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terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
UM PROCESSO DE CONVERSÃO NA DIOCESE DE SETÚBAL
Não consigo indicar uma data, nem tão pouco um ano em que se
tenha verificado o início da minha conversão, ou dizendo melhor, o início dos
meus “contatos com Cristo”.
Mas para facilidade de descrição vou apontar para o ano de
1961, terá sido por volta deste ano que a minha avó materna, católica empenhada
e convicta, procurou batizar-me.
Correu todas as igrejas da região de Almada, comigo e com a
minha mãe, a falar com os sacerdotes para que algum se dispusesse a batizar-me,
mesmo sem autorização do meu pai.
O meu pai não deixava
que me batizasse porque era de opinião que o batismo é um acto de muita
responsabilidade e eu ainda com 4, ou 5 anos não tinha condições para assumir
essa responsabilidade, ele próprio não estava disponível para fazer esse
acompanhamento, nem reconhecia nos padrinhos, propostos, essa capacidade.
Como não conseguiu em Almada, nenhum padre, disponível para
tal, então fomos para Lisboa tentar a “sorte” também não conseguiu.
Entretanto foi-me ensinando as orações (Pai Nosso, Avé Maria
e Glória) ou seja o Terço. Também me foi apresentando Cristo como o meu melhor
amigo, alguém sempre disposto a ajudar-me e a proteger--me.
Este terá sido o meu primeiro contacto com a religião
católica e com Jesus Cristo.
Depois já no liceu D. João de Castro, secção de Almada,
voltei a contatar com a Religião Católica através de aulas de religião e moral,
cujo professor era o Pe. Sobral, deixei de o ver antes do final do ano letivo
porque a PIDE foi lá buscá-lo ao liceu, estava justamente a ter aula com ele.
Isto terá sido em 1966 /1967.
Só voltei a contatar com a Igreja já com 25 anos de idade,
em 1982, quando necessitei de tratar das coisas para o meu casamento.
A minha mãe e a mãe da minha mulher gostavam que o casamento
se realizasse na igreja.
Então surge a questão de eu não ser batizado, como fazer?
Fui falar com o Pe. Ricardo Gameiro, na Cova da Piedade,
onde ia morar depois de casar.
Pus-lhe a questão “será que tenho de me batizar só por causa
de puder casar? Ou quando me batizar que seja por verdadeira convicção?”
entretanto contei-lhe também as peripécias com a minha avó materna.
Lembro-me do Pe. Ricardo olhar para mim, como que a avaliar
a situação, depois de refletir um pouco diz-me “… talvez se encontre uma outra
solução, vou verificar isso depois digo alguma coisa.”
Passados uns dias, talvez duas ou três semanas, recebi um
contacto da igreja da Piedade para ir falar com o Pe. Ricardo. Fui e ele tinha
encontrado uma solução, uma escusa do Bispo D. Manuel Martins.
Mas o sr. Bispo queria um compromisso meu em como não
impediria as minhas filhas de serem batizadas e de seguirem a religião
católica.
Assumi esse compromisso por escrito, numa carta que enviei e
mais tarde quando as filhas nasceram preocupei-me em batizá-las e quando
tiveram idade inscrevi-as e levei-as à catequese.
Entretanto eu continuava sem ser batizado.
A minha avó morreu e no ano seguinte a sr. Bispo D. Manuel
Martins jubila-se e é substituído pelo atual Bispo, D. Gilberto Canavarro dos Reis.
No ano de 2001, em Outubro, por uma série de acontecimentos
repentinos e por intervenção da minha mulher resolvi (em poucas horas) procurar
o batismo falei com o Pe. António de Sousa Oliveira, na paróquia do Feijó, que
aceitou fazer ele mesmo a minha preparação para o batismo e para o crisma.
No dia 30 de Maio de 2002 fui finalmente batizado.
Daí em diante foi toda uma caminhada em Igreja, até porque
como eu disse ao Pe. António “… ser batizado não pode ser só vir à missa ao
domingo … preciso de um curso para aprender a ser cristão …” o Pe. António
falou-me nos cursilhos de cristandade e em Março de 2004 fui viver essa
magnifica experiência de Cristo vivo. Daí em diante tem sido uma autêntica
“correria” para Cristo.
