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sexta-feira, 17 de julho de 2015
quinta-feira, 16 de julho de 2015
AS MÃOS DO SACERDOTE
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| D. Isaura, colaboradora da Casa do Gaiato de Setúbal, que faleceu no passado mês de Maio. |
Muitas
vezes me têm pedido para contar como e porquê entrei para a Casa do Gaiato, e
para a Casa do Gaiato de Setúbal, já que vivia próximo da Casa do Gaiato de
Miranda do Corvo.
«Porque escolhestes o Gaiato e a Casa
de Setúbal?»
Depois
da morte do meu Pai fui viver para Miranda aos cuidados de uma família amiga e
na sua companhia frequentava a Casa do Gaiato, ia lá a várias celebrações.
Depois
do falecimento de Pai Américo, estaria eu entre os dez ou doze anos, fui lá a
uma Missa Nova. O movimento e alegria dos rapazes nos preparativos e a própria
celebração foram lindos! Lembro-me de andar no meio dos apertões para beijar as
mãos do sacerdote... Não foi fácil... de repente senti que fui puxada... o sacerdote
tinha reparado na
dificuldade de uma menina franzina. Aconchegou-me a ele, fez-me carícias na
cabeça e na face, beijou-me e deu-me as suas mãos a beijar. Aquele gesto do
Sacerdote nunca mais foi esquecido na minha vida! Muitas vezes procurava e
esperava encontrá-lo, mas nunca mais o vi.
Mais
tarde, quando tinha 17 anos, vim a uma Missa Nova a Vila Seca, minha paróquia
de origem. Num determinado momento do sermão, o novo padre fez um apelo às
raparigas cristãs para que nas suas orações pedissem a Deus, que ao casarem lhes
concedesse um filho sacerdote ou ainda que através da oração
"adoptassem" um sacerdote que conhecessem ou algum que tivesse
maiores dificuldades. De imediato pensei naquele Sacerdote da minha infância,
talvez um dia viesse a reencontrá-lo e conhecê-lo.
Começou
a minha juventude integrei-me em diversos grupos e actividades culturais e de
apostolado, na paróquia de Miranda e mesmo no âmbito da diocese (liturgia,
catequeses...) e recomecei a estudar à noite.
Mais
à frente pensei que a minha vida tinha que dar uma volta e fui ter com o Padre
Horácio, (responsável pela Casa do Gaiato de Miranda) dizer-lhe da minha
vontade de integrar a Obra e vir para a Casa do Gaiato, mas ele disse-me que
não... que eu estava muito envolvida na paróquia e com trabalhos na diocese, que
os Padres iriam sentir a minha falta e pensar que tinha sido ele a puxar-me
para outra missão (ele conhecia-me e sabia que a diocese tinha apostado na
minha formação, também financeiramente, e que estava também depositada
esperança para o meu trabalho na formação na catequese) disse-me também que ia sentir-me
dividida ao ver a falta que fazia nas tarefas que
desempenhava até ali, e que não podia estar nos dois lados.
A
partir desse momento fiz um corte radical com toda a
Obra da Rua. Deixei tudo: de frequentar a casa,
de ler o jornal... TUDO!
Durante
uns anos permaneci no meu trabalho e responsabilidades assumidas... continuei a
estudar à noite e fiz os meus projectos... e isto andava assim...
Um
dia, surgiu uma Ultreia Diocesana em Chão de Couce. Quando cheguei, um jovem
andava a pedir autógrafos
e também pediu o meu e disse-me ainda: "Olha, tens o teu autocolante ao
contrário, de pernas para o ar". Eu olhei, mexi e respondi: "Está de
pernas para o ar para ti, para mim está bem, que é para eu ler", e ele
acrescentou “Raciocinaste muito rápido. Está com muito cuidado ao dia de hoje
que há uma mensagem para ti".
Fomos
às celebrações e trabalhos da manhã e no fim fomos almoçar. O padre Horácio,
que também estava, chamou os grupos de Miranda e convidou a almoçarmos juntos,
no final da refeição disse: "Arrumamos os farnéis e logo à tarde, no
regresso o primeiro carro que encontrar um bom lugar para lanchar encosta, e
quando estivermos todos lanchamos". E assim aconteceu.
