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terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Oração de D. Gilberto para os 40 anos da Diocese: leitura e interpretação teológico-pastoral


Pai Santo,
Somos a Igreja de Setúbal
que reúnes e animas
pelos braços do Teu Filho e do Espírito Santo
e que quer celebrar quarenta anos de Diocese.

= Somos a Igreja de Setúbal
À boa maneira paulina, se refere que a Igreja está, vive e faz-se num contexto sócio/geográfico muito concreto. Aqui se refere a realidade diocesana, onde cada um se sente parte dos outros que consigo caminham, sofrem, alegram-se, vivendo a graça do perdão e da comunidade.
As paróquias só têm sentido se estiverem em comunhão com a Diocese.

= Que reúnes e animas...
A ‘Igreja’ é a reunião dos irmãos, cuja expressão máxima se exprime na eucaristia. Reunião e animação que não dependem só dos fatores humanos nem dos ingredientes sociais.

= Pelos braços do Teu Filho e do Espírito Santo
Na linguagem dos padres da Igreja, nós somos ‘um povo unido pela unidade do Pai e do Filho no Espírito Santo’ (cfr. LG 4). Deste modo a Igreja é o ícone da Santíssima Trindade, onde o Pai e o Filho e o Espírito santo constroem e animam a vida dos cristãos e a comunhão das instituições.

= Que quer celebrar 40 anos de Diocese

Somos uma Igreja no espaço e no tempo, com história e com memória...no passado e com presente!
Pai santo,
nesta hora feliz, damos-te graças
por tantas pessoas, instituições e acontecimentos,
que são sinais do Teu amor por nós.

= Pai santo, nesta hora feliz, damos-te graças
A celebração dos 40 anos da Diocese de Setúbal é um momento de felicidade de índole espiritual e motivo de ação de graças… sendo a eucaristia uma dos expoentes máximos dessa vivência de gratuidade e de agradecimento pela ação da graça de Deus nesta porção do povo de Deus.

= Por tantas pessoas, instituições e acontecimentos
Eis uma pequena (mas significativa) lista de motivos para esta ação de graças, como diocese: as pessoas que habitam entre o Tejo e o Sado que se esforçam por fazerem parte desta Igreja; as instituições tanto de natureza civil como eclesial ou mesmo associativas e imensos acontecimentos que decorreram nestes 40 anos, tantos agradáveis como difíceis… tudo faz parte da vida e fez caminho de vida nesta e para esta Igreja.

= Que são sinais do teu amor por nós
Eis uma leitura urgente a fazer: ver tudo como sinal de Deus, nada é desperdiçado nem ninguém é excluído da nossa história pessoal e familiar, social e eclesial. Se tivéssemos, assim, uma visão de fé, pela esperança e na caridade tudo seria bem interpretado em Deus… para louvor d’Aquele para Quem tudo concorre para o bem daqueles que O amam! 

E pedimos-te
a paixão pela santidade,
a fé viva alimentada pela Palavra e pela Eucaristia
e um coração acolhedor de todos, sobretudo dos pobres.

= Pedimos-te a paixão pela santidade
Iniciamos uma série de ‘pedidos’ (intercessões e petições) para todos como Igreja e não meramente para cada um de forma isolada. Somos um corpo de Cristo santificado pelo poder do Espírito Santo. É, por isso, que solicitamos ao Pai que derrame o seu Espírito de santidade em nós, como diz o concílio Vaticano II, ‘santa Igreja dos pecadores’ (LG 48), isto é santa na sua natureza embora pecadora nos seus membros.
Mais do que uma qualidade da Igreja, a santidade que suplicamos é uma condição de afirmação dos cristãos no mundo: santos embora sujeitos à condição terrena de tentados e de pecadores.
Temos de assumir a ‘paixão pela santidade’ e isso fará de cada um de nós e de todos nós um povo marcado pela unção da santidade na vida de cada dia.

