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sábado, 21 de fevereiro de 2015

EM MEMÓRIA: Padre Ricardo Gameiro

A paróquia da Cova da Piedade, respondendo à solicitação do Sr. D. Gilberto para que, no quadragésimo aniversário da criação da nossa Diocese de Setúbal, se celebrasse a MEMÓRIA de alguém que a tenha marcado, decidiu lembrar o senhor Padre Ricardo Gameiro no dia 19 de Fevereiro, dia em que faria 86 anos de idade, se o Senhor o não tivesse chamado.

O senhor P. Ricardo nasceu em 19 de Fevereiro de 1929 na aldeia de Carvalhal da Aroeira, Torres Novas, então Patriarcado de Lisboa. Nasceu no seio de uma família profundamente cristã e, desde muito cedo, sentiu que Deus o chamava para o sacerdócio. Aos 14 anos ingressou no Seminário patriarcal de Almada, e aos 17, no Seminário Maior dos Olivais, tendo sido ordenado sacerdote em 29 de Junho de 1954. Em 1 de Janeiro de 1955 iniciou a sua vida pastoral na paróquia de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa, como Vigário Paroquial. Em 29 de Novembro de 1959 tomou posse como pároco de Olaia, Torres Novas, onde passou 7 anos. Em Outubro de 1966 tomou posse da paróquia da Baixa de Banheira, um meio operário, onde viveu intensamente o seu sacerdócio semeando a “boa nova” do Evangelho. Neste meio operário foi-se aproximando e dando a conhecer a todos os que com ele se cruzavam e a mensagem do Evangelho foi tocando aquela boa gente que o Senhor lhe tinha confiado e da qual ele nunca se esqueceu. Já na Cova da Piedade, certo dia disse: “foram uma simpatia para comigo, de facto extraordinária, que me fez ver como o convívio, como a experiência humana na Baixa da Banheira, foi do melhor que eu tive na minha vida neste aspecto”.

Em 1 de Junho de 1975 tomou posse desta paróquia da Cova da Piedade e celebrou, a seguir, a 1ª missa.

No ano seguinte, a Santa Sé criou a diocese de Setúbal, para gáudio do clero que nestas terras anunciava o Evangelho e destas gentes.

O senhor Padre Ricardo abraçou, com muita alegria, esta graça que Deus concedeu às gentes desta nova diocese, sendo um arauto do Evangelho, não só na sua paróquia, mas estando sempre disponível, junto do seu Bispo, para as tarefas que este lhe solicitasse.

Nas Bodas de Prata de pároco na Cova da Piedade o Senhor D. Manuel Martins, bispo emérito de Setúbal, deu-nos este testemunho: “Fomos companheiros de viagem e de aventuras, durante 23 anos. Eu sei, mas Deus sabe melhor, como este Homem me ajudou a ser, a estar e actuar. Deus sabe também como lhe estou obrigado pela disponibilidade generosa e indiscutida que nele sempre encontrei.

O senhor D. Gilberto, nesta mesma data, escreveu: “Este ser servo de todos, está bem presente nas construções materiais; nas instituições pastorais; nas iniciativas no sector da Palavra, da Liturgia e da Caridade; na vivência das alegrias, sofrimentos e esperanças do seu povo, no amor da diocese; na atenção aos problemas de hoje; no dinamismo pastoral que se mantém vivo (ou cresce), passados 25 anos…”.

O senhor Padre Ricardo dedicou-se, de alma e coração, à evangelização destas gentes através da palavra, cimentando-a com a oração e o exemplo. As gentes da Cova da Piedade assimilaram a boa nova do seu pastor, que pedia incessantemente que o Senhor mandasse operários para a Sua Messe. O Senhor da Messe ouviu estas preces, de tal maneira que, na paróquia da Cova da Piedade, desabrocharam e desenvolveram-se três vocações sacerdotais e outras vocações religiosas. O senhor Padre Ricardo pela oração, pelo exemplo e pela palavra amiga foi-as amparando e hoje Setúbal tem três padres oriundos da Cova da Piedade.