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
Oração de D. Gilberto para os 40 anos da Diocese: leitura e interpretação teológico-pastoral
Pai Santo,
Somos a Igreja de Setúbal
que reúnes e animas
pelos braços do Teu Filho e do
Espírito Santo
e que quer celebrar quarenta anos
de Diocese.
= Somos a Igreja de Setúbal
À boa
maneira paulina, se
refere que a Igreja está, vive e faz-se num contexto
sócio/geográfico muito
concreto. Aqui se refere a realidade diocesana, onde cada um se
sente parte dos
outros que consigo caminham, sofrem, alegram-se, vivendo a graça
do perdão e da
comunidade.
As paróquias
só têm
sentido se estiverem em comunhão com a Diocese.
= Que reúnes e animas...
A ‘Igreja’ é
a reunião
dos irmãos, cuja expressão máxima se exprime na eucaristia.
Reunião e animação
que não dependem só dos fatores humanos nem dos ingredientes
sociais.
= Pelos braços do Teu Filho e do
Espírito Santo
Na linguagem
dos padres
da Igreja, nós somos ‘um povo unido pela unidade do Pai e do
Filho no Espírito
Santo’ (cfr. LG 4). Deste modo a Igreja é o ícone da Santíssima
Trindade, onde
o Pai e o Filho e o Espírito santo constroem e animam a vida dos
cristãos e a
comunhão das instituições.
= Que quer celebrar 40 anos de
Diocese
Somos uma
Igreja no
espaço e no tempo, com história e com memória...no passado e com
presente!
Pai santo,
nesta hora feliz, damos-te graças
por tantas pessoas, instituições
e acontecimentos,
que são sinais do Teu amor por
nós.
= Pai santo, nesta hora feliz,
damos-te graças
A celebração
dos 40 anos
da Diocese de Setúbal é um momento de felicidade de índole
espiritual e motivo
de ação de graças… sendo a eucaristia uma dos expoentes máximos
dessa vivência
de gratuidade e de agradecimento pela ação da graça de Deus
nesta porção do
povo de Deus.
= Por tantas pessoas,
instituições e acontecimentos
Eis uma
pequena (mas
significativa) lista de motivos para esta ação de graças, como
diocese: as
pessoas que habitam entre o Tejo e o Sado que se esforçam por
fazerem parte
desta Igreja; as instituições tanto de natureza civil como
eclesial ou mesmo
associativas e imensos acontecimentos que decorreram nestes 40
anos, tantos
agradáveis como difíceis… tudo faz parte da vida e fez caminho
de vida nesta e
para esta Igreja.
= Que são sinais do teu amor por
nós
Eis uma
leitura urgente a
fazer: ver tudo como sinal de Deus, nada é desperdiçado nem
ninguém é excluído
da nossa história pessoal e familiar, social e eclesial. Se
tivéssemos, assim,
uma visão de fé, pela esperança e na caridade tudo seria bem
interpretado em
Deus… para louvor d’Aquele para Quem tudo concorre para o bem
daqueles que O
amam!
E pedimos-te
a paixão pela santidade,
a fé viva alimentada pela Palavra
e pela
Eucaristia
e um coração acolhedor de todos,
sobretudo dos
pobres.
= Pedimos-te a paixão pela
santidade
Iniciamos
uma série de
‘pedidos’ (intercessões e petições) para todos como Igreja e não
meramente para
cada um de forma isolada. Somos um corpo de Cristo santificado
pelo poder do
Espírito Santo. É, por isso, que solicitamos ao Pai que derrame
o seu Espírito
de santidade em nós, como diz o concílio Vaticano II, ‘santa
Igreja dos
pecadores’ (LG 48), isto é santa na sua natureza embora pecadora
nos seus
membros.
Mais do que
uma qualidade
da Igreja, a santidade que suplicamos é uma condição de
afirmação dos cristãos
no mundo: santos embora sujeitos à condição terrena de tentados
e de pecadores.
