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sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Carmita Fortuna:



«Senhor, que eu não gaste inutilmente o tempo que me dás. Que saiba viver uma Vida cheia de Amor. Que eu saiba cumprir a Vontade do Pai e serei feliz, feliz!»


Cármen Antunes de Matos Fortuna, Carmita, nasceu em Quinta do Anjo, (Portugal), no dia 14 de Julho de 1937, no seio de uma família católica com poucos recursos económicos. Foi a décima primeira de 12 irmãos.
Aos 19 anos Carmita decidiu seguir o seu sonho, de se tornar uma "'mãe de família" para crianças que tinham sido abandonadas.
Em Maio de 1959, com apenas 21 anos, adotou o primeiro "filho", tinha apenas 20 dias e estava condenado a morrer de fome devido a falta de cuidados por parte da mãe, que era deficiente mental. Esta decisão da Carmita não for muito bem vista pelos que com ela conviviam, pois consideravam-na muito nova para assumir tamanha responsabilidade. Aquando da adoção da segunda "filha" com 7 anos, a Francelina, a reação geral já foi mais moderada, todavia, muitos não compreendiam como é que alguém era capaz de dedicar toda a sua vida a crianças que ninguém desejava. A adoção da terceira criança, a Gracinha, com apenas 15 meses, ainda não andava devido à fome qua sempre passara, foi um escândalo. Viu-se obrigada a abandonar o curso do Magistério e o seu emprego, no Sanatório do Outão, onde era secretaria. Algum tempo mais tarde, recebeu mais três irmãos (dois rapazes e urna rapariga) tinham 1, 6 e 10 anos respetivamente. No total, Carmita acolheu 6 crianças.
Foi internada no Instituto Português de Oncologia (IPO), pela primeira vês aos 22 anos, sendo-lhe diagnosticado cancro da mama. Era considerada um "Anjo Bom" para muitos que como ela se encontravam internados no IPO e graças ao seu singular poder de comunicabilidade e de estabelecer amizades, foi um verdadeiro exemplo de fé e perseverança, para muitos que estavam confinados a vaguear pelos corredores do IPO sem qualquer réstia de esperança. Soube transformar a sua vida num exercício constante de apostolado na escola, no emprego, junto dos amigos, na vizinhança, no hospital, em toda a parte; pela palavra, pela amizade, pelo amor...
Também se comprometeu em vários movimentos apostólicos organizados, como, a J.A.C.F (Juventude Agrária Católica Feminina) a nos Cursilhos de Cristandade; a todos marcou profundamente, não só pela sua fé, mas sobretudo pela sua coragem e audácia. Nunca se "entregou" à doença e manteve toda a sua vivacidade e entusiasmo contagiantes até aos últimos dias que permaneceu na terra.
A 14 de Maio de 1980, voltou para junto do Pai, deixando em todos os que com ela conviveram uma lição e um exemplo inestimável do valor do Amor e do viver para os outros.


 Testemunho de Mário da Silva Moura

Comecei a trabalhar no serviço de urgência do Hospital do Espírito Santo em 1953.
Atendia a qualquer hora as muitas pessoas que necessitavam de assistência para si ou para familiares, de noite ou de dia.
Uma ou duas vezes atendi uma jovem mãe com um qualquer problema num filho que trazia ao colo, mas despertou-me a atenção que das duas vezes a criança não era a mesma.
Muito atento aos problemas de relacionamento com os pacientes e a sua maneira de actuar, verifiquei que aquela mãe era duma ternura extrema para com os seus filhos apesar da sua franzina juventude.
O tempo ia passando e esta presença repetiu-se mais algumas vezes pelo que resolvi indagar de quem se tratava. Disseram-me então, para meu espanto, que era uma menina da Quinta do Anjo que deixara a sua própria profissão para acolher crianças abandonadas ou filhas de pais sem condições para as criar (prostitutas, alcoólicos, etc.).
Eu era ateu nessa altura e estava muito atento a actos de caridade que me apareciam no meu dia-a-dia - a bondade e o amor eram para mim algo de muito importante e tocavam-me no coração de maneira especial.
Estas presenças da Cármen Fortuna no banco do hospital foram alguns dos factos que mais contribuíram para vencer os meus problemas com Deus.
Assim comecei a ouvir falar e a conhecer a Carmita, como era conhecida, impressionado com a sua capacidade de entrega aos outros e mais impressionado ainda com toda a sua história de vida e a amorosidade que irradiava.
Fui também sabendo que pertencia a uma família de excepcionais características de preocupação com os outros e de vida cristã irrepreensível.
                                                        **
Ao fim de alguns anos com o acumular de testemunhos com este e após um Curso de Cristandade, acabei mesmo por aceitar que Deus residia nos nossos corações e que Jesus Cristo fora a Sua incarnação e continuava connosco.
E eram exemplos como o da Cármen Fortuna que davam corpo a esta verdade.
E de novo vim a contactar, agora com mais assiduidade e com outros olhos, com a Carmita que também acabou por frequentar um Cursilho na sua ânsia de entrega aos outros vindo a ser Reitora de cursos. Relembro como se apresentava nas reuniões como “mãe solteira, com seis filhos, um de cada pai!”, deixando toda a gente atónita até entender o que esta apresentação continha de substancia caritativa e de presença do Deus vivo!
Recordo também com encarou uma doença grave que a atingiu, como impressionava as pessoas com a sua aceitação do sofrimento (a sua Cruz!) e como animava as pessoas com quem convivia, até nos tempos do seu internamento hospitalar onde a sua acção apostólica ficou notabilizada – um testemunho exemplar, digno duma verdadeira santa!
A todos os que com ela conviviam era contagiante esta ternura, este espírito de entrega, esta alegria de viver, esta aceitação do sofrimento em oblação de si própria pelo bem dos outros, neste mundo tão cheio de miséria e de egoísmo.
Até aos seus últimos momentos, com sofrimento, se manteve fiel à sua Fé e à sua doação – o velório do seu corpo e o seu funeral foram verdadeiras homenagens a ela e ao Deus que a animava e sempre lhe orientou os seus passos. Foi uma manifestação de Fé extraordinária que impressionou e comoveu todos os que participaram em tal cerimónia fúnebre, cheia de cânticos, de alegria, ao som da leitura de versos escritos pela Carmita.
Um ambiente daqueles só foi possível porque o Espírito Santo pairava sobre aquela verdadeira santa.
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Tomei depois conhecimento mais pormenorizado sobre a sua forma de vida e sobre a sua maneira de ser através dum livro escrito por um dos seus irmãos.
Mas o que escrevi acima é que é o meu verdadeiro testemunho, saído do meu coração, sobre a Carmita.
Entendo que já se devia ter tomado a iniciativa de abrir um processo de beatificação de Cármen de Matos Fortuna – a nossa Igreja necessita de santos verdadeiros que deram sempre testemunho do Amor aos outros em todas as circunstâncias da vida, indo como Cristo até a entrega da própria vida.


