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quinta-feira, 16 de julho de 2015

AS MÃOS DO SACERDOTE


D. Isaura, colaboradora da Casa do Gaiato de Setúbal, que faleceu no passado mês de Maio.


Muitas vezes me têm pedido para contar como e porquê entrei para a Casa do Gaiato, e para a Casa do Gaiato de Setúbal, já que vivia próximo da Casa do Gaiato de Miranda do Corvo.

«Porque escolhestes o Gaiato e a Casa de Setúbal?»

Depois da morte do meu Pai fui viver para Miranda aos cuidados de uma família amiga e na sua companhia frequentava a Casa do Gaiato, ia lá a várias celebrações.
Depois do falecimento de Pai Américo, estaria eu entre os dez ou doze anos, fui lá a uma Missa Nova. O movimento e alegria dos rapazes nos preparativos e a própria celebração foram lindos! Lembro-me de andar no meio dos apertões para beijar as mãos do sacerdote... Não foi fácil... de repente senti que fui puxada... o sacerdote tinha reparado na dificuldade de uma menina franzina. Aconchegou-me a ele, fez-me carícias na cabeça e na face, beijou-me e deu-me as suas mãos a beijar. Aquele gesto do Sacerdote nunca mais foi esquecido na minha vida! Muitas vezes procurava e esperava encontrá-lo, mas nunca mais o vi.

Mais tarde, quando tinha 17 anos, vim a uma Missa Nova a Vila Seca, minha paróquia de origem. Num determinado momento do sermão, o novo padre fez um apelo às raparigas cristãs para que nas suas orações pedissem a Deus, que ao casarem lhes concedesse um filho sacerdote ou ainda que através da oração "adoptassem" um sacerdote que conhecessem ou algum que tivesse maiores dificuldades. De imediato pensei naquele Sacerdote da minha infância, talvez um dia viesse a reencontrá-lo e conhecê-lo.

Começou a minha juventude integrei-me em diversos grupos e actividades culturais e de apostolado, na paróquia de Miranda e mesmo no âmbito da diocese (liturgia, catequeses...) e recomecei a estudar à noite.

Mais à frente pensei que a minha vida tinha que dar uma volta e fui ter com o Padre Horácio, (responsável pela Casa do Gaiato de Miranda) dizer-lhe da minha vontade de integrar a Obra e vir para a Casa do Gaiato, mas ele disse-me que não... que eu estava muito envolvida na paróquia e com trabalhos na diocese, que os Padres iriam sentir a minha falta e pensar que tinha sido ele a puxar-me para outra missão (ele conhecia-me e sabia que a diocese tinha apostado na minha formação, também financeiramente, e que estava também depositada esperança para o meu trabalho na formação na catequese) disse-me também que ia sentir-me dividida ao ver a falta que fazia nas tarefas que desempenhava até ali, e que não podia estar nos dois lados.

A partir desse momento fiz um corte radical com toda a Obra da Rua. Deixei tudo: de frequentar a casa, de ler o jornal... TUDO!

Durante uns anos permaneci no meu trabalho e responsabilidades assumidas... continuei a estudar à noite e fiz os meus projectos... e isto andava assim...

Um dia, surgiu uma Ultreia Diocesana em Chão de Couce. Quando cheguei, um jovem andava a pedir autógrafos e também pediu o meu e disse-me ainda: "Olha, tens o teu autocolante ao contrário, de pernas para o ar". Eu olhei, mexi e respondi: "Está de pernas para o ar para ti, para mim está bem, que é para eu ler", e ele acrescentou “Raciocinaste muito rápido. Está com muito cuidado ao dia de hoje que há uma mensagem para ti".
Fomos às celebrações e trabalhos da manhã e no fim fomos almoçar. O padre Horácio, que também estava, chamou os grupos de Miranda e convidou a almoçarmos juntos, no final da refeição disse: "Arrumamos os farnéis e logo à tarde, no regresso o primeiro carro que encontrar um bom lugar para lanchar encosta, e quando estivermos todos lanchamos". E assim aconteceu.

