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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Memória agradecida de uma catequista de Setúbal

Apresentamos o diploma relativo aos 50 anos de catequista de Maria Virgínia de Sousa Fialho. O diploma de ação de graças, de 1980, apresenta a assinatura do pároco, o Rev. Pe. Francisco Graça, o diretor do Secretariado Diocesano de Catequese da Infância e Adolescência, Rev. Pe. Álvaro Teixeira, e o Sr. D. Manuel Martins.
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terça-feira, 14 de julho de 2015

Fazer memória… de duas testemunhas de Fé



Fazer memória sobre os 40 anos da diocese de Setúbal, para mim, é falar sobre as pessoas que a marcaram, durante este período.
Eu tinha 10 anos, quando foi criada a diocese (16 de outubro de 1975) e foram muitos os cristãos, felizmente, que conviveram comigo e foram exemplos de vida cristã durante estes anos, fora e dentro do espaço diocesano.
Ir. Matilde Morgado

A minha reflexão levou-me, em primeiro lugar, a fazer memória da Irmã Matilde Morgado, nascida em 6 de setembro de 1933. A irmã foi, durante 14 anos, a diretora diocesana de Secretariado da Catequese da Infância e Adolescência (de 1990 até 2004). Atualmente, encontra-se na Casa Provincial das Franciscanas Missionárias de Maria, em Lisboa, congregação à qual pertence.

Conheci-a quando eu tinha 25 anos. Convivi com ela durante quase todos esses anos…

Fiz o Curso Básico de Catequese e, a partir desse momento, chamou-me para colaborar na formação dos catequistas da diocese. Ainda hoje me pergunto porquê!!!

Acompanhei muito do trabalho realizado por esta mulher de fibra. Quem a via a caminhar com o seu chapéu de palha não adivinhava os problemas de saúde que ela tinha, desde muito nova, mas que nunca foram motivo para desarmar nas dificuldades. A sua força pessoal e espiritual era enorme e transmitia-a aos que com ela colaboravam.

Colocava um carinho e um amor especiais naquilo que fazia, mas também muita exigência consigo e com os que com ela colaboravam .

As coisas tinham mesmo que funcionar e o melhor possível ... quantas vezes, os que com ela colaboravam, estiveram reunidos, pela noite fora, para prepararem adequadamente as atividades, os cursos, as formações, os retiros, …

Corria a diocese de ponta a ponta, reunindo com os catequistas e párocos, dando formação e auxiliando nas questões que necessitavam de resolução, propondo soluções concretas.

Implementou o funcionamento das equipas vicariais de catequese … e, para melhor funcionarem, por vezes, participava nessas reuniões. No entanto, deixava nas mãos dos responsáveis, padres e catequistas, a dinamização das equipas vicariais.

Uma mulher de garra que enfrentou, por vezes, algumas situações de desconforto para conseguir responder ao pedido que o senhor bispo lhe tinha feito e ela tinha aceite.

Quando, em 2004, deixou de ser a diretora do secretariado, deixou um legado evangelicional muito grande … os catequistas tinham crescido na fé, através das múltiplas atividades formativas pedagógicas, catequéticas, espirituais, biblicas que ela planeou/implementou, tornando-os assim catequistas mais bem preparados para trabalharem ao serviço da Igreja Local e fazer crescer os irmãos na fé e no amor a Jesus Cristo


Só para recordar, houve anos em que, no Dia Diocesano do Catequistas, chegaram a estar presentes mais de 400 catequistas no salão da Anunciada. Nas Jornadas de Adolescentes, normalmete, realizando-se, cada ano, numa vigararia diferente, com atividades diversificadas e motivadoras, havia uma grande adesão por parte dos catequizandos/adolescentes e catequistas.


Pe. Norberto Lino
Outra pessoa que faz parte do meu “património religioso”, do da vigararia do Seixal e do da diocese foi, sem dúvida, o pe. Norberto Lino, nascido em 31 de maio de 1922 e falecido em 18 dezembro de 2009. Antes de se tornar pároco de Corroios (de 1977 a 1997), foi missionário em Moçambique.

O pe. Norberto Lino, jesuita, surgiu na minha vida quando eu andava no seminário e tinha uns 12 anos. Quando vinha a casa, eu acompanhava-o na vida paroquial, acolitando nas celebrações eucarísticas, presenciando/vivenciando muitas das suas tarefas, atitudes, comportamentos e ajudando no que era necessário. Agradeço a Deus a sua presença na minha vida, pois aprendi muito com este homem simples, mas, ao mesmo tempo, muito culto. 


O testemunho do trabalho que realizou e da entrega à Evangelização numa paróquia, inicialmente, tão pouco catequizada/evangelizada, levou a que muita gente, aos poucos e poucos, se fosse aproximando da Igreja.