O senhor Padre Ricardo faleceu no dia 19 de Dezembro de 2011. Foi um pastor solícito e incansável que viveu plenamente para as gentes da Cova da Piedade, em especial, para os mais desfavorecidos. O Bom Semeador, na pessoa do senhor padre Sobral, tinha semeado um pequeno “grão de mostarda” nesta paróquia, o Jardim Infantil do Bairro. O senhor Padre Ricardo, como bom agricultor, foi-o regando, acarinhando e sonhando de tal maneira que essa pequena planta foi crescendo, crescendo até se tornar na árvore frondosa de que fala o Evangelho, que hoje é o Centro Social Paroquial Padre Ricardo Gameiro, uma das maiores IPSS do país.

Hoje, o Centro Social Paroquial Padre Ricardo Gameiro acolhe, acompanha e educa centenas de crianças e jovens e dá carinho e amor a dezenas de idosos, dando trabalho a centenas de trabalhadores.

Tudo isto é fruto do amor de Deus que concedeu à nossa Diocese na grande alma sacerdotal com um coração imenso, repleto de amor a Deus e aos homens, em especial aos mais desprotegidos, que foi o senhor Padre Ricardo. Bendigamos ao Senhor.


Cova da Piedade, 19 de Fevereiro de 2015.


Ramiro Rodrigues

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Paróquia do Lavradio: A Catequese na Igreja Paroquial Santa Margarida e Capela Pastorinhos de Fátima (Fidalguinhos)



  • Crianças Inscritas na Catequese  -  200
  • Jovens Catequese (CRISMA)  -  50 Jovens
  • Catequistas 2014/2015  -  18 Catequistas
Pontos Marcantes na Catequese:
  • 1974 – Construção da Igreja do Lavradio e integração na Diocese de Setúbal
  • 1997 – Envangelização no Bairro das Palmeiras com grupos da Catequese no Bairro 
  • 2013 – Inauguração da Capela dos 3 Pastorinhos Fidalguinhos


Nestes 41 anos de existência da Catequese têm participado em diversas atividades que fortalecem o crescimento na fé Cristã dos mais novos: 
- Ações de Solidariedade (Banco Alimentar, Recolha de Alimentos / Cáritas / Visita a Lares Idosos, Jantar Solidário)
- Participação / Organização do encontro de Taizé (2004)
- Dinamização de Orações / Reflexões / Virgílias / Procissões / terço Humano
 


ORAÇÃO
Somos como um simples tijolo, humilde, mas tão necessário na construção da vida, do mundo e do Teu reino celeste, um reino de paz e de amor.
É tão bom ser chamado por Ti para colaborar e ajudar os meninos a crescerem na Fé, a serem adultos responsáveis e a fazerem de Ti o pilar das suas vidas.
Ilumina-me, fortalece a minha Fé e faz com que eu consiga difundir e transmitir os Teus ensinamentos, e fazê-los entender que só Tu és exemplo de vida.
Tu chamaste-me a ser Catequista na Tua Igreja, na Tua comunidade que afinal é também a minha. Confiaste a missão de anunciar a Tua palavra e de testemunhar com o meu exemplo, os Teus valores.
Às vezes, tenho medo de não saber corresponder e de não estar à altura do que esperas de mim. Mas, se me escolheste lá sabes porquê e eu só terei de olhar para o lado, ver que caminhas comigo e apoiar-me em Ti.
Não me deixes sozinho. Confio em Ti.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

40 ANOS A ANUNCIAR JESUS NA ALEGRIA DO EVANGELHO - SECRETARIADO DIOCESANO DA CATEQUESE DA INFÂNCIA E DA ADOLESCÊNCIA DE SETÚBAL