No final da merenda o Padre Horácio disse: "Para terminar este dia lindo vamos todos ao bar da Casa do Gaiato beber um cafezinho". Ouve-se um "Vamos, vamos..." e depois um silêncio (duas ou três pessoas no grupo sabiam do meu corte com a Casa). O Sr. Fausto Branco interrompeu o silêncio e dirigindo-se directamente a mim falou: "Há uma pessoa que ainda não se manifestou. Então Isaura? Vamos ou não vamos? Ou vamos todos ou não vai ninguém." Eu respondi "Claro, por causa de mim não se vai estragar a festa."
No final, já na Casa do Gaiato, Padre Horácio chamou-me e disse que precisava de mim, ele tinha que sair durante o mês de Agosto e pediu se eu ia fazer um acompanhamento aos rapazes. Também tinha pedido ao Sr. Fausto que aceitou ir ajudar.

«Dentro dos nossos muros tudo se aproveita.
O mal para que se transforme e o bem para que melhore.
Nós somos a seara imensa do trigo e do joio»
Pai Américo

Entretanto, nesse Agosto, quando eu já estava na Casa do Gaiato de Miranda com os rapazes o Padre Telmo mandou um recado. Tinha tido conhecimento da minha situação e chamou-me para dizer que as coisas não podiam ficar assim, que ainda era tempo de eu vir para a Obra... Eu disse que não, que esse assunto, dedicar-me ao Gaiato, estava ultrapassado, que tinha arranjado outras coisas e já não podia. Então ele disse-me "Isaura, na nossa vida Jesus passa uma vez, passa duas vezes e às vezes não passa mais."

Perdi o sono, fiquei sem dormir... e uma noite às três e meia da manhã ajoelhei-me na minha cama e voltei-me para a imagem de Jesus jovem que estava no meu quarto e disse-lhe: "Sim. Eu vou. Vou para Setúbal. Mas agora deixai-me dormir." E adormeci como por encanto. De manhã quando acordei, acordei de um sonho do qual queria fugir. Fui para o terraço, abri a Liturgia das Horas, para ver por onde podia escapar e apareceu-me isto:

 
Fica connosco. Senhor, porque anoitece

Como Te encontraremos.
Ao declinar do dia,
Se o teu caminho não cruzar
O nosso caminho?
Fica connosco,
Dá-nos a tua luz:
E o alegria vencerá
A escuridão da noite.
Venham às nossas mãos
Para Ti estendidas.
As chamas acesas do Espírito,
Fonte da Vida;
E purifica no mais fundo
Do coração do homem
A tua imagem
Que a culpa escureceu.
Vimos romper o dia
Sobre o teu belo rosto,
E o sol abrir caminho
Em tua fronte:
Não deixes o vento da noite
Apagar o fogo novo
Que, ao passar, na manhã,
Tu nos deixaste.



Comuniquei então ao Padre Telmo a minha decisão e que vinha para Setúbal, respondendo aos apelos feitos no Jornal "O Gaiato".

Em Outubro o Padre Acílio foi buscar-me a casa. No carro, na viagem para Setúbal, perguntou-me se eu alguma vez tinha ido a uma Missa Nova a Casa do Gaiato, respondi que sim, quando tinha para aí dez ou doze anos fui a uma Missa Nova de um rapaz, de um gaiato talvez. Então ele contou-me "Esse rapaz era eu". Eu vinha lavada em lágrimas de ter deixado Miranda e ele disse-me que o rapaz era Ele. Nunca mais conversámos sobre esta coincidência, a vida e o Amor de Deus são um mistério e devemos estar atentos aos sinais que Ele nos deixa.

Esta reflexão foi-me pedida no 25e Domingo do Comum em que no Evangelho (Mateus 20, 1-16) Jesus nos conta a parábola do proprietário que vai contratar os trabalhadores para a sua vinha. Começou a contratar pela manhã e terminou ao final do dia. Uns vão o dia todo, outros ao final da manhã e ainda alguns só ao final do dia.

Escuta o recado daquele jovem do autógrafo!

Toma atenção ao recado do Padre Telmo: Jesus passa uma vez, passa duas vezes, pode não passar mais.

Será que alguma vez passou por Tl?