Fonte: carmita.org

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Aliança de Misericórdia, numa diocese da Misericórdia



           
 O movimento Aliança de Misericórdia caracteriza-se por uma vivência e um anúncio ardoroso da Misericórdia de Deus, para com todos os pobres, sejam eles material ou espiritualmente, tendo sua origem no Brasil e presente em mais 6 países (Portugal, Itália, Bélgica, Polónia, Venezuela e Republica Dominicana).

            Atendendo ao convite de fazermos memória da nossa história e relaciona-la com a historia da nossa Diocese, vejo que apesar de pouco tempo, poderíamos escrever alguns livros e ainda seriam poucos para relatar o milagre que testemunhamos diariamente nesta Terra de Santa Maria.

            Por muito tempo caminhávamos à procura de um espaço em que pudéssemos desenvolver a Evangelização de acordo com que o nosso carisma exige e, portanto, chegando a esta igreja local, encontramos mais que um espaço físico…. Encontramos uma Igreja em saída…uma Igreja da Misericórdia.

            Fizemos uma proposta de Evangelização para nosso Bispo Dom Gilberto que, após um tempo de discernimento, aprovou e acolheu a comunidade, iniciando assim uma nova fase da missão em solo lusitano. Logo nos foi apresentada a Quinta-do-Álamo, um espaço muito amplo e próximo daquilo que Nosso Senhor nos inspirava para a Missão nesta Igreja. Começamos um período de conversações a fim de chegarmos a um acordo sobre como seria a nossa permanência neste local.

            Chegando a bom termo, viemos habitar na Quinta-do-Álamo e de maneira impressionante, Deus nos surpreendia com a sua providência divina. Em menos de um ano, dia após dia, assistimos o milagre acontecer, pois antes de morarmos no Álamo, residíamos em casas arrendadas em Lisboa e quando partimos para o Seixal não tínhamos muita coisa para trazer. Basicamente tínhamos as nossas roupas e um carro, pois os móveis e demais objetos pertenciam aos proprietários das devidas casas.

            Mas na certeza que a vida de despojamento atrai, porque é uma vida à maneira da Vida De Cristo, aquele que não tinha onde reclinar a cabeça, em pouco tempo muitas pessoas foram se aproximando da comunidade, fosse para estar connosco algum momento do dia, fosse para rezar ou ir à capelinha de oração… bem como pessoas que chegaram e foram sinais da Providencia Divina. Pouco a pouco fomos melhorando a estrutura da casa, de modo a criar melhores ambientes para o bom desenvolvimento da comunidade e para a Evangelização. Se no início morávamos um tanto apertados e até mesmo improvisando cómodos, um ano depois temos a graça de estar melhor instalados e com a possibilidade de acolher quem bate à nossa porta. Como dizia certa vez um jovem que encontramos nos bares do Seixal, numa noite de Missão, estando ele naquela realidade das drogas, que não sabia que a Igreja Católica saía às ruas para falar com os jovens e que estava realmente surpreso e agradecido por o terem escutado sem o terem julgado por aquilo que fazia ou o modo como vivia.

“Acreditamos que ninguém é tão pobre que não tenha algo para dar e nem tão rico que não tenha algo para receber.”

            Esta é nossa breve história mas em tudo damos Graças, e por esta Diocese de Setúbal que ao longo desses 40 anos gerou muitas vidas para a Igreja, contribuindo para a construção de um Mundo Novo, a que chamamos de “ Civilização do Amor”.


            Portanto como família diocesana digamos juntos:

“ Igreja de Setúbal, com Maria Alegra-te e Evangeliza”


Deus nos abençoe,


Missionário Luiz

Comunidade Aliança de Misericórdia