AS ORIGENS

O então chamado Secretariado Regional da Catequese da Península de Setúbal, foi inaugurado no dia 28 de Dezembro de 1966. Ficou com sede numa sala da Capela de Nossa Senhora da Conceição na Avenida 5 de Outubro em Setúbal. Presidiu à primeira reunião o que era então Vigário Episcopal, o Rev.do Cónego Dr. João Alves. Nesta altura, era Responsável Regional da Península Maria Virgínia de Sousa Fialho, sendo as Irmãs Susana do Menino Jesus e Maria Cristina Amélia Responsáveis Vicariais de Setúbal. A Responsável Vicarial de Almada era Maria Teresa Rodrigues Piteira e a da Moita-Montijo Alcina de Jesus Oliveira.
De início, as reuniões trimestrais destes catequistas eram feitas em conjunto com os Responsáveis da Obra das Vocações Sacerdotais. Por sugestão do senhor Vigário Episcopal, elas passaram a realizar-se só com a participação dos Coordenadores das Catequeses Paroquiais, ficando a Obra das Vocações Sacerdotais de promover uma reunião com os Dirigentes de todas as Obras Paroquiais nas três Vigararias desta Região. O visitador da Vigararia de Setúbal era o Rev.do Padre José do Carmo Vicente e o de Almada o Rev.do Pe. Rodrigo Gouveia de Paiva. A Vigararia da Moita-Montijo ainda não tinha visitador nomeado.
Com o tempo, cada Vigararia foi dividida em zonas, ficando à frente de cada zona um Coordenador que colaborava com o Responsável Vicarial. Tentava-se implementar uma orgânica Vicarial para dar resposta aos problemas concretos locais. Assim, a Vigararia de Almada ficou dividida em três zonas, a saber, Almada, Seixal e Costa, cada qual com um Coordenador local. As Vigararias de Moita e Montijo também ficariam divididas em três áreas. Uma centrada no Barreiro, outra na Moita e outra no Montijo. O mesmo aconteceu à Vigararia de Setúbal, segmentada na Anunciada, S. Julião e Santa Maria.
No mês de Julho de 1967 o Vigário Episcopal, Rev.do Cónego Dr. João Alves, comunicou a criação, para breve, de uma equipa missionária, formada por casais, que poderia atuar também no apostolado da Catequese.
Os Responsáveis de Catequese participavam nas reuniões Diocesanas em Lisboa. Já então se estudava a possibilidade da realização de Cursos de Iniciação, do Curso Elementar e do Estágio.
Em Outubro do mesmo ano o Secretariado Regional da Catequese desta Região tem como assistente o Rev.do Padre Adriano Nunes.
Também no ano seguinte teria início o Catecumenado como resposta à necessidade da organização da Catequese e Batismo de adultos.
Em Janeiro do ano 1970 foi nomeado Assistente Regional o Rev.do Pe. José Cordeiro a quem se seguiu o Pe. Manuel Pinheiro da Silva Ramalho (atual pároco da Paróquia do Pinhal Novo). Serviço importante para a organização da catequese na região devido ao trabalho de coordenação promovido entre os Assistentes Vicariais e, destes, por sua vez, com as Paróquias. Nas reuniões do Secretariado Regional da Catequese participavam o Assistente Regional e todos os Responsáveis Vicariais. Dava-se conta de como se ia trabalhando nos vários locais, quais as dificuldades a resolver, sugestões e planificação de ações de Formação e de Encontros, de Reuniões, de Cursos e de Retiros...

