorantes daquilo que Deus nos diz na Sua Palavra.
Em cada idade temos de acertar com o ritmo da nossa consciencialização humana e a aferição do nosso viver com a Palavra de Deus viva e eficaz… Certamente já crescemos muito, mas ainda nos falta muito mais.

= … e pela Eucaristia
À boa maneira dos primeiros cristãos precisamos, hoje, de dizer e viver: não podemos viver sem a eucaristia, sobretudo dominical. Os dados de afastamento da prática da eucaristia de domingo são preocupantes: seremos cerca de 4% em relação à população residente na área da diocese – 31.413 praticantes em 779.373 habitantes…
A chama do encontro com Cristo está muito fragilizada e, por isso, com muita facilidade se deixa ou abandona a missa de domingo… De fato, há mais igrejas, nestes 40 anos de diocese, mas os praticantes não cresceram tanto quanto era suposto… Há muita coisa a corrigir com verdade e humildade, dando testemunho da celebração da missa dominical, que dá sabor e alegria à nossa vida.

= Um coração acolhedor de todos…
Numa igreja minoritária há que mudar de estratégias, pois quem chega precisa de ser acolhido. Falta-nos. Normalmente, um serviço de acolhimento – desde a sua expressão mais simplista até à mais delicada – de quem nos procura, inserido numa visão de saber receber, aprender a escutar, ter tempo para explicar, incluir e enquadrar quem chega… Mais do que um cliente, esse/a que nos procura é um irmão ou uma irmã em quem Cristo está presente… seja conhecido ou desconhecido!

= … sobretudo dos pobres
Estes são os mais frágeis, os vulneráveis, os desempregados, as vítimas dos vícios, do desprezo… sem comida, sem casa (ou com a renda em atraso), sem água nem eletricidade… Esse pobre tem de ser acolhido com coração compassivo e misericordioso, não atendendo a quem é, mas a Quem ele represente, Jesus pobre e necessitado. 



Pedimos-te 
a graça de crescer como comunidade,
onde cada um se sinta amado
e se torne pedra viva e lugar de acolhimento.

= A graça de crescer como comunidade
Desde logo vale a pena ver a composição desta palavra: comum – unidade, isto é, tentarmos viver na comum unidade de irmãos na mesma fé a partir do mesmo Cristo em Igreja… Embora se possa dizer muito esta palavra, ela é, antes de tudo, uma dinâmica que se alicerça num coração convertido a Jesus e aos outros. Pois, os outros são a nossa componente de caminhada para crescermos – claro com atritos e diferenças – e não para nos ofendermos ou melindrarmos…
‘Crescer’ implica vida e dificuldade e, por vezes, esse crescimento traz crises, tendo em conta a etimologia desta palavra: momento de decisão, faculdade de distinguir, decisão… Todos nós temos de passar por crises de crescimento – na idade, na personalidade, na maturidade – e, se acontece nas pessoas, também acontecerá na convivência com outros.
Temos consciência de crescer como comunidade? Ou será que vivemos num certo ambiente tão pacato que mais parece um cemitério?
Crescer como comunidade implica conversão contínua e humilde… e precisamos de pedi-lo a Deus.

= Onde cada um se sinta amado
Ninguém se sente bem, seja onde for ou com quem for, se não se sentir amado, que é muito mais do que tolerado ou aturado… Ora, nós pedimos que, em comunidade, vamos crescendo em atitude de estima e acolhimento e ainda onde cada pessoa seja vista como é e não a partir dos adereços sociais, de instrução ou até de pretensão.
O desafio é alto e urgente, mas as etapas estão-nos acessíveis e à nossa disposição: à semelhança de Jesus temos de amar e de ser amados, ou como tem dito o Papa Francisco: cuidar e deixar-se cuidar… aprendendo a perdoar os erros e falhas dos outros para sermos também nós perdoados pelos outros, sobretudo pelos que nos conhecem (ou vão conhecendo) melhor.

= E se torne pedra viva…
Ser pedra viva do templo do Senhor, que é Igreja, é estar consciente da sua vocação e missão na Igreja e mesmo no mundo, pois só assim nos sentimos parte uns dos outros e criadores de comunhão à nossa volta. Não pode haver cristãos-sanguessuga, isto é que vivem à custa dos outros, nada fazem e quase tudo e todos criticam. Temos de descobrir e exercer os carismas que Deus nos concedeu para o crescimento da comunidade-Igreja. 

