Mostrar mensagens com a etiqueta MCC. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta MCC. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

UM PROCESSO DE CONVERSÃO NA DIOCESE DE SETÚBAL


 

Não consigo indicar uma data, nem tão pouco um ano em que se tenha verificado o início da minha conversão, ou dizendo melhor, o início dos meus “contatos com Cristo”.



Mas para facilidade de descrição vou apontar para o ano de 1961, terá sido por volta deste ano que a minha avó materna, católica empenhada e convicta, procurou batizar-me.

Correu todas as igrejas da região de Almada, comigo e com a minha mãe, a falar com os sacerdotes para que algum se dispusesse a batizar-me, mesmo sem autorização do meu pai.

 O meu pai não deixava que me batizasse porque era de opinião que o batismo é um acto de muita responsabilidade e eu ainda com 4, ou 5 anos não tinha condições para assumir essa responsabilidade, ele próprio não estava disponível para fazer esse acompanhamento, nem reconhecia nos padrinhos, propostos, essa capacidade.

Como não conseguiu em Almada, nenhum padre, disponível para tal, então fomos para Lisboa tentar a “sorte” também não conseguiu.

Entretanto foi-me ensinando as orações (Pai Nosso, Avé Maria e Glória) ou seja o Terço. Também me foi apresentando Cristo como o meu melhor amigo, alguém sempre disposto a ajudar-me e a proteger--me.

Este terá sido o meu primeiro contacto com a religião católica e com Jesus Cristo.

Depois já no liceu D. João de Castro, secção de Almada, voltei a contatar com a Religião Católica através de aulas de religião e moral, cujo professor era o Pe. Sobral, deixei de o ver antes do final do ano letivo porque a PIDE foi lá buscá-lo ao liceu, estava justamente a ter aula com ele. Isto terá sido em 1966 /1967.

Só voltei a contatar com a Igreja já com 25 anos de idade, em 1982, quando necessitei de tratar das coisas para o meu casamento.

A minha mãe e a mãe da minha mulher gostavam que o casamento se realizasse na igreja.

Então surge a questão de eu não ser batizado, como fazer?

Fui falar com o Pe. Ricardo Gameiro, na Cova da Piedade, onde ia morar depois de casar.

Pus-lhe a questão “será que tenho de me batizar só por causa de puder casar? Ou quando me batizar que seja por verdadeira convicção?” entretanto contei-lhe também as peripécias com a minha avó materna.

Lembro-me do Pe. Ricardo olhar para mim, como que a avaliar a situação, depois de refletir um pouco diz-me “… talvez se encontre uma outra solução, vou verificar isso depois digo alguma coisa.”

Passados uns dias, talvez duas ou três semanas, recebi um contacto da igreja da Piedade para ir falar com o Pe. Ricardo. Fui e ele tinha encontrado uma solução, uma escusa do Bispo D. Manuel Martins.

Mas o sr. Bispo queria um compromisso meu em como não impediria as minhas filhas de serem batizadas e de seguirem a religião católica.

Assumi esse compromisso por escrito, numa carta que enviei e mais tarde quando as filhas nasceram preocupei-me em batizá-las e quando tiveram idade inscrevi-as e levei-as à catequese.

Entretanto eu continuava sem ser batizado.

A minha avó morreu e no ano seguinte a sr. Bispo D. Manuel Martins jubila-se e é substituído pelo atual Bispo, D. Gilberto Canavarro dos Reis.

No ano de 2001, em Outubro, por uma série de acontecimentos repentinos e por intervenção da minha mulher resolvi (em poucas horas) procurar o batismo falei com o Pe. António de Sousa Oliveira, na paróquia do Feijó, que aceitou fazer ele mesmo a minha preparação para o batismo e para o crisma.

No dia 30 de Maio de 2002 fui finalmente batizado.

Daí em diante foi toda uma caminhada em Igreja, até porque como eu disse ao Pe. António “… ser batizado não pode ser só vir à missa ao domingo … preciso de um curso para aprender a ser cristão …” o Pe. António falou-me nos cursilhos de cristandade e em Março de 2004 fui viver essa magnifica experiência de Cristo vivo. Daí em diante tem sido uma autêntica “correria” para Cristo.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Carmita Fortuna:



«Senhor, que eu não gaste inutilmente o tempo que me dás. Que saiba viver uma Vida cheia de Amor. Que eu saiba cumprir a Vontade do Pai e serei feliz, feliz!»