Pe. Manuel Ramalho

NASCE A DIOCESE E O SECRETARIADO DE CATEQUESE

Em 16 de Julho de 1975 com a criação da Diocese, o secretariado regional da Região Pastoral de Setúbal passou a ser Secretariado Diocesano de Catequese da Infância e Adolescência da Diocese de Setúbal.
Em substituição do Pe. Ramalho, em 1977 toma posse como novo Assistente Regional o Pe. Álvaro de Magalhães Teixeira, (CMF, padre Claretiano, atual pároco da Paróquia de São Sebastião de Setúbal). Foram constituídas Equipas de trabalho e Responsáveis de Zona a trabalhar sempre de acordo com os párocos e em contacto com o Secretariado.
Pe. Álvaro Teixeira CMF
Foi, assim, sentida a necessidade de descentralização do Secretariado Diocesano da Catequese para facilitar mais o trabalho e a corresponsabilidade dos dirigentes nas diversas Zonas.
Segundo as informações encontradas, no período entre 1983 e 1992 esteve como Responsável do Secretariado da Catequese a Irmã Ilda Fontoura (FMNS, Franciscana Missionária de Nossa Senhora) que tinha como auxiliar a Irmã Maria Arminda Pimenta de Castro (FMM. Franciscana Missionária de Maria). No ano 1992 foi substituída nesse trabalho pela Irmã Matilde Morgado (FMM) que durante doze anos, juntamente com uma equipa de colaboradores, levou para a frente com entusiasmo, sabedoria, criatividade, dedicação e amor à Igreja esta missão, como Diretora deste Secretariado. 
Irmã Matilde Morgado
Em Julho de 2004 foi nomeada para este serviço a Irmã Maria Zélia da Cunha Aires FMA (Salesiana, FMA). Iniciou funções no dia 7 de Setembro do mesmo ano e exerceu-as durante sete anos, até ao verão de 2011. Durante este tempo a Irmã Zélia sentiu o ardor missionário da Diocese e tentou dar continuidade ao trabalho anterior. A Formação dos Catequistas foi prioridade. Apostou-se no Curso de Iniciação, no Curso Geral e na realização de Estágios de Catequese. Continuou e empenhou-se no trabalho conjunto do Interdiocesano, do qual fazem parte as cinco Dioceses da Zona Centro do País: Dioceses de Leiria/Fátima, Lisboa, Portalegre/Castelo Branco, Santarém e Setúbal. Foi atenta aos problemas do Secretariado Nacional de Educação Cristã e tudo fez para dar resposta aos seus apelos e orientações. A Irmã Zélia foi ainda uma das dinamizadoras do A3 Jovem, onde parte dos seus participantes era jovens do 10º ano de catequese.
No Ano Pastoral 2011-2012, foi dada ao Secretariado como nova tarefa a dinamizar o Despertar da Fé das crianças dos 0 aos 6 anos. Desde então tem assumido a formação diocesana dos educadores e auxiliares de infância das Instituições Diocesanas de Solidariedade Social com Jardim de Infância.


Irmã Zélia Aires

Desde Setembro de 2011, o diretor do Secretariado é o Pe. Rui Augusto Jardim Gouveia.

MEMÓRIA DE DEUS
Nestes quase 40 anos da Diocese, o Secretariado recorda, pelo coração de Jesus, tantos catequistas que esta terra viu nascerem na fé e descobrirem a sua vocação missionária, que guiou e alimentou pela formação e sacramentos, que cresceu em santidade e graça pelo seu anúncio fervoroso.
Os catequistas são uma porção considerável do Povo de Deus de Setúbal que, generosamente, cada um ao serviço desta Igreja, sabe, nas palavras do nosso Papa Francisco, que «é pessoa da memória de Deus, se tem uma relação constante, vital com Ele e com o próximo; se é pessoa de fé, que confia verdadeiramente em Deus e põe n’Ele a sua segurança; se é pessoa de caridade, de amor, que vê a todos como irmãos; se é “hypomoné”, pessoa de paciência e perseverança, que sabe enfrentar as dificuldades, as provas, os insucessos, com serenidade e esperança no Senhor; se é pessoa gentil, capaz de compreensão e de misericórdia» (homilia aos catequistas, 29 de Setembro 2013).
Há uma «nuvem de testemunhas» de catequistas que fazem parte da nossa história de Salvação, porque cada um «guarda e alimenta a memória de Deus; guarda-a em si mesmo e sabe despertá-lo nos outros. É belo isto»! Ao fazer esta «memória do coração», que é hino de vida e de ação de graças, pedimos a Jesus que toda a nossa vida seja «memória de Deus».















sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Carmita Fortuna:



«Senhor, que eu não gaste inutilmente o tempo que me dás. Que saiba viver uma Vida cheia de Amor. Que eu saiba cumprir a Vontade do Pai e serei feliz, feliz!»