Temos de
assumir a
‘paixão pela santidade’ e isso fará de cada um de nós e de todos
nós um povo
marcado pela unção da santidade na vida de cada dia.
= A fé viva alimentada pela
Palavra…
O cristão
alimenta-se do
‘pão da vida’ seja na Palavra de Deus, revelada na Sagrada
Escritura, seja pelo
anúncio evangelizador da mesma Palavra na Igreja. Precisamos de
ultrapassar o
défice de conhecimentos da Bíblia, lendo, escutando, meditando e
rezando a
Mensagem da salvação que nos é comunicada na Palavra de Deus
escrita e na
Tradição. Não podemos continuar a ser ignorantes daquilo que
Deus nos diz na
Sua Palavra.
Em cada
idade temos de
acertar com o ritmo da nossa consciencialização humana e a
aferição do nosso viver
com a Palavra de Deus viva e eficaz… Certamente já crescemos
muito, mas ainda
nos falta muito mais.
= … e pela Eucaristia
À boa
maneira dos
primeiros cristãos precisamos, hoje, de dizer e viver: não
podemos viver sem a
eucaristia, sobretudo dominical. Os dados de afastamento da
prática da
eucaristia de domingo são preocupantes: seremos cerca de 4% em
relação à
população residente na área da diocese – 31.413 praticantes em
779.373
habitantes…
A chama do
encontro com
Cristo está muito fragilizada e, por isso, com muita facilidade
se deixa ou
abandona a missa de domingo… De fato, há mais igrejas, nestes 40
anos de
diocese, mas os praticantes não cresceram tanto quanto era
suposto… Há muita
coisa a corrigir com verdade e humildade, dando testemunho da
celebração da
missa dominical, que dá sabor e alegria à nossa vida.
= Um coração acolhedor de todos…
Numa igreja
minoritária
há que mudar de estratégias, pois quem chega precisa de ser
acolhido.
Falta-nos. Normalmente, um serviço de acolhimento – desde a sua
expressão mais
simplista até à mais delicada – de quem nos procura, inserido
numa visão de
saber receber, aprender a escutar, ter tempo para explicar,
incluir e enquadrar
quem chega… Mais do que um cliente, esse/a que nos procura é um
irmão ou uma
irmã em quem Cristo está presente… seja conhecido ou
desconhecido!
= … sobretudo dos pobres
Estes são os
mais
frágeis, os vulneráveis, os desempregados, as vítimas dos
vícios, do desprezo…
sem comida, sem casa (ou com a renda em atraso), sem água nem
eletricidade…
Esse pobre tem de ser acolhido com coração compassivo e
misericordioso, não
atendendo a quem é, mas a Quem ele represente, Jesus pobre e
necessitado.
Pedimos-te
a graça de crescer como
comunidade,
onde cada um se sinta amado
e se torne pedra viva e lugar de
acolhimento.
= A graça de crescer como
comunidade
Desde logo
vale a pena
ver a composição desta palavra: comum – unidade, isto é,
tentarmos viver na
comum unidade de irmãos na mesma fé a partir do mesmo Cristo em
Igreja… Embora
se possa dizer muito esta palavra, ela é, antes de tudo, uma
dinâmica que se
alicerça num coração convertido a Jesus e aos outros. Pois, os
outros são a
nossa componente de caminhada para crescermos – claro com
atritos e diferenças
– e não para nos ofendermos ou melindrarmos…
‘Crescer’
implica vida e
dificuldade e, por vezes, esse crescimento traz crises, tendo em
conta a
etimologia desta palavra: momento de decisão, faculdade de
distinguir, decisão…
Todos nós temos de passar por crises de crescimento – na idade,
na personalidade,
na maturidade – e, se acontece nas pessoas, também acontecerá na
convivência
com outros.
Temos
consciência de
crescer como comunidade? Ou será que vivemos num certo ambiente
tão pacato que
mais parece um cemitério?
Crescer como
comunidade
implica conversão contínua e humilde… e precisamos de pedi-lo a
Deus.