=… e lugar de acolhimento
Tendo sido acolhido, agora se reveste a mesma atitude: mais do que retribuir o que nos deram, devemos estar de coração aberto para acolher como Jesus. As figuras do samaritano (Lc 10,29-37) e da samaritana (Jo 4,1-42) podem servir-nos de modelos para viver este exercício contínuo de acolhimento: como cuidado pelos mais frágeis e como anunciadores do encontro com Jesus, que nos mudou a nossa vida. 


Pedimos-te
que, guiados pelo Espírito de Jesus,
sejamos ‘Igreja em saída’
a anunciar a todos a alegria do Evangelho.

= Guiados pelo Espírito de Jesus
Ungidos, somos enviados. Com efeito, o evangelho está contido entre duas palavras de Jesus: ‘vinde’ e ‘ide’… vinde após Mim e farei de vós pescadores de homens…E Eu envio!
Novamente pedimos ao Pai que, por Jesus, vivamos a dinâmica do envio, isto é, da missão. Não podemos ser cristãos só do templo, pois poderemos ser encurralados na sacristia, mas, partir da celebração da eucaristia, partimos para a missão. Nas palavras do Papa João Paulo II: da missa para a missão, isto é, a missa começa quando acaba a celebra-ção da eucaristia, esta faz-se presença e testemunho. Quem nos faz viver isso é o Espírito de Jesus, esse mesmo que O conduziu na sua vida pública de anúncio do Reino messiânico.

= Sejamos ‘Igreja em saída’
Esta expressão tem sido muito difundida pelo Papa Francisco. Diz-se na ‘Alegria do Evangelho’ : «Na Palavra de Deus, aparece constantemente este dinamismo de ‘saída’, que Deus quer provocar nos crentes (…) Que a pastoral ordinária em todas as suas instâncias seja comunicativa e aberta, que coloque os agentes pastorais em atitude constante de ‘saída’ e, assim, favoreça a resposta positiva de todos aqueles a quem Jesus oferece a sua amizade» (EG 20.27).
Desta forma estar em saída faz com que deixemos as amarras de segurança rotineira e as certezas duma fé cristalizada, para podermos entrar na aventura de novos horizontes e diferentes campos de intervenção… sem o cheiro a cera ou a pescar no aquário.

= A anunciar a todos a alegria do Evangelho
Este pedido é muito mais do que entender o que o Papa nos diz na exortação que nos faz ler e meditar com o mesmo nome. Este pedido é fazer com que o Evangelho seja isso que significa: boa nova para todos… sem anátemas nem excomunhões, tanto para fora como para dentro do espaço eclesial.
Há tantos campos e esferas de intervenção que só pela alegria d Evangelho poderemos penetrar com confiança e verdade. Como dizia recentemente o Papa: ‘nunca um santo teve uma cara de enterro. Os santos sempre tiveram o rosto da alegria, ou, pelo menos, o rosto da paz’!

Pedimos-te, com Maria,
um coração orante e tão cheio do teu amor
que encha de alegria as pessoas que encontramos.
Ámen.


= Pedimos-te com Maria
À boa maneira das mais recentes intervenções dos Papas, o nosso Bispo coloca, o final desta oração, aos cuidados de Nossa Senhora. Com efeito, Ela é a mãe, a protetora e a intercessora da nossa caminhada em Igreja e como Igreja diocesana, as famílias e as pessoas… tanto as crentes como todas as outras que vivem neste espaço diocesano.
= Um coração orante…
Depois de pedirmos um coração santo, um coração acolhedor e um coração ungido pelo Espírito Santo, queremos viver tudo isto com um coração orante, isto é, que vê, acolhe, aceita e contempla a presença de Deus nas coisas, nos acontecimentos, nas pessoas e na história… Rezamos com tudo e rezamos por tudo o que nos acontece.
= …e tão cheio do teu amor
É Deus quem preenche as nossas lacunas e infidelidades pela fidelidade Maria, com Ela, por Ela e n’Ela. A cheia de graça derrama sobre nós as graças e bênçãos divinas, hoje e para sempre.
= Que encha de alegria as pessoas que encontramos
Do trono da graça – que é por excelência Jesus e por participação especial Nossa Senhora – se derramam as bênçãos do Céu sobre a Terra, como lugar de provação, de anúncio e de testemunho. A paz e a alegria se derramem na nossa vida e através de nós, como portadores da bênção, se irradiem onde quer que se encontre um cristão.
Amen!


António Sílvio Couto
(10.janeiro.2015)