Cármen Antunes de Matos Fortuna, Carmita, nasceu em Quinta do Anjo, (Portugal), no dia 14 de Julho de 1937, no seio de uma família católica com poucos recursos económicos. Foi a décima primeira de 12 irmãos.
Aos 19 anos Carmita decidiu seguir o seu sonho, de se tornar uma "'mãe de família" para crianças que tinham sido abandonadas.
Em Maio de 1959, com apenas 21 anos, adotou o primeiro "filho", tinha apenas 20 dias e estava condenado a morrer de fome devido a falta de cuidados por parte da mãe, que era deficiente mental. Esta decisão da Carmita não for muito bem vista pelos que com ela conviviam, pois consideravam-na muito nova para assumir tamanha responsabilidade. Aquando da adoção da segunda "filha" com 7 anos, a Francelina, a reação geral já foi mais moderada, todavia, muitos não compreendiam como é que alguém era capaz de dedicar toda a sua vida a crianças que ninguém desejava. A adoção da terceira criança, a Gracinha, com apenas 15 meses, ainda não andava devido à fome qua sempre passara, foi um escândalo. Viu-se obrigada a abandonar o curso do Magistério e o seu emprego, no Sanatório do Outão, onde era secretaria. Algum tempo mais tarde, recebeu mais três irmãos (dois rapazes e urna rapariga) tinham 1, 6 e 10 anos respetivamente. No total, Carmita acolheu 6 crianças.
Foi internada no Instituto Português de Oncologia (IPO), pela primeira vês aos 22 anos, sendo-lhe diagnosticado cancro da mama. Era considerada um "Anjo Bom" para muitos que como ela se encontravam internados no IPO e graças ao seu singular poder de comunicabilidade e de estabelecer amizades, foi um verdadeiro exemplo de fé e perseverança, para muitos que estavam confinados a vaguear pelos corredores do IPO sem qualquer réstia de esperança. Soube transformar a sua vida num exercício constante de apostolado na escola, no emprego, junto dos amigos, na vizinhança, no hospital, em toda a parte; pela palavra, pela amizade, pelo amor...
Também se comprometeu em vários movimentos apostólicos organizados, como, a J.A.C.F (Juventude Agrária Católica Feminina) a nos Cursilhos de Cristandade; a todos marcou profundamente, não só pela sua fé, mas sobretudo pela sua coragem e audácia. Nunca se "entregou" à doença e manteve toda a sua vivacidade e entusiasmo contagiantes até aos últimos dias que permaneceu na terra.
A 14 de Maio de 1980, voltou para junto do Pai, deixando em todos os que com ela conviveram uma lição e um exemplo inestimável do valor do Amor e do viver para os outros.