No
final da merenda o Padre Horácio disse: "Para terminar este dia lindo
vamos todos ao bar da Casa do Gaiato beber um cafezinho". Ouve-se um
"Vamos, vamos..." e depois um silêncio (duas ou três pessoas no grupo
sabiam do meu corte com a Casa). O Sr. Fausto Branco interrompeu o silêncio e
dirigindo-se directamente a mim falou: "Há uma pessoa que ainda não se
manifestou. Então Isaura? Vamos ou não vamos? Ou vamos todos ou não vai
ninguém." Eu respondi "Claro, por causa de mim não se vai estragar a
festa."
No
final, já na Casa do Gaiato, Padre Horácio chamou-me e disse que precisava de
mim, ele tinha que sair durante o mês de Agosto e pediu se eu ia fazer um
acompanhamento aos rapazes. Também tinha pedido ao Sr. Fausto que aceitou ir
ajudar.
«Dentro dos nossos muros tudo se aproveita.
O mal para que se transforme e o bem para que
melhore.
Nós somos a seara imensa do trigo e do joio»
Pai Américo
Entretanto,
nesse Agosto, quando eu já estava na Casa do Gaiato de Miranda com os rapazes o
Padre Telmo mandou um recado. Tinha tido conhecimento da minha situação e
chamou-me para dizer que as coisas não podiam ficar assim, que ainda era tempo
de eu vir para a Obra... Eu disse que não, que esse assunto, dedicar-me ao
Gaiato, estava ultrapassado, que tinha arranjado outras coisas e já não podia.
Então ele disse-me "Isaura, na nossa vida Jesus passa uma vez, passa duas
vezes e às vezes não passa mais."
Perdi
o sono, fiquei sem dormir... e uma noite às três e meia da manhã ajoelhei-me na
minha cama e voltei-me para a imagem de Jesus jovem que estava no meu quarto e
disse-lhe: "Sim. Eu vou. Vou para Setúbal. Mas agora deixai-me
dormir." E adormeci como por encanto. De manhã quando acordei, acordei de
um sonho do qual queria fugir. Fui para o terraço, abri a Liturgia das Horas,
para ver por onde podia escapar e apareceu-me isto:
|
Fica
connosco. Senhor, porque anoitece
|
||
|
Como Te
encontraremos.
Ao declinar do
dia,
Se o teu
caminho não cruzar
O nosso
caminho?
Fica connosco,
Dá-nos a tua
luz:
E o alegria
vencerá
A escuridão da
noite.
|
Venham às
nossas mãos
Para Ti estendidas.
As chamas
acesas do Espírito,
Fonte da Vida;
E purifica no
mais fundo
Do coração do
homem
A tua imagem
Que a culpa
escureceu.
|
Vimos romper o
dia
Sobre o teu
belo rosto,
E o sol abrir
caminho
Em tua fronte:
Não deixes o
vento da noite
Apagar o fogo
novo
Que, ao passar,
na manhã,
Tu nos
deixaste.
|
Comuniquei
então ao Padre Telmo a minha decisão e que vinha para Setúbal, respondendo aos
apelos feitos no Jornal "O Gaiato".
Em
Outubro o Padre Acílio foi buscar-me a casa. No carro, na viagem para Setúbal,
perguntou-me se eu alguma vez tinha ido a uma Missa Nova a Casa do Gaiato,
respondi que sim, quando tinha para aí dez ou doze anos fui a uma Missa Nova de
um rapaz, de um gaiato talvez. Então ele contou-me "Esse rapaz era
eu". Eu vinha lavada em lágrimas de ter deixado Miranda e ele disse-me que
o rapaz era Ele. Nunca mais conversámos sobre esta coincidência, a vida e o
Amor de Deus são um mistério e devemos estar atentos aos sinais que Ele nos
deixa.
Esta
reflexão foi-me pedida no 25e Domingo do Comum em que no Evangelho
(Mateus 20, 1-16) Jesus nos conta a parábola do proprietário que vai contratar
os trabalhadores para a sua vinha. Começou a contratar pela manhã e terminou ao
final do dia. Uns vão o dia todo, outros ao final da manhã e ainda alguns só ao
final do dia.
Escuta
o recado daquele jovem do autógrafo!
Toma atenção ao
recado do Padre Telmo: Jesus passa uma
vez, passa duas vezes, pode não passar mais.