= Onde cada um se sinta amado
Ninguém se
sente bem,
seja onde for ou com quem for, se não se sentir amado, que é
muito mais do que
tolerado ou aturado… Ora, nós pedimos que, em comunidade, vamos
crescendo em
atitude de estima e acolhimento e ainda onde cada pessoa seja
vista como é e
não a partir dos adereços sociais, de instrução ou até de
pretensão.
O desafio é
alto e
urgente, mas as etapas estão-nos acessíveis e à nossa
disposição: à semelhança de
Jesus temos de amar e de ser amados, ou como tem dito o Papa
Francisco: cuidar
e deixar-se cuidar… aprendendo a perdoar os erros e falhas dos
outros para
sermos também nós perdoados pelos outros, sobretudo pelos que
nos conhecem (ou
vão conhecendo) melhor.
= E se torne pedra viva…
Ser pedra
viva do templo
do Senhor, que é Igreja, é estar consciente da sua vocação e
missão na Igreja e
mesmo no mundo, pois só assim nos sentimos parte uns dos outros
e criadores de
comunhão à nossa volta. Não pode haver cristãos-sanguessuga,
isto é que vivem à
custa dos outros, nada fazem e quase tudo e todos criticam.
Temos de descobrir
e exercer os carismas que Deus nos concedeu para o crescimento
da
comunidade-Igreja.
=… e lugar de acolhimento
Tendo sido
acolhido,
agora se reveste a mesma atitude: mais do que retribuir o que
nos deram,
devemos estar de coração aberto para acolher como Jesus. As
figuras do
samaritano (Lc 10,29-37) e da samaritana (Jo 4,1-42) podem
servir-nos de
modelos para viver este exercício contínuo de acolhimento: como
cuidado pelos
mais frágeis e como anunciadores do encontro com Jesus, que nos
mudou a nossa
vida.
Pedimos-te
que, guiados pelo Espírito de
Jesus,
sejamos ‘Igreja em saída’
a anunciar a todos a alegria do
Evangelho.
= Guiados pelo Espírito de Jesus
Ungidos,
somos enviados.
Com efeito, o evangelho está contido entre duas palavras de
Jesus: ‘vinde’ e
‘ide’… vinde após Mim e farei de vós pescadores de homens…E Eu
envio!
Novamente
pedimos ao Pai
que, por Jesus, vivamos a dinâmica do envio, isto é, da missão.
Não podemos ser
cristãos só do templo, pois poderemos ser encurralados na
sacristia, mas,
partir da celebração da eucaristia, partimos para a missão. Nas
palavras do
Papa João Paulo II: da missa para a missão, isto é, a missa
começa quando acaba
a celebra-ção da eucaristia, esta faz-se presença e testemunho.
Quem nos faz
viver isso é o Espírito de Jesus, esse mesmo que O conduziu na
sua vida pública
de anúncio do Reino messiânico.
= Sejamos ‘Igreja em saída’
Esta
expressão tem sido
muito difundida pelo Papa Francisco. Diz-se na ‘Alegria do
Evangelho’ : «Na
Palavra de Deus, aparece constantemente este dinamismo de
‘saída’, que Deus
quer provocar nos crentes (…) Que a pastoral ordinária em todas
as suas
instâncias seja comunicativa e aberta, que coloque os agentes
pastorais em
atitude constante de ‘saída’ e, assim, favoreça a resposta
positiva de todos
aqueles a quem Jesus oferece a sua amizade» (EG 20.27).
Desta forma
estar em
saída faz com que deixemos as amarras de segurança rotineira e
as certezas duma
fé cristalizada, para podermos entrar na aventura de novos
horizontes e
diferentes campos de intervenção… sem o cheiro a cera ou a
pescar no aquário.
= A anunciar a todos a alegria do
Evangelho
Este pedido
é muito mais
do que entender o que o Papa nos diz na exortação que nos faz
ler e meditar com
o mesmo nome. Este pedido é fazer com que o Evangelho seja isso
que significa:
boa nova para todos… sem anátemas nem excomunhões, tanto para
fora como para
dentro do espaço eclesial.
Há tantos
campos e
esferas de intervenção que só pela alegria d Evangelho poderemos
penetrar com
confiança e verdade. Como dizia recentemente o Papa: ‘nunca um
santo teve uma
cara de enterro. Os santos sempre tiveram o rosto da alegria,
ou, pelo menos, o
rosto da paz’!