 Testemunho de Mário da Silva Moura

Comecei a trabalhar no serviço de urgência do Hospital do Espírito Santo em 1953.
Atendia a qualquer hora as muitas pessoas que necessitavam de assistência para si ou para familiares, de noite ou de dia.
Uma ou duas vezes atendi uma jovem mãe com um qualquer problema num filho que trazia ao colo, mas despertou-me a atenção que das duas vezes a criança não era a mesma.
Muito atento aos problemas de relacionamento com os pacientes e a sua maneira de actuar, verifiquei que aquela mãe era duma ternura extrema para com os seus filhos apesar da sua franzina juventude.
O tempo ia passando e esta presença repetiu-se mais algumas vezes pelo que resolvi indagar de quem se tratava. Disseram-me então, para meu espanto, que era uma menina da Quinta do Anjo que deixara a sua própria profissão para acolher crianças abandonadas ou filhas de pais sem condições para as criar (prostitutas, alcoólicos, etc.).
Eu era ateu nessa altura e estava muito atento a actos de caridade que me apareciam no meu dia-a-dia - a bondade e o amor eram para mim algo de muito importante e tocavam-me no coração de maneira especial.
Estas presenças da Cármen Fortuna no banco do hospital foram alguns dos factos que mais contribuíram para vencer os meus problemas com Deus.
Assim comecei a ouvir falar e a conhecer a Carmita, como era conhecida, impressionado com a sua capacidade de entrega aos outros e mais impressionado ainda com toda a sua história de vida e a amorosidade que irradiava.
Fui também sabendo que pertencia a uma família de excepcionais características de preocupação com os outros e de vida cristã irrepreensível.
                                                        **
Ao fim de alguns anos com o acumular de testemunhos com este e após um Curso de Cristandade, acabei mesmo por aceitar que Deus residia nos nossos corações e que Jesus Cristo fora a Sua incarnação e continuava connosco.
E eram exemplos como o da Cármen Fortuna que davam corpo a esta verdade.
E de novo vim a contactar, agora com mais assiduidade e com outros olhos, com a Carmita que também acabou por frequentar um Cursilho na sua ânsia de entrega aos outros vindo a ser Reitora de cursos. Relembro como se apresentava nas reuniões como “mãe solteira, com seis filhos, um de cada pai!”, deixando toda a gente atónita até entender o que esta apresentação continha de substancia caritativa e de presença do Deus vivo!
Recordo também com encarou uma doença grave que a atingiu, como impressionava as pessoas com a sua aceitação do sofrimento (a sua Cruz!) e como animava as pessoas com quem convivia, até nos tempos do seu internamento hospitalar onde a sua acção apostólica ficou notabilizada – um testemunho exemplar, digno duma verdadeira santa!
A todos os que com ela conviviam era contagiante esta ternura, este espírito de entrega, esta alegria de viver, esta aceitação do sofrimento em oblação de si própria pelo bem dos outros, neste mundo tão cheio de miséria e de egoísmo.
Até aos seus últimos momentos, com sofrimento, se manteve fiel à sua Fé e à sua doação – o velório do seu corpo e o seu funeral foram verdadeiras homenagens a ela e ao Deus que a animava e sempre lhe orientou os seus passos. Foi uma manifestação de Fé extraordinária que impressionou e comoveu todos os que participaram em tal cerimónia fúnebre, cheia de cânticos, de alegria, ao som da leitura de versos escritos pela Carmita.
Um ambiente daqueles só foi possível porque o Espírito Santo pairava sobre aquela verdadeira santa.
                                                  **
Tomei depois conhecimento mais pormenorizado sobre a sua forma de vida e sobre a sua maneira de ser através dum livro escrito por um dos seus irmãos.
Mas o que escrevi acima é que é o meu verdadeiro testemunho, saído do meu coração, sobre a Carmita.
Entendo que já se devia ter tomado a iniciativa de abrir um processo de beatificação de Cármen de Matos Fortuna – a nossa Igreja necessita de santos verdadeiros que deram sempre testemunho do Amor aos outros em todas as circunstâncias da vida, indo como Cristo até a entrega da própria vida.


Fonte: carmita.org

sábado, 8 de novembro de 2014

Memória dos Diáconos e Presbíteros já falecidos




Memória dos Diáconos e Presbíteros já falecidos que serviram a Igreja Diocesana de Setúbal, desde a criação da Diocese (1975)



Os Apóstolos nunca mais esqueceram o momento em que Jesus lhes tocou o coração: «Eram quatro horas da tarde» (Jo 1, 39)” (Papa Francisco, EG, 13)



No passado dia 6 de Novembro– mês das “almas”, em que somos convidados a fazer memória daqueles que nos precederam na fé implorando para eles a plenitude da vida do Céu – foi feito o sufrágio dos padres e diáconos que serviram a diocese de Setúbal, na Sé e nas Paróquias.

Eles foram – serão sempre – padres e diáconos chamados por Cristo, por meio da Igreja, que viveram, amaram, serviram, em nome de Jesus, como cooperadores do ministério apostólico, a Igreja de Setúbal.

Terminaram já a sua “função” de serviço. Dizemos deles que são “defuntos”. Continuam, porém, vivos em Deus e na nossa memória, como testemunhas da fé e do serviço ao Evangelho.

Neste ano, em que nos preparamos para a celebração dos 40 anos da criação da nossa Diocese, esta memória/sufrágio adquire um especial significado. A Igreja, por vontade de Cristo, não pode existir sem este ministério, pelo Ele se faz presente na Sua Igreja e a santifica. Lembramos especiais testemunhas da fé, não só vivida, mas também comunicada através do ministério ordenado, nos sacramentos, na pregação e na edificação da comunidade.

Fazemos deles uma memória agradecida a Deus pelo dom das suas vidas e do seu ministério, de que tantos e tanto beneficiaram. É a memória que fazemos de irmãos que escutaram o chamamento de Cristo que lhes tocou o coração, tal como aos primeiros discípulos. Memória que nos toca também a nós – padres, diáconos, religiosos, religiosas, fiéis leigos – para que, volvidos quase 40 anos sobre o momento inicial da nossa Diocese de Setúbal, renovemos com redobrado vigor o encanto, a alegria, a disponibilidade de, como discípulos missionários, servirmos Cristo, a Igreja, o Evangelho.