Cármen Antunes de Matos Fortuna, Carmita, nasceu em Quinta do Anjo, (Portugal), no dia 14 de Julho de 1937, no seio de uma família católica com poucos recursos económicos. Foi a décima primeira de 12 irmãos.
Aos 19 anos Carmita decidiu seguir o seu sonho, de se tornar uma "'mãe de família" para crianças que tinham sido abandonadas.
Em Maio de 1959, com apenas 21 anos, adotou o primeiro "filho", tinha apenas 20 dias e estava condenado a morrer de fome devido a falta de cuidados por parte da mãe, que era deficiente mental. Esta decisão da Carmita não for muito bem vista pelos que com ela conviviam, pois consideravam-na muito nova para assumir tamanha responsabilidade. Aquando da adoção da segunda "filha" com 7 anos, a Francelina, a reação geral já foi mais moderada, todavia, muitos não compreendiam como é que alguém era capaz de dedicar toda a sua vida a crianças que ninguém desejava. A adoção da terceira criança, a Gracinha, com apenas 15 meses, ainda não andava devido à fome qua sempre passara, foi um escândalo. Viu-se obrigada a abandonar o curso do Magistério e o seu emprego, no Sanatório do Outão, onde era secretaria. Algum tempo mais tarde, recebeu mais três irmãos (dois rapazes e urna rapariga) tinham 1, 6 e 10 anos respetivamente. No total, Carmita acolheu 6 crianças.
Foi internada no Instituto Português de Oncologia (IPO), pela primeira vês aos 22 anos, sendo-lhe diagnosticado cancro da mama. Era considerada um "Anjo Bom" para muitos que como ela se encontravam internados no IPO e graças ao seu singular poder de comunicabilidade e de estabelecer amizades, foi um verdadeiro exemplo de fé e perseverança, para muitos que estavam confinados a vaguear pelos corredores do IPO sem qualquer réstia de esperança. Soube transformar a sua vida num exercício constante de apostolado na escola, no emprego, junto dos amigos, na vizinhança, no hospital, em toda a parte; pela palavra, pela amizade, pelo amor...
Também se comprometeu em vários movimentos apostólicos organizados, como, a J.A.C.F (Juventude Agrária Católica Feminina) a nos Cursilhos de Cristandade; a todos marcou profundamente, não só pela sua fé, mas sobretudo pela sua coragem e audácia. Nunca se "entregou" à doença e manteve toda a sua vivacidade e entusiasmo contagiantes até aos últimos dias que permaneceu na terra.
A 14 de Maio de 1980, voltou para junto do Pai, deixando em todos os que com ela conviveram uma lição e um exemplo inestimável do valor do Amor e do viver para os outros.


 Testemunho de Mário da Silva Moura

Comecei a trabalhar no serviço de urgência do Hospital do Espírito Santo em 1953.
Atendia a qualquer hora as muitas pessoas que necessitavam de assistência para si ou para familiares, de noite ou de dia.
Uma ou duas vezes atendi uma jovem mãe com um qualquer problema num filho que trazia ao colo, mas despertou-me a atenção que das duas vezes a criança não era a mesma.
Muito atento aos problemas de relacionamento com os pacientes e a sua maneira de actuar, verifiquei que aquela mãe era duma ternura extrema para com os seus filhos apesar da sua franzina juventude.
O tempo ia passando e esta presença repetiu-se mais algumas vezes pelo que resolvi indagar de quem se tratava. Disseram-me então, para meu espanto, que era uma menina da Quinta do Anjo que deixara a sua própria profissão para acolher crianças abandonadas ou filhas de pais sem condições para as criar (prostitutas, alcoólicos, etc.).
Eu era ateu nessa altura e estava muito atento a actos de caridade que me apareciam no meu dia-a-dia - a bondade e o amor eram para mim algo de muito importante e tocavam-me no coração de maneira especial.
Estas presenças da Cármen Fortuna no banco do hospital foram alguns dos factos que mais contribuíram para vencer os meus problemas com Deus.
Assim comecei a ouvir falar e a conhecer a Carmita, como era conhecida, impressionado com a sua capacidade de entrega aos outros e mais impressionado ainda com toda a sua história de vida e a amorosidade que irradiava.
Fui também sabendo que pertencia a uma família de excepcionais características de preocupação com os outros e de vida cristã irrepreensível.
                                                        **
Ao fim de alguns anos com o acumular de testemunhos com este e após um Curso de Cristandade, acabei mesmo por aceitar que Deus residia nos nossos corações e que Jesus Cristo fora a Sua incarnação e continuava connosco.
E eram exemplos como o da Cármen Fortuna que davam corpo a esta verdade.
E de novo vim a contactar, agora com mais assiduidade e com outros olhos, com a Carmita que também acabou por frequentar um Cursilho na sua ânsia de entrega aos outros vindo a ser Reitora de cursos. Relembro como se apresentava nas reuniões como “mãe solteira, com seis filhos, um de cada pai!”, deixando toda a gente atónita até entender o que esta apresentação continha de substancia caritativa e de presença do Deus vivo!
Recordo também com encarou uma doença grave que a atingiu, como impressionava as pessoas com a sua aceitação do sofrimento (a sua Cruz!) e como animava as pessoas com quem convivia, até nos tempos do seu internamento hospitalar onde a sua acção apostólica ficou notabilizada – um testemunho exemplar, digno duma verdadeira santa!
A todos os que com ela conviviam era contagiante esta ternura, este espírito de entrega, esta alegria de viver, esta aceitação do sofrimento em oblação de si própria pelo bem dos outros, neste mundo tão cheio de miséria e de egoísmo.
Até aos seus últimos momentos, com sofrimento, se manteve fiel à sua Fé e à sua doação – o velório do seu corpo e o seu funeral foram verdadeiras homenagens a ela e ao Deus que a animava e sempre lhe orientou os seus passos. Foi uma manifestação de Fé extraordinária que impressionou e comoveu todos os que participaram em tal cerimónia fúnebre, cheia de cânticos, de alegria, ao som da leitura de versos escritos pela Carmita.
Um ambiente daqueles só foi possível porque o Espírito Santo pairava sobre aquela verdadeira santa.
                                                  **
Tomei depois conhecimento mais pormenorizado sobre a sua forma de vida e sobre a sua maneira de ser através dum livro escrito por um dos seus irmãos.
Mas o que escrevi acima é que é o meu verdadeiro testemunho, saído do meu coração, sobre a Carmita.
Entendo que já se devia ter tomado a iniciativa de abrir um processo de beatificação de Cármen de Matos Fortuna – a nossa Igreja necessita de santos verdadeiros que deram sempre testemunho do Amor aos outros em todas as circunstâncias da vida, indo como Cristo até a entrega da própria vida.


Fonte: carmita.org