= A fé viva alimentada pela Palavra…
O cristão alimenta-se do ‘pão da vida’ seja na Palavra de Deus, revelada na Sagrada Escritura, seja pelo anúncio evangelizador da mesma Palavra na Igreja. Precisamos de ultrapassar o défice de conhecimentos da Bíblia, lendo, escutando, meditando e rezando a Mensagem da salvação que nos é comunicada na Palavra de Deus escrita e na Tradição. Não podemos continuar a ser ignorantes daquilo que Deus nos diz na Sua Palavra.
Em cada idade temos de acertar com o ritmo da nossa consciencialização humana e a aferição do nosso viver com a Palavra de Deus viva e eficaz… Certamente já crescemos muito, mas ainda nos falta muito mais.

= … e pela Eucaristia
À boa maneira dos primeiros cristãos precisamos, hoje, de dizer e viver: não podemos viver sem a eucaristia, sobretudo dominical. Os dados de afastamento da prática da eucaristia de domingo são preocupantes: seremos cerca de 4% em relação à população residente na área da diocese – 31.413 praticantes em 779.373 habitantes…
A chama do encontro com Cristo está muito fragilizada e, por isso, com muita facilidade se deixa ou abandona a missa de domingo… De fato, há mais igrejas, nestes 40 anos de diocese, mas os praticantes não cresceram tanto quanto era suposto… Há muita coisa a corrigir com verdade e humildade, dando testemunho da celebração da missa dominical, que dá sabor e alegria à nossa vida.

= Um coração acolhedor de todos…
Numa igreja minoritária há que mudar de estratégias, pois quem chega precisa de ser acolhido. Falta-nos. Normalmente, um serviço de acolhimento – desde a sua expressão mais simplista até à mais delicada – de quem nos procura, inserido numa visão de saber receber, aprender a escutar, ter tempo para explicar, incluir e enquadrar quem chega… Mais do que um cliente, esse/a que nos procura é um irmão ou uma irmã em quem Cristo está presente… seja conhecido ou desconhecido!

= … sobretudo dos pobres
Estes são os mais frágeis, os vulneráveis, os desempregados, as vítimas dos vícios, do desprezo… sem comida, sem casa (ou com a renda em atraso), sem água nem eletricidade… Esse pobre tem de ser acolhido com coração compassivo e misericordioso, não atendendo a quem é, mas a Quem ele represente, Jesus pobre e necessitado. 



Pedimos-te 
a graça de crescer como comunidade,
onde cada um se sinta amado
e se torne pedra viva e lugar de acolhimento.

= A graça de crescer como comunidade
Desde logo vale a pena ver a composição desta palavra: comum – unidade, isto é, tentarmos viver na comum unidade de irmãos na mesma fé a partir do mesmo Cristo em Igreja… Embora se possa dizer muito esta palavra, ela é, antes de tudo, uma dinâmica que se alicerça num coração convertido a Jesus e aos outros. Pois, os outros são a nossa componente de caminhada para crescermos – claro com atritos e diferenças – e não para nos ofendermos ou melindrarmos…
‘Crescer’ implica vida e dificuldade e, por vezes, esse crescimento traz crises, tendo em conta a etimologia desta palavra: momento de decisão, faculdade de distinguir, decisão… Todos nós temos de passar por crises de crescimento – na idade, na personalidade, na maturidade – e, se acontece nas pessoas, também acontecerá na convivência com outros.
Temos consciência de crescer como comunidade? Ou será que vivemos num certo ambiente tão pacato que mais parece um cemitério?
Crescer como comunidade implica conversão contínua e humilde… e precisamos de pedi-lo a Deus.

= Onde cada um se sinta amado
Ninguém se sente bem, seja onde for ou com quem for, se não se sentir amado, que é muito mais do que tolerado ou aturado… Ora, nós pedimos que, em comunidade, vamos crescendo em atitude de estima e acolhimento e ainda onde cada pessoa seja vista como é e não a partir dos adereços sociais, de instrução ou até de pretensão.
O desafio é alto e urgente, mas as etapas estão-nos acessíveis e à nossa disposição: à semelhança de Jesus temos de amar e de ser amados, ou como tem dito o Papa Francisco: cuidar e deixar-se cuidar… aprendendo a perdoar os erros e falhas dos outros para sermos também nós perdoados pelos outros, sobretudo pelos que nos conhecem (ou vão conhecendo) melhor.