«Não te falo de perfume nem beleza
Falo-te de doação...
De gratuidade...
Só um coração liberto entenderá o segredo»
Pai Américo

Cantinho das Senhoras Casa do Gaiato
Setembro de 2014 (Isaura, Setúbal)

terça-feira, 7 de julho de 2015


No da tarde do passado dia 21, realizou-se, numa grande tenda à sombra do santuário de Cristo Rei, um encontro diocesano de leigos. Na génese deste encontro esteve um belo, mas menos ambicioso evento: congregar todos os alunos e formadores da Escola da Fé. Como por magia, a ideia transformou-se num grande encontro de fiéis leigos em redor do seu Bispo, no 17º aniversário da sua tomada de posse da diocese de Setúbal. Equívoco. A diocese é que tomou posse dele, da sua alma de pastor atento e apaixonado, do seu amor a todos, especialmente aos mais pobres e, muito especialmente, o seu carinho pelos leigos. E ali estavam, não todos, mas muitos deles para lhe dizer que, mais felizes por serem “seus” é saberem-no “seu”.
 
O Prof. Doutor Manuel Braga da Cruz, professor da Universidade Católica, foi o convidado para fundamentar histórica e teologicamente a identidade e a missão dos leigos no pós-Concílio. Generosamente, ofereceu-nos o texto da sua conferência. Pode ler aqui).
 
O Encontro terminou com um jantar, saudações, ofertas e um belo cante alentejano. Por fim, D. Gilberto, enalteceu os leigos e seu lugar na Igreja e disse que a maior alegria do Bispo e do padre é estar ao serviço dos leigos, da sua vocação e da sua missão.
 

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Vamos celebrar o dia dos 40 anos!

 

No próximo dia 16 de Julho, a Diocese de Setúbal está em festa: completam-se 40 anos da criação da nova diocese, juntamente com a de Santarém.
 
Foi o Papa Paulo VI, já declarado Beato pelo Papa Francisco, que neste dia, em 1975, assinou o documento oficial (Bula) da criação da nossa Diocese, cujas primeiras palavras, em latim, lhe dão o nome: "Studentes Nos".
 
Às 18h00, D. Gilberto presidirá, na Sé, a uma solene celebração eucarística, em agradecimento por este acontecimento e pelos 40 anos já vividos no serviço do Evangelho neste território que coincide praticamente com a denominada Península de Setúbal. Participarão os Bispos das Dioceses da Província Eclesiástica de Lisboa, na qual a nossa Diocese se integra. Participará o Senhor D. Manuel da Silva Martins, que neste mesmo dia foi nomeado pelo Papa para 1º Bispo de Setúbal.
 
No Centro Paroquial da Anunciada, após um jantar volante, haverá às 2lh30 uma sessão comemorativa dos 40 anos da Diocese, com testemunhos de: D Manuel Clemente Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Martins, Dra. Maria das Dores Meira, Presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Ir Maria de Lourdes, das Irmãs da Apresentação de Maria, Dr. João Costa, Chefe Regional do Corpo Nacional de Escutas de Setúbal e D. Gilberto dos Reis, Bispo de Setúbal.

A entrada é livre.

 

terça-feira, 30 de junho de 2015

MOVIMENTO ENCONTRO MATRIMONIAL na Diocese de Setúbal



A Missão do Encontro Matrimonial, é ajudar na renovação dos Sacramentos do Matrimónio e da Ordem, casais, sacerdotes e religiosas para que vivam plenamente uma relação Responsável e íntima, proporcionando-lhes, para este estilo de vida, uma experiência católica e uma Comunidade de apoio permanente.

Apesar de ser um Movimento da Igreja Católica está aberto a todos os casais de crentes e não crentes.



O Movimento EM está vocacionado para ajudar todos os casais que queiram aprofundar e melhorar a sua relação de Amor e compromisso. Destina-se igualmente a sacerdotes e religiosas que queiram entrar em contacto com as alegrias, desilusões, esperanças e sonhos para redescobrirem o normal e o entusiasmo pelo sacerdócio e ou consagração.





O Movimento EM surgiu em Portugal em Janeiro de 1982. A partir desta data alguns casais da nossa Diocese começaram a viver o Fim-de-semana (FDS) original na Diocese de Lisboa.