Pedimos-te, com Maria,
um coração orante e tão cheio do
teu amor
que encha de alegria as pessoas
que encontramos.
Ámen.
= Pedimos-te com Maria
À boa
maneira das mais
recentes intervenções dos Papas, o nosso Bispo coloca, o final
desta oração,
aos cuidados de Nossa Senhora. Com efeito, Ela é a mãe, a
protetora e a
intercessora da nossa caminhada em Igreja e como Igreja
diocesana, as famílias
e as pessoas… tanto as crentes como todas as outras que vivem
neste espaço
diocesano.
= Um coração orante…
Depois de
pedirmos um
coração santo, um coração acolhedor e um coração ungido pelo
Espírito Santo,
queremos viver tudo isto com um coração orante, isto é, que vê,
acolhe, aceita
e contempla a presença de Deus nas coisas, nos acontecimentos,
nas pessoas e na
história… Rezamos com tudo e rezamos por tudo o que nos
acontece.
= …e tão cheio do teu amor
É Deus quem
preenche as
nossas lacunas e infidelidades pela fidelidade Maria, com Ela,
por Ela e n’Ela.
A cheia de graça derrama sobre nós as graças e bênçãos divinas,
hoje e para
sempre.
= Que encha de alegria as pessoas
que encontramos
Do trono da
graça – que é
por excelência Jesus e por participação especial Nossa Senhora –
se derramam as
bênçãos do Céu sobre a Terra, como lugar de provação, de anúncio
e de
testemunho. A paz e a alegria se derramem na nossa vida e
através de nós, como
portadores da bênção, se irradiem onde quer que se encontre um
cristão.
Amen!
António Sílvio Couto
(10.janeiro.2015)
sábado, 8 de novembro de 2014
Memória dos Diáconos e Presbíteros já falecidos
Memória dos Diáconos
e Presbíteros já falecidos que serviram a Igreja Diocesana de Setúbal, desde a
criação da Diocese (1975)
“Os Apóstolos nunca
mais esqueceram o momento em que Jesus lhes tocou o coração: «Eram quatro horas
da tarde» (Jo 1, 39)” (Papa Francisco, EG, 13)
No passado
dia 6 de Novembro– mês das “almas”, em que somos convidados a fazer memória
daqueles que nos precederam na fé implorando para eles a plenitude da vida do
Céu – foi feito o sufrágio dos padres e diáconos que serviram a diocese de
Setúbal, na Sé e nas Paróquias.
Eles foram –
serão sempre – padres e diáconos chamados por Cristo, por meio da Igreja, que
viveram, amaram, serviram, em nome de Jesus, como cooperadores do ministério
apostólico, a Igreja de Setúbal.
Terminaram
já a sua “função” de serviço. Dizemos deles que são “defuntos”. Continuam,
porém, vivos em Deus e na nossa memória, como testemunhas da fé e do serviço ao
Evangelho.
Neste ano,
em que nos preparamos para a celebração dos 40 anos da criação da nossa
Diocese, esta memória/sufrágio adquire um especial significado. A Igreja, por
vontade de Cristo, não pode existir sem este ministério, pelo Ele se faz
presente na Sua Igreja e a santifica. Lembramos especiais testemunhas da fé,
não só vivida, mas também comunicada através do ministério ordenado, nos
sacramentos, na pregação e na edificação da comunidade.
Fazemos
deles uma memória agradecida a Deus pelo dom das suas vidas e do seu
ministério, de que tantos e tanto beneficiaram. É a memória que fazemos de
irmãos que escutaram o chamamento de Cristo que lhes tocou o coração, tal como
aos primeiros discípulos. Memória que nos toca também a nós – padres, diáconos,
religiosos, religiosas, fiéis leigos – para que, volvidos quase 40 anos sobre o
momento inicial da nossa Diocese de Setúbal, renovemos com redobrado vigor o
encanto, a alegria, a disponibilidade de, como discípulos missionários,
servirmos Cristo, a Igreja, o Evangelho.