= E se torne pedra viva…
Ser pedra viva do templo do Senhor, que é Igreja, é estar consciente da sua vocação e missão na Igreja e mesmo no mundo, pois só assim nos sentimos parte uns dos outros e criadores de comunhão à nossa volta. Não pode haver cristãos-sanguessuga, isto é que vivem à custa dos outros, nada fazem e quase tudo e todos criticam. Temos de descobrir e exercer os carismas que Deus nos concedeu para o crescimento da comunidade-Igreja. 

=… e lugar de acolhimento
Tendo sido acolhido, agora se reveste a mesma atitude: mais do que retribuir o que nos deram, devemos estar de coração aberto para acolher como Jesus. As figuras do samaritano (Lc 10,29-37) e da samaritana (Jo 4,1-42) podem servir-nos de modelos para viver este exercício contínuo de acolhimento: como cuidado pelos mais frágeis e como anunciadores do encontro com Jesus, que nos mudou a nossa vida. 


Pedimos-te
que, guiados pelo Espírito de Jesus,
sejamos ‘Igreja em saída’
a anunciar a todos a alegria do Evangelho.

= Guiados pelo Espírito de Jesus
Ungidos, somos enviados. Com efeito, o evangelho está contido entre duas palavras de Jesus: ‘vinde’ e ‘ide’… vinde após Mim e farei de vós pescadores de homens…E Eu envio!
Novamente pedimos ao Pai que, por Jesus, vivamos a dinâmica do envio, isto é, da missão. Não podemos ser cristãos só do templo, pois poderemos ser encurralados na sacristia, mas, partir da celebração da eucaristia, partimos para a missão. Nas palavras do Papa João Paulo II: da missa para a missão, isto é, a missa começa quando acaba a celebra-ção da eucaristia, esta faz-se presença e testemunho. Quem nos faz viver isso é o Espírito de Jesus, esse mesmo que O conduziu na sua vida pública de anúncio do Reino messiânico.

= Sejamos ‘Igreja em saída’
Esta expressão tem sido muito difundida pelo Papa Francisco. Diz-se na ‘Alegria do Evangelho’ : «Na Palavra de Deus, aparece constantemente este dinamismo de ‘saída’, que Deus quer provocar nos crentes (…) Que a pastoral ordinária em todas as suas instâncias seja comunicativa e aberta, que coloque os agentes pastorais em atitude constante de ‘saída’ e, assim, favoreça a resposta positiva de todos aqueles a quem Jesus oferece a sua amizade» (EG 20.27).
Desta forma estar em saída faz com que deixemos as amarras de segurança rotineira e as certezas duma fé cristalizada, para podermos entrar na aventura de novos horizontes e diferentes campos de intervenção… sem o cheiro a cera ou a pescar no aquário.

= A anunciar a todos a alegria do Evangelho
Este pedido é muito mais do que entender o que o Papa nos diz na exortação que nos faz ler e meditar com o mesmo nome. Este pedido é fazer com que o Evangelho seja isso que significa: boa nova para todos… sem anátemas nem excomunhões, tanto para fora como para dentro do espaço eclesial.
Há tantos campos e esferas de intervenção que só pela alegria d Evangelho poderemos penetrar com confiança e verdade. Como dizia recentemente o Papa: ‘nunca um santo teve uma cara de enterro. Os santos sempre tiveram o rosto da alegria, ou, pelo menos, o rosto da paz’!

Pedimos-te, com Maria,
um coração orante e tão cheio do teu amor
que encha de alegria as pessoas que encontramos.
Ámen.