É a memória a que o Papa Francisco chama “deuteronómica”: uma memória agradecida e estimuladora de novo fôlego na fé e na missão, porque que nos faz presente uma «nuvem de testemunhas» (Heb 12, 1)” (cf. EG 13).



Quem são aqueles de quem, no dia 6, iremos fazer memória e sufrágio?

São dois diáconos permanentes, dos primeiros ordenados em Portugal após o Concílio Vaticano II: António Godinho e Inácio Silva.

São os dois primeiros vigários gerais: Padres Manuel Marques e Alfredo Brito.

São padres diocesanos a quem estavam confiadas paróquias em 1975: Agostinho Gomes (Castelo de Sesimbra); António Sobral (Barreiro); Jaime da Silva (Almada); José Gonçalves (Alcochete e Samouco); Manuel Frango (Azeitão); Manuel Gonçalves (Montijo); Mário Lopes (Costa da Caparica e Trafaria); Ricardo Lopes (Cova da Piedade). E também o P. João da Cruz, vindo de Lamego e que foi incardinado em Setúbal.

São padres de Institutos Religiosos: Capuchinhos (Alípio Quelhas, Daniel Ferreira, Manuel Belo); Jesuítas (Amadeu Pinto, Duarte Teixeira, Honório Santos, José dos Santos, Norberto Lino, Norberto Martins, Roberto Sequeira); Claretianos (Américo Faria, José Gonçalves, José Seixas, Manuel Leal); Scalabrinianos (Antonio Benetti, Attilio Barichello, Giuseppe Magrin, Luigi Tacconi, Luigi Vaghini); Filhos da Caridade (Joseph Poiron); Franciscanos (João Magalhães).

São padres diocesanos de outras dioceses: Camilo Martins, José Esteves e Júlio Nogueira, de Évora; Joaquim Sampaio, do Porto.



Estimulados por esta “nuvem de testemunhas”, somos a Igreja de Setúbal que, com Maria, se ALEGRA e EVANGELIZA!



sábado, 1 de novembro de 2014

Memória deuteronómica

«Deste modo o autor da Carta aos Hebreus chama a estar atentos aos que anunciaram o Evangelho e que já se foram... pede-nos para que recordemos a partir da fecundidade do que semearam entre nós. Pede-nos para que recordemos com a memória do coração, a memória deuteronómica que constrói sobre a rocha, que plasma vidas e marca corações.»

 

«“Lembrai-vos dos vossos dirigentes, que vos anunciaram a palavra de Deus. Considerai como terminou a vida deles, e imitai-lhes a fé” (Hb 13, 7). Deste modo o autor da Carta aos Hebreus chama a estar atentos aos que anunciaram o Evangelho e que já se foram. Pede-nos para lembrá-los, mas não daquele modo formal e, às vezes, comiserador, que nos faz dizer “quanto era bom!”, uma frase que ouvimos com frequência nos cemitérios. Este tipo de memória é uma simples recordação de formalidade social. Ao invés, pede-nos para que recordemos a partir da fecundidade do que semearam entre nós. Pede-nos para que recordemos com a memória do coração, a memória deuteronómica que constrói sobre a rocha, que plasma vidas e marca corações. Sim, o nosso coração se edifica sobre a memória daqueles homens e daquelas mulheres que nos aproximaram das fontes de vida e de esperança à qual poderão chegar também os que nos seguirem. É a memória da herança recebida, que por nossa vez, devemos transmitir aos nossos filhos.
Então, com essa memória, recordamos (os que já partiram) e perguntamo-nos: o que nos deixou cada um? Quais são as suas marcas que encontramos no caminho da nossa vida?
...
Agradeçamos a Deus nosso Senhor por tê-los conhecido. São dirigidas também a cada um de nós as palavras “considerai como terminou a vida deles, e imitai-lhes a fé” da Carta aos Hebreus.»

Buenos Aires, 6 de maio de 2012
Cardeal Jorge Bergoglio (atual Papa Francisco)