Será
que alguma vez passou por Tl?
«Não te falo de perfume nem beleza
Falo-te de doação...
Só um coração liberto entenderá o segredo»
Pai Américo
Cantinho das
Senhoras Casa do Gaiato
Setembro de 2014
(Isaura, Setúbal)
quarta-feira, 15 de julho de 2015
terça-feira, 14 de julho de 2015
Fazer memória… de duas testemunhas de Fé
Fazer memória sobre os 40 anos da
diocese de Setúbal, para mim, é falar sobre as pessoas que a marcaram, durante
este período.
Eu tinha 10 anos,
quando foi criada a diocese (16 de outubro de 1975) e foram muitos os cristãos,
felizmente, que conviveram comigo e foram exemplos de vida cristã durante estes
anos, fora e dentro do espaço diocesano.
| Ir. Matilde Morgado |
A minha reflexão levou-me, em
primeiro lugar, a fazer memória da Irmã Matilde Morgado, nascida em 6 de setembro
de 1933. A irmã foi, durante 14 anos, a diretora diocesana de Secretariado da
Catequese da Infância e Adolescência (de 1990 até 2004). Atualmente,
encontra-se na Casa Provincial das Franciscanas Missionárias de Maria, em
Lisboa, congregação à qual pertence.
Conheci-a quando eu tinha 25
anos. Convivi com ela durante quase todos esses anos…
Fiz o Curso Básico de Catequese e,
a partir desse momento, chamou-me para colaborar na formação dos catequistas da
diocese. Ainda hoje me pergunto porquê!!!
Acompanhei muito do trabalho realizado
por esta mulher de fibra. Quem a via a caminhar com o seu chapéu de palha não
adivinhava os problemas de saúde que ela tinha, desde muito nova, mas que nunca
foram motivo para desarmar nas dificuldades. A sua força pessoal e espiritual era
enorme e transmitia-a aos que com ela colaboravam.
Colocava um carinho e
um amor especiais naquilo que fazia, mas também muita exigência consigo e com
os que com ela colaboravam .
As coisas tinham mesmo que
funcionar e o melhor possível ... quantas vezes, os que com ela colaboravam,
estiveram reunidos, pela noite fora, para prepararem adequadamente as
atividades, os cursos, as formações, os retiros, …
Corria a diocese de ponta a
ponta, reunindo com os catequistas e párocos, dando formação e auxiliando nas
questões que necessitavam de resolução, propondo soluções concretas.
Implementou o funcionamento das
equipas vicariais de catequese … e, para melhor funcionarem, por vezes,
participava nessas reuniões. No entanto, deixava nas mãos dos responsáveis,
padres e catequistas, a dinamização das equipas vicariais.
Uma mulher de garra que enfrentou,
por vezes, algumas situações de desconforto para conseguir responder ao pedido
que o senhor bispo lhe tinha feito e ela tinha aceite.
Quando, em 2004, deixou de ser a
diretora do secretariado, deixou um legado evangelicional muito grande … os
catequistas tinham crescido na fé, através das múltiplas atividades formativas
pedagógicas, catequéticas, espirituais, biblicas que ela planeou/implementou,
tornando-os assim catequistas mais bem preparados para trabalharem ao serviço
da Igreja Local e fazer crescer os irmãos na fé e no amor a Jesus Cristo
Só para recordar, houve anos em
que, no Dia Diocesano do Catequistas, chegaram a estar presentes mais de 400 catequistas
no salão da Anunciada. Nas Jornadas de Adolescentes, normalmete, realizando-se,
cada ano, numa vigararia diferente, com atividades diversificadas e
motivadoras, havia uma grande adesão por parte dos catequizandos/adolescentes e
catequistas.
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| Pe. Norberto Lino |
O pe. Norberto Lino, jesuita, surgiu
na minha vida quando eu andava no seminário e tinha uns 12 anos. Quando vinha a
casa, eu acompanhava-o na vida paroquial, acolitando nas celebrações
eucarísticas, presenciando/vivenciando muitas das suas tarefas, atitudes,
comportamentos e ajudando no que era necessário. Agradeço a Deus a sua presença
na minha vida, pois aprendi muito com este homem simples, mas, ao mesmo tempo,
muito culto.