= Pedimos-te com Maria
À boa maneira das mais recentes intervenções dos Papas, o nosso Bispo coloca, o final desta oração, aos cuidados de Nossa Senhora. Com efeito, Ela é a mãe, a protetora e a intercessora da nossa caminhada em Igreja e como Igreja diocesana, as famílias e as pessoas… tanto as crentes como todas as outras que vivem neste espaço diocesano.
= Um coração orante…
Depois de pedirmos um coração santo, um coração acolhedor e um coração ungido pelo Espírito Santo, queremos viver tudo isto com um coração orante, isto é, que vê, acolhe, aceita e contempla a presença de Deus nas coisas, nos acontecimentos, nas pessoas e na história… Rezamos com tudo e rezamos por tudo o que nos acontece.
= …e tão cheio do teu amor
É Deus quem preenche as nossas lacunas e infidelidades pela fidelidade Maria, com Ela, por Ela e n’Ela. A cheia de graça derrama sobre nós as graças e bênçãos divinas, hoje e para sempre.
= Que encha de alegria as pessoas que encontramos
Do trono da graça – que é por excelência Jesus e por participação especial Nossa Senhora – se derramam as bênçãos do Céu sobre a Terra, como lugar de provação, de anúncio e de testemunho. A paz e a alegria se derramem na nossa vida e através de nós, como portadores da bênção, se irradiem onde quer que se encontre um cristão.
Amen!


António Sílvio Couto
(10.janeiro.2015)

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Peregrinação Diocesana a Fátima - 25 de Outubro 2014

«Nesta peregrinação – que abre solenemente o ano pastoral preparatório da celebração dos 40 anos da diocese – peçamos para a Diocese a graça da oração contemplativa para sentirmos no peito a luz de Deus. Então, seremos capazes de fazer memória feliz e agradecida do amor de Deus e, de viver a paixão de dar Cristo aos homens e às mulheres, aos jovens e às crianças, como Maria o deu aqui em Fátima. Ele é a fonte da alegria profunda que nada nem ninguém nos poderá roubar.»