O seu espírito de partilha fez com que fosse entregando, a leigos comprometidos, muitos dos trabalhos que deveriam e poderiam ser realizados por eles, exigindo-lhes, no entanto, que prestassem contas do que iam fazendo. Assim, foi criando cristãos responsáveis e empenhados em Igreja. Isso permitiu-lhe dinamizar e desenvolver as comunidades de Corroios, Miratejo e Vale de Milhaços.

Não só criou uma Igreja humanizada, feita de cristãos empenhados, comprometidos, com formação religiosa e espiritual, fruto da criação e dinamização de grupos de reflexão e ação, mas também ampliou a igreja paroquial de Corroios e construiu as Igrejas das duas novas comunidades que iam surgiram: Miratejo e Vale de Milhaços, sempre com muito apoio dos seus paroquianos.

Foi este o homem que me acompanhou (ou melhor dizendo, que eu acompanhei, ao longo de alguns anos), um homem que se preocupava imenso com as pessoas e as ajudava quando elas precisavam a nível pessoal, económico, espiritual e social.


Para mim, este homem foi (é) um exemplo de amor e dedicação ao Evangelho e de inspiração para os seus paroquianos. O seu empenhamento foi notável no crescimento deste pequeno Reino de Deus na freguesia de Corroios.
São homens e mulheres como estes que fazem crescer o Reino de Deus.
É por isso que devemos recordá-los para que outros possam também saber que há grandes homens e mulheres, ainda hoje em dia, ao serviço de Jesus Cristo e que vivem de forma simples, mesmo ao nosso lado.

Artur Barros

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

40 ANOS A ANUNCIAR JESUS NA ALEGRIA DO EVANGELHO - SECRETARIADO DIOCESANO DA CATEQUESE DA INFÂNCIA E DA ADOLESCÊNCIA DE SETÚBAL


AS ORIGENS

O então chamado Secretariado Regional da Catequese da Península de Setúbal, foi inaugurado no dia 28 de Dezembro de 1966. Ficou com sede numa sala da Capela de Nossa Senhora da Conceição na Avenida 5 de Outubro em Setúbal. Presidiu à primeira reunião o que era então Vigário Episcopal, o Rev.do Cónego Dr. João Alves. Nesta altura, era Responsável Regional da Península Maria Virgínia de Sousa Fialho, sendo as Irmãs Susana do Menino Jesus e Maria Cristina Amélia Responsáveis Vicariais de Setúbal. A Responsável Vicarial de Almada era Maria Teresa Rodrigues Piteira e a da Moita-Montijo Alcina de Jesus Oliveira.
De início, as reuniões trimestrais destes catequistas eram feitas em conjunto com os Responsáveis da Obra das Vocações Sacerdotais. Por sugestão do senhor Vigário Episcopal, elas passaram a realizar-se só com a participação dos Coordenadores das Catequeses Paroquiais, ficando a Obra das Vocações Sacerdotais de promover uma reunião com os Dirigentes de todas as Obras Paroquiais nas três Vigararias desta Região. O visitador da Vigararia de Setúbal era o Rev.do Padre José do Carmo Vicente e o de Almada o Rev.do Pe. Rodrigo Gouveia de Paiva. A Vigararia da Moita-Montijo ainda não tinha visitador nomeado.
Com o tempo, cada Vigararia foi dividida em zonas, ficando à frente de cada zona um Coordenador que colaborava com o Responsável Vicarial. Tentava-se implementar uma orgânica Vicarial para dar resposta aos problemas concretos locais. Assim, a Vigararia de Almada ficou dividida em três zonas, a saber, Almada, Seixal e Costa, cada qual com um Coordenador local. As Vigararias de Moita e Montijo também ficariam divididas em três áreas. Uma centrada no Barreiro, outra na Moita e outra no Montijo. O mesmo aconteceu à Vigararia de Setúbal, segmentada na Anunciada, S. Julião e Santa Maria.
No mês de Julho de 1967 o Vigário Episcopal, Rev.do Cónego Dr. João Alves, comunicou a criação, para breve, de uma equipa missionária, formada por casais, que poderia atuar também no apostolado da Catequese.
Os Responsáveis de Catequese participavam nas reuniões Diocesanas em Lisboa. Já então se estudava a possibilidade da realização de Cursos de Iniciação, do Curso Elementar e do Estágio.
Em Outubro do mesmo ano o Secretariado Regional da Catequese desta Região tem como assistente o Rev.do Padre Adriano Nunes.
Também no ano seguinte teria início o Catecumenado como resposta à necessidade da organização da Catequese e Batismo de adultos.
Em Janeiro do ano 1970 foi nomeado Assistente Regional o Rev.do Pe. José Cordeiro a quem se seguiu o Pe. Manuel Pinheiro da Silva Ramalho (atual pároco da Paróquia do Pinhal Novo). Serviço importante para a organização da catequese na região devido ao trabalho de coordenação promovido entre os Assistentes Vicariais e, destes, por sua vez, com as Paróquias. Nas reuniões do Secretariado Regional da Catequese participavam o Assistente Regional e todos os Responsáveis Vicariais. Dava-se conta de como se ia trabalhando nos vários locais, quais as dificuldades a resolver, sugestões e planificação de ações de Formação e de Encontros, de Reuniões, de Cursos e de Retiros...