O testemunho do trabalho que
realizou e da entrega à Evangelização numa paróquia, inicialmente, tão pouco
catequizada/evangelizada, levou a que muita gente, aos poucos e poucos, se
fosse aproximando da Igreja.
O seu espírito de partilha fez
com que fosse entregando, a leigos comprometidos, muitos dos trabalhos que
deveriam e poderiam ser realizados por eles, exigindo-lhes, no entanto, que
prestassem contas do que iam fazendo. Assim, foi criando cristãos responsáveis
e empenhados em Igreja. Isso permitiu-lhe dinamizar e desenvolver as
comunidades de Corroios, Miratejo e Vale de Milhaços.
Não só criou uma Igreja humanizada,
feita de cristãos empenhados, comprometidos, com formação religiosa e
espiritual, fruto da criação e dinamização de grupos de reflexão e ação, mas
também ampliou a igreja paroquial de Corroios e construiu as Igrejas das duas
novas comunidades que iam surgiram: Miratejo e Vale de Milhaços, sempre com
muito apoio dos seus paroquianos.
Foi este o homem que me
acompanhou (ou melhor dizendo, que eu acompanhei, ao longo de alguns anos), um
homem que se preocupava imenso com as pessoas e as ajudava quando elas
precisavam a nível pessoal, económico, espiritual e social.
Para mim, este homem foi (é) um
exemplo de amor e dedicação ao Evangelho e de inspiração para os seus
paroquianos. O seu empenhamento foi notável no crescimento deste pequeno Reino
de Deus na freguesia de Corroios.
São homens e mulheres como estes
que fazem crescer o Reino de Deus.
É por isso que devemos
recordá-los para que outros possam também saber que há grandes homens e mulheres,
ainda hoje em dia, ao serviço de Jesus Cristo e que vivem de forma simples, mesmo
ao nosso lado.
Artur Barros
sábado, 27 de junho de 2015
Lurdes Pires Rato: uma memória agradecida de uma catequista da Paróquia da Quinta do Conde, comunidade da Boa Água
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quarta-feira, 24 de junho de 2015
Casal Dias: Paróquia de São José Operário Laranjeiro-Feijó
Nasceu a 9 de Maio de 1933 em Lisboa, na paróquia do Beato.
Morreu 26 de Novembro de 2008 em Setúbal, na paróquia de S. Sebastião-
Setúbal.
Nasceu a 20 de Novembro de 1927 em Lisboa, na paróquia de São
Sebastião da Pedreira.
Morreu 15 de Agosto de 2008 em Setúbal, na paróquia de S. Sebastião -
Setúbal.
Celebraram o seu matrimónio na Igreja Paroquial de
São Bartolomeu do Beato em Lisboa no ano de 1951 e celebraram as suas Bodas de
Ouro no ano de 2001, na igreja de São Sebastião, em Setúbal.
Vieram a viver para o Feijó ainda na década de 50 e
aqui permaneceram cerca de 50 anos!
Durante mais de trinta, foram catequistas nesta paróquia onde deram
um testemunho de autenticidade e, sempre na barbearia ou no salão de
cabeleireira não perdiam a oportunidade de falar do Senhor Jesus.
Ambos de caráter afável dedicaram-se ao anúncio do Evangelho,
como vocação e missão. A eles, durante muitos anos, se entregaram os
adolescentes e jovens que, ainda hoje, guardam nos seus corações a imagem dum
casal sereno, atento aos outros e sempre prontos na escuta e dedicação plena.
Não tendo filhos, conta a única irmã da Alice, a D. Maria João,
que, dum modo muito discreto ajudavam os mais carenciados, “de mãos largas”, já
que, em cada pobre, viam o rosto do Jesus que, na igreja anunciavam.
Na Comunidade paroquial, lembra o pároco de então, Pe. António de Sousa
Oliveira que, na sua simplicidade e discrição criavam nos adolescentes e jovens
a necessidade do Encontro com o Senhor Jesus, ajudando cada um deles (e foram
muitos) no crescimento da Fé.
Ainda lembro a alegria com que os dois receberam, das mãos do
senhor Bispo, D. Gilberto o Diploma dos 25 anos ao serviço da Catequese!
Só quem faz
a experiência do amor de Deus dá catequese como um ato de amor.
Paróquia de São José
Operário Laranjeiro- Feijó
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