Homilia do Sr. Bispo D. Gilberto na peregrinação da Diocese de Setúbal a Fátima

Em Fátima, Nossa Senhora visitou-nos, como um dia visitou a prima Isabel, para nos dar Jesus, fonte inesgotável de alegria. Felicito-vos por terdes vindo até junto de Maria e convido-vos a abrir-lhe a alma com o encanto dos pastorinhos, sobretudo da Jacinta e Francisco, já beatificados.
Saúdo cada um de vós que pelo baptismo fostes incorporados em Cristo, revestidos do Espírito e reunidos na Igreja de Deus e que estais no coração do nosso Deus. Bem vindos. Caros diocesanos e peregrinos.
Os pastorinhos, a quem a Senhora mais brilhante que o sol apareceu, eram crianças normais, rezavam pouco, cuidavam o rebanho mas gostavam mais de brincar, tinham medo. Depois das aparições tudo muda: rezam longos tempos, sacrificam-se por amor a Deus, não têm medo de morrer mesmo no azeite a ferver, suportam a doença por amor a Jesus...
Que aconteceu para provocar esta mudança profunda na sua vida?
Não foi o susto das aparições nem quaisquer promessas mundanas. Foi a luz de Deus que Nossa Senhora colocou no seu peito, no decorrer das aparições. Foi essa luz que os impressionou.
Lúcia diz, acerca desta luz: Maria abriu... as mãos, comunicando uma luz tão intensa..que, penetrando-nos no peito e no...íntimo da alma, nos fazia ver Deus, que era essa luz, mais claramente que nos vemos no melhor espelho. O Francisco diz: "o que mais gostei foi ver Nosso Senhor na luz que Nossa Senhora nos meteu no peito. Gosto tanto de Deus! Mas Ele está tão triste, por causa dos muitos pecados"(..) "estávamos a arder, na luz que é Deus e não nos queimávamos. Como é Deus!"
A luz que a Senhora pôs no seu coração, encantou-os e transformou-os. Mostrou-lhes Deus no Seu encanto, fez-lhes desejar o Céu, sentir a maldade do pecado, levou a Jacinta a rezar pelos pecadores e o Francisco a rezar muitos terços para ir para o Céu e para consolar Jesus!
A experiência do amor de Deus criou neles um amor tão grande a Deus que os abriu plenamente à Sua vontade. Assim, à pergunta de Nossa Senhora "quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos em reparação dos pecados com que é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?" responderam: 'sim queremos'.
Caros irmãos e irmãs,
A experiência do amor de Deus renova as pessoas. A conversão dos pastorinhos, a partir desta experiência, confirma o que a história ensina: quando Deus Se revela em todo o Seu amor, o homem renasce. Também o Papa – na carta que me enviou pela Secretaria de Estado com a bênção aos artistas Rão Kyao e Teresa Salgueiro em resposta à oferta ao Santo Padre, por estes artistas, de seus trabalhos discográficos, feitos em ligação com o nosso Seminário de Almada – diz assim: " A nossa alegria não vem (..) de possuirmos muitas coisas, mas de termos encontrado uma Pessoa -Jesus-que está no meio de nós (...) com Ele, nunca estamos sozinhos, até nos momentos difíceis..".
Caros irmãos na fé,
Na preparação dos 40 anos da Diocese, a nossa primeira atitude é de alegria e de acção de graças a Deus por nos ter “tocado o peito” com a luz do Seu amor neste tempo. Este amor imenso e belo tornou possível todo o bem e crescimento destes anos, reuniu-nos como Igreja feliz e fiel e tem gerado belos frutos de vida e de santidade a par de tantas realizações que conheceis bem.
Conscientes do amor de Jesus que nos precede e envolve, queremos no curso do ano descobri-lo melhor e descobrir pessoas, instituições e obras que dele brotaram, que O revelam e, diante das quais, queremos dizer com Maria: “a minha alma engrandece o Senhor...”.
Caros peregrinos,
O amor de Deus sempre precede e envolve o cristão. A experiência deste amor, na fé viva, é essencial na vida cristã. Se está forte tudo se alcança, se está débil tudo se complica. Por isso, para sermos Igreja da alegria e da evangelização, pedi comigo à Mãe do Céu que, como na visitação, acenda no coração de cada diocesano – fiel leigo, clérigo ou religioso – a luz do amor de Jesus.
Envolvidos neste amor, conseguiremos dar a Deus, com os pastorinhos, um “sim” decidido, mesmo que implique grandes sacrifícios: os sacrifícios necessários para abrirmos o coração ao amor de Jesus, para
nos tornarmos discípulos missionários, evangelizadores com Espírito, Igreja em saída e capaz de mudar o que for necessário para sermos fiéis ao Evangelho.
Por isso, pedimos à Mãe do Céu que ponha em nós a luz do amor de Jesus, como fez aos pastorinhos, para apostarmos corajosamente na catequese dos adultos, na formação dos catequistas, na iniciação cristã exigente e cativante, no acompanhamento dos jovens. Pedimos esta luz para que tenhamos sede da Palavra divina e para que a missa dominical nos una a Cristo que comungamos, ilumine a vida da semana e nos reúna como família de Deus. Pedimos esta luz para acolhermos com a atenção de Jesus os que nos contactam e para ir ao encontro de quem busca a esperança.
Pedimos à Mãe do Céu o amor de Cristo para que brilhe em nós e para melhorarmos os nossos muitos e belos serviços de caridade, através de maior aposta no envolvimento de toda a comunidade, no trabalho em rede, na escolha e formação dos vários agentes, na cultura da espiritualidade cristã e no bom acolhimento a cada pessoa. Tudo isto para crescermos na arte de escutar bem o pobre, de o integrar plenamente na comunidade e de sensibilizar o povo de Deus para a urgência de conhecer, pôr em prática e divulgar o rico e actual ensinamento social da igreja.
Pedimos à Mãe do Céu a luz divina necessária para viver a alegria nas crises; para superar as queixas lamurientas, a maledicência e a rotina pastoral; para ser um só coração e uma só alma; para sermos alma cristã da Península de Setúbal e ricos na vocação laical, religiosa e sacerdotal.
Pedimos à Mãe do Céu a luz divina para detestar e combater o pecado e para rezar pelos pecadores; para tornar as famílias lugar onde germina e cresce a vida e o amor, lugar e escola de comunhão, de alegria, de oração e de evangelização e para aprender a acolher os casais em rotura; para nos tornarmos comunidades onde cada um se sinta acolhido e acolha bem e para que nos sintamos enviados a participar na construção duma sociedade mais justa e fraterna.
Caros diocesanos,
Do que mais precisamos é desta luz que Nossa Senhora meteu no peito dos pastorinhos e que os santificou. E precisamos de a pedir sem cessar porque Deus, embora a queira dar a todos, raras vezes a dá de forma extraordinária como aos pastorinhos.
Como acolher, então, a luz divina que não queima mas que encanta e tudo renova?
Acolhe-se desejando-a, pedindo-a com insistência e pondo-se a jeito de a receber. O sol entra em casa se abrirmos as janelas. A luz de Deus entrará em nós se abrirmos as janelas do nosso coração; entrará, se orarmos com Maria e os pastorinhos no silêncio orante, diante de Jesus escondido. Quem reza assim, irá descobrir na vida, por vezes negra como a noite, que o Deus bom está a sorrir-lhe e dizer-lhe: estou aqui e amo-te, nada te roubará a alegria!
Rezemos bem. Rezemos o terço, como Nossa Senhora pediu. Passemos mais tempo com Jesus escondido no sacrário e na Sua Palavra e tocaremos Deus na escuridão da vida como é dito no testemunho enviado à mãe pelo jornalista James Foley, executado pelos jiadistas:"Rezo por vós, para que sejam fortes e acreditem. Sinto que, ao rezar, vos consigo tocar mesmo nesta escuridão".
Nesta peregrinação – que abre solenemente o ano pastoral preparatório da celebração dos 40 anos da diocese – peçamos para a Diocese a graça da oração contemplativa para sentirmos no peito a luz de Deus. Então, seremos capazes de fazer memória feliz e agradecida do amor de Deus e, de viver a paixão de dar Cristo aos homens e às mulheres, aos jovens e às crianças, como Maria o deu aqui em Fátima. Ele é a fonte da alegria profunda que nada nem ninguém nos poderá roubar.
 