É a memória
a que o Papa Francisco chama “deuteronómica”: uma memória agradecida e
estimuladora de novo fôlego na fé e na missão, porque que nos faz presente uma
«nuvem de testemunhas» (Heb 12, 1)” (cf. EG 13).
Quem são aqueles de quem, no dia 6, iremos
fazer memória e sufrágio?
São dois
diáconos permanentes, dos primeiros ordenados em Portugal após o Concílio
Vaticano II: António Godinho e Inácio Silva.
São os dois
primeiros vigários gerais: Padres Manuel Marques e Alfredo Brito.
São padres
diocesanos a quem estavam confiadas paróquias em 1975: Agostinho Gomes (Castelo
de Sesimbra); António Sobral (Barreiro); Jaime da Silva (Almada); José
Gonçalves (Alcochete e Samouco); Manuel Frango (Azeitão); Manuel Gonçalves
(Montijo); Mário Lopes (Costa da Caparica e Trafaria); Ricardo Lopes (Cova da
Piedade). E também o P. João da Cruz, vindo de Lamego e que foi incardinado em
Setúbal.
São padres
de Institutos Religiosos: Capuchinhos (Alípio Quelhas, Daniel Ferreira, Manuel
Belo); Jesuítas (Amadeu Pinto, Duarte Teixeira, Honório Santos, José dos
Santos, Norberto Lino, Norberto Martins, Roberto Sequeira); Claretianos
(Américo Faria, José Gonçalves, José Seixas, Manuel Leal); Scalabrinianos
(Antonio Benetti, Attilio Barichello, Giuseppe Magrin, Luigi Tacconi, Luigi
Vaghini); Filhos da Caridade (Joseph Poiron); Franciscanos (João Magalhães).
São padres
diocesanos de outras dioceses: Camilo Martins, José Esteves e Júlio Nogueira,
de Évora; Joaquim Sampaio, do Porto.
Estimulados por esta “nuvem de testemunhas”, somos a Igreja de Setúbal
que, com Maria, se ALEGRA e EVANGELIZA!
sábado, 1 de novembro de 2014
Memória deuteronómica
«Deste modo o autor da Carta aos Hebreus chama a estar atentos aos
que anunciaram o Evangelho e que já se foram... pede-nos para
que recordemos a partir da fecundidade do que semearam entre nós. Pede-nos
para que recordemos com a memória do coração, a memória deuteronómica que
constrói sobre a rocha, que plasma vidas e marca corações.»
«“Lembrai-vos dos vossos dirigentes, que vos anunciaram
a palavra de Deus. Considerai como terminou a vida deles, e imitai-lhes a fé”
(Hb 13, 7). Deste modo o autor da Carta aos Hebreus chama a estar atentos aos
que anunciaram o Evangelho e que já se foram. Pede-nos para lembrá-los, mas não
daquele modo formal e, às vezes, comiserador, que nos faz dizer “quanto era
bom!”, uma frase que ouvimos com frequência nos cemitérios. Este tipo de
memória é uma simples recordação de formalidade social. Ao invés, pede-nos para
que recordemos a partir da fecundidade do que semearam entre nós. Pede-nos
para que recordemos com a memória do coração, a memória deuteronómica que
constrói sobre a rocha, que plasma vidas e marca corações. Sim, o nosso coração
se edifica sobre a memória daqueles homens e daquelas mulheres que nos
aproximaram das fontes de vida e de esperança à qual poderão chegar também os
que nos seguirem. É a memória da herança recebida, que por nossa vez, devemos
transmitir aos nossos filhos.
Então, com essa memória, recordamos (os que já
partiram) e perguntamo-nos: o que nos deixou cada um? Quais são as suas marcas
que encontramos no caminho da nossa vida?
...
Agradeçamos a Deus nosso Senhor por tê-los conhecido.
São dirigidas também a cada um de nós as palavras “considerai como terminou a
vida deles, e imitai-lhes a fé” da Carta aos Hebreus.»
Buenos
Aires, 6 de maio de 2012
Cardeal Jorge Bergoglio (atual Papa Francisco)
Cardeal Jorge Bergoglio (atual Papa Francisco)
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