Pe. Manuel Ramalho

NASCE A DIOCESE E O SECRETARIADO DE CATEQUESE

Em 16 de Julho de 1975 com a criação da Diocese, o secretariado regional da Região Pastoral de Setúbal passou a ser Secretariado Diocesano de Catequese da Infância e Adolescência da Diocese de Setúbal.
Em substituição do Pe. Ramalho, em 1977 toma posse como novo Assistente Regional o Pe. Álvaro de Magalhães Teixeira, (CMF, padre Claretiano, atual pároco da Paróquia de São Sebastião de Setúbal). Foram constituídas Equipas de trabalho e Responsáveis de Zona a trabalhar sempre de acordo com os párocos e em contacto com o Secretariado.
Pe. Álvaro Teixeira CMF
Foi, assim, sentida a necessidade de descentralização do Secretariado Diocesano da Catequese para facilitar mais o trabalho e a corresponsabilidade dos dirigentes nas diversas Zonas.
Segundo as informações encontradas, no período entre 1983 e 1992 esteve como Responsável do Secretariado da Catequese a Irmã Ilda Fontoura (FMNS, Franciscana Missionária de Nossa Senhora) que tinha como auxiliar a Irmã Maria Arminda Pimenta de Castro (FMM. Franciscana Missionária de Maria). No ano 1992 foi substituída nesse trabalho pela Irmã Matilde Morgado (FMM) que durante doze anos, juntamente com uma equipa de colaboradores, levou para a frente com entusiasmo, sabedoria, criatividade, dedicação e amor à Igreja esta missão, como Diretora deste Secretariado. 
Irmã Matilde Morgado
Em Julho de 2004 foi nomeada para este serviço a Irmã Maria Zélia da Cunha Aires FMA (Salesiana, FMA). Iniciou funções no dia 7 de Setembro do mesmo ano e exerceu-as durante sete anos, até ao verão de 2011. Durante este tempo a Irmã Zélia sentiu o ardor missionário da Diocese e tentou dar continuidade ao trabalho anterior. A Formação dos Catequistas foi prioridade. Apostou-se no Curso de Iniciação, no Curso Geral e na realização de Estágios de Catequese. Continuou e empenhou-se no trabalho conjunto do Interdiocesano, do qual fazem parte as cinco Dioceses da Zona Centro do País: Dioceses de Leiria/Fátima, Lisboa, Portalegre/Castelo Branco, Santarém e Setúbal. Foi atenta aos problemas do Secretariado Nacional de Educação Cristã e tudo fez para dar resposta aos seus apelos e orientações. A Irmã Zélia foi ainda uma das dinamizadoras do A3 Jovem, onde parte dos seus participantes era jovens do 10º ano de catequese.
No Ano Pastoral 2011-2012, foi dada ao Secretariado como nova tarefa a dinamizar o Despertar da Fé das crianças dos 0 aos 6 anos. Desde então tem assumido a formação diocesana dos educadores e auxiliares de infância das Instituições Diocesanas de Solidariedade Social com Jardim de Infância.


Irmã Zélia Aires

Desde Setembro de 2011, o diretor do Secretariado é o Pe. Rui Augusto Jardim Gouveia.

MEMÓRIA DE DEUS
Nestes quase 40 anos da Diocese, o Secretariado recorda, pelo coração de Jesus, tantos catequistas que esta terra viu nascerem na fé e descobrirem a sua vocação missionária, que guiou e alimentou pela formação e sacramentos, que cresceu em santidade e graça pelo seu anúncio fervoroso.
Os catequistas são uma porção considerável do Povo de Deus de Setúbal que, generosamente, cada um ao serviço desta Igreja, sabe, nas palavras do nosso Papa Francisco, que «é pessoa da memória de Deus, se tem uma relação constante, vital com Ele e com o próximo; se é pessoa de fé, que confia verdadeiramente em Deus e põe n’Ele a sua segurança; se é pessoa de caridade, de amor, que vê a todos como irmãos; se é “hypomoné”, pessoa de paciência e perseverança, que sabe enfrentar as dificuldades, as provas, os insucessos, com serenidade e esperança no Senhor; se é pessoa gentil, capaz de compreensão e de misericórdia» (homilia aos catequistas, 29 de Setembro 2013).
Há uma «nuvem de testemunhas» de catequistas que fazem parte da nossa história de Salvação, porque cada um «guarda e alimenta a memória de Deus; guarda-a em si mesmo e sabe despertá-lo nos outros. É belo isto»! Ao fazer esta «memória do coração», que é hino de vida e de ação de graças, pedimos a Jesus que toda a nossa vida seja «memória de Deus».