Ó Maria, virgem e Mãe,
ao visitares a tua prima Isabel
– grávida da presença de Jesus –
fizeste exultar de alegria João Baptista, no seio de sua mãe,
ao pressentir o Salvador
e, cheia de alegria, cantaste as maravilhas do Senhor.
Ó Maria, que nos visitastes neste lugar,
que encheste de luz o peito dos pastorinhos,
e que sois nossa padroeira sob a invocação de Santa Maria da Graça,
fazei-nos sentir a presença e a alegria de Jesus Ressuscitado
já nesta celebração e ao longo do ano, tão intensamente,
para que sejamos capazes de viver este ano pastoral
preparatório dos 40 anos da Diocese
sob o lema “Setúbal, com Maria, alegra-te e evangeliza”.
Ámen.

+ Gilberto, Bispo de Setúbal

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Igreja de Setúbal, com Maria, Alegra-te e Evangeliza


No dia em que a Diocese de Setúbal comemora o 39º aniversário da sua criação, D. Gilberto anuncia, em Mensagem, que o próximo ano pastoral vai ser dedicado a celebrar o 40º aniversário da Diocese (16 de Julho de 2015) e da ordenação e tomada de posse de D. Manuel Martins, seu primeiro bispo (26 de Outubro). D. Gilberto oferece também uma oração para ser rezada quotidianamente por todos os diocesanos, ao longo do ano. O ano abrirá com a nossa peregrinação a Fátima no próximo dia 25 de Outubro e encerrará com a vinda da Imagem da Virgem peregrina à nossa diocese entre 25 de 0utubro e 8 de Novembro de 2015, no contexto da preparação das dioceses de Portugal para o centenário das Aparições de Nossa Senhora em 1917.