Devido ao grande entusiasmo e empenhamento dos casais, em 1992 foi criada a Zona Sul, fazendo parte da Região de Lisboa. Em 2001 é criada a Região Sul, hoje com as zonas da Península de Setúbal e a Zona de Évora.

Em 14 de Outubro de 2001 realizou-se o 1º Encontro da Comunidade da região Sul com o tema “ Faz-te ao largo”.


Este movimento de leigos, sacerdotes e religiosos extravasa para além da Diocese.





A primeira equipa eclesial de coordenação da Região de 2001 a 2003 foi formada pelo casal Vitória+António Silva com o Padre Horácio Noronha, a que se seguiram de 2003 a 2005 o casal Lourdes+João Furriela com o Padre Luís Bairrada formaram a segunda equipa eclesial de coordenação da Região Sul.

De 2005 a 2006 a equipa eclesial foi constituída pelo casal Leontina+José Cantarinha com o Padre Horácio Noronha.


Seguiu-se a coordenação de 2006 a 2009 com a equipa eclesial Vera+João Milhano com o Padre Horácio Noronha e de 2009 a 2012 o casal São+Eugénio Alves formou a equipa eclesial com o Padre Carlos Rosmaninho.


De 2012 até Setembro de 2015 o casal São+José Oliveira com o Padre Luís Ferreira têm formado a equipa eclesial da Região Sul.


Ao longo de todos estes anos foram cerca de 650 casais, sacerdotes e religiosas que viveram o FDS original e que continuaram a caminhar, dando testemunho da sua vida de relação um com o outro, com os outros e com Deus.


Realizaram-se 28 FDS originais na Casa de Santa Rafaela Maria e no Seminário de Almada, vários encontros de Comunidade e de oração, celebração de Natal, de Páscoa, da Epifania, da Família. Esses encontros tiveram sempre a partilha de um casal e de um sacerdote sobre um tema relacionado com a sua relação de casal com suporte no texto Bíblico e terminaram com a Eucaristia.


Realizaram-se várias acções de formação para casais animadores dos grupos de Caminhada e para preparação das reuniões dos grupos de células vivas.


A abertura das actividades e o encerramento foram, também, encontros de toda a Comunidade, assim como o envio dos casais coordenadores de zona e de região.



Todos os anos a Comunidade Encontro Matrimonial da Diocese participa na Peregrinação Nacional do EM a Fátima.



De 19 a 21 de Janeiro de 2007 realizou-se a comemoração do 25º Aniversário do Movimento em Portugal, na Quinta Porto da Ramagem em Coina, Barreiro. Cerca de 350 casais, sacerdotes e religiosas participaram cheios de alegria, amor e espírito de serviço, nesta celebração, vindos de todo o país, de Espanha e de Paris.

 



O nosso Bispo D. Gilberto esteve presente e saudou o nosso movimento, que procurou, nesta celebração das bodas de prata, novas formas de «Sonhar para viver», de acordo com os carismas do movimento: acolhimento, conversão, reencontro com o seu próprio sonho e experiência de Igreja.



Participar no EM, segundo D. Gilberto, é uma «nova força para crescer no amor e ir ao encontro dos outros casais».



A mesma opinião foi partilhada pelo casal Graciete e Eduardo Bué ligado ao EM desde o primeiro FDS deste movimento, em Portugal. A Graciete afirmou que «deste encontro podemos tirar várias coisas, mas uma delas, e se calhar a mais importante, é o reforço que nós daqui levamos, a força renovada para continuarmos todos os dias da nossa vida a acreditar que podemos sonhar e continuarmos cada dia a ter novos projectos». Para o Eduardo o grande desafio que se coloca aos casais é «definirem ou redefinirem as suas prioridades enquanto casal e enquanto família». Também para o Padre Joaquim Teixeira um dos aspectos mais importantes do EM é «integrar estas três vocações – matrimonial, sacerdotal e religiosa – como vocação de relação».




Através das 3 vias reais de presença; diálogo, ternura e oração, este movimento dá Testemunho do Amor, no Casal, na Família, na Comunidade, com a visão de Jesus “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei







Abril 2015