Igreja de Setúbal, com Maria, Alegra-te e Evangeliza
 
Mensagem

Caros diocesanos,

No dia 16 de Julho de 2015 – de hoje a um ano – ocorre o quadragésimo ano da criação da nossa diocese e a 26 de Outubro o aniversário da ordenação e da tomada de posse do seu primeiro bispo, o senhor D. Manuel Martins.
Tendo em conta estes aniversários e tendo ouvido os vários Conselhos, pareceu-me oportuno dedicar o próximo ano pastoral à sua celebração.
O ano abrirá com a nossa peregrinação trienal a Fátima no próximo dia 25 de Outubro e encerrará com a vinda da Imagem da Virgem peregrina à nossa diocese entre 25 de 0utubro e 8 de Novembro de 2015, no contexto da preparação das dioceses de Portugal para o centenário das Aparições de Nossa Senhora em 1917.
Viveremos este ano pastoral sob a particular protecção de Nossa Senhora. Com Maria aprenderemos a deixar-nos envolver na luz do amor de Deus que, como dizia Francisco, não queima, mas enche o coração de luz. Com Maria vamos saborear e viver a alegria da experiência da presença de Deus na nossa vida nos primeiros 40 anos desta querida diocese, nomeadamente em tantas pessoas, instituições e realizações que o Espírito vem suscitando. Com Ela queremos, como pediu em Fátima, abrir-nos mais à conversão e deixar-nos conduzir-nos pelo Espírito Santo para testemunharmos ao bom povo desta Península a misericórdia infinita do Senhor.
Teremos, para nos mobilizar na celebração destes quarenta anos de peregrinação eclesial e diocesana, o seguinte lema:
 
Igreja de Setúbal, com Maria, alegra-te e evangeliza
 
O sr. Padre Carlos Rosmaninho, pároco do Montijo (Espírito Santo) coordenará as celebrações. Espero que com o seu talento envolva a todos – crianças, jovens, adultos, idosos – na oração, no anúncio deste projecto e na alegria desta celebração. Alegria que nasce da redescoberta da misericórdia de Deus e que contém o desejo ardente de sermos 'Igreja em saída' como o Papa Francisco nos tem pedido, sobretudo pela carta “A Alegria do Evangelho”, que desejamos meditar e assimilar.

Com Maria digamos todos um grande Sim!

Implorando a Bênção de Deus sobre cada um de vós, peço a vossa oração por mim e por toda a Diocese.

Setúbal, 16/07/2014

+ Gilberto, Bispo de Setúbal



Oração a recitar por todos, diariamente, ao longo do ano.
 

Pai Santo,
Somos a Igreja de Setúbal
que reúnes e animas
pelos braços do Teu Filho e do Espírito Santo,
e que está a celebrar quarenta anos de Diocese.
 

Pai Santo,
nesta hora feliz, damos-Te graças
por tantas pessoas, instituições e acontecimentos,
que são sinais do Teu Amor por nós.
 

E pedimos-Te
a paixão pela santidade,
a fé viva alimentada pela Palavra e a Eucaristia
e um coração acolhedor de todos, sobretudo dos pobres;
 

Pedimos-Te
a graça de crescer como comunidade
onde cada um se sinta amado
e se torne pedra viva e lugar de acolhimento;
 

Pedimos-Te
que, guiados pelo Espírito de Jesus,
sejamos 'Igreja em saída'
a anunciar a todos a alegria do Evangelho.
 

Pedimos-Te, com Maria,
um coração orante e tão cheio do Teu amor
que encha de alegria as pessoas que encontrarmos.
 

Ámen.