sábado, 18 de julho de 2015

FAZEMOS HOJE MEMÓRIA AGRADECIDA: 40 ANOS DE VIDA! E QUE VIDA!



16 de Julho de 2015
Sé, 18h00 

Introdução à celebração

Celebramos, neste 16 de Julho de 2015, os 40 anos daquele dia em que muitos de nós recebemos jubilosos a notícia da criação da Diocese de Setúbal. Sua Santidade, o Papa Paulo VI, com a Bula “Studentes nos”, criava neste dia, em 1975, a nossa Diocese.
O nosso júbilo não nascia de qualquer desejo de independência em relação ao Patriarcado de Lisboa, em que tínhamos nascido e vivido na fé e no exercício das várias vocações e ministérios com que servíamos a nossa querida diocese de Lisboa. Por isso a saudamos hoje, como diocese mãe, na pessoa do seu Pastor aqui presente, o Senhor Cardeal Patriarca, D. Manuel Clemente.
Nem subsistia em nós a velha expectativa surgida no recuado ano de 1926, quando a República criou o distrito de Setúbal, desmembrando o seu território do distrito de Lisboa, de fazer corresponder à divisão administrativa a divisão eclesiástica.
A Diocese de Setúbal, como a de Santarém e, pouco mais tarde a de Viana do Castelo, é fruto da eclesiologia do Concílio Vaticano II.
Para se conseguir a finalidade própria da diocese, é preciso que a natureza da Igreja se manifeste claramente no Povo de Deus que pertence à diocese (…) Isto exige, quer a conveniente delimitação territorial das dioceses, quer uma distribuição dos clérigos e dos recursos racional e correspondente às exigências do apostolado. (…) Portanto, em matéria de limites das dioceses, o sagrado Concílio dispõe que, na medida em que o bem das almas o exigir, se realize quanto antes, com prudência, a conveniente revisão, dividindo ou desmembrando ou unindo dioceses, alterando limites…” (Christus Dominus, 22, publicado em Outubro de 1965). Logo em Maio de 1966, o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira, decide criar no Patriarcado três regiões pastorais – Lisboa, Santarém e Setúbal – e em Julho seguinte – curiosamente no dia 16 – nomeia os encarregados destas regiões, sendo confiada a Região Pastoral de Setúbal ao, então, Cónego João Alves, com o ofício de “Vigário Episcopal”. Em 1967, o Patriarca de Lisboa institui o seu Conselho Presbiteral e com ele estabelece como prioridade, no contexto da renovação pastoral do Patriarcado inspirada pelo Concílio, a criação das novas dioceses de Setúbal e Santarém.
Neste mesmo dia, há quarenta anos, soubemos quem era o nosso primeiro Bispo. O então Vigário Geral da Diocese do Porto fora eleito por Paulo VI para primeiro bispo da nova diocese de Setúbal: D. Manuel da Silva Martins. Também hoje de parabéns.
De parabéns está também esta magnífica igreja de Santa Maria da Graça que neste mesmo dia, há 40 anos, pela já mencionada Bula, foi elevada a catedral.
É nesta igreja que estamos reunidos, comunidade católica, irmãos cristãos de outras Igrejas, representantes de vários sectores da sociedade. Quisemos convidar-vos para partilhar convosco este nosso júbilo e agradecer a Deus o dom desta Diocese e da sua vida de 40 nanos, desde os tenros e agitados anos da sua infância ao seu crescimento e maturidade, com as alegrias e os sofrimentos, as esperanças e as angústias, não só dos cristãos, mas de todos os homens e mulheres deste território em que somos Igreja, em que procuramos ser para todos rosto e luz de Cristo.
40 anos de vida! E que vida!
Tem sido uma vida de grandes aprendizagens. Os primeiros tempos foram marcados por muitas dificuldades de ordem política, ideológica, social e também religiosa. Graves problemas na vida económica e laboral atingiram particularmente a região na década de 80. Como sempre acontece nestas situações, porque a Igreja é conduzida e animada pelo Espírito Santo, os tempos difíceis constituíram grandes desafios para a jovem diocese. D. Manuel Martins apontou, com o seu ministério atento e corajoso, o caminho a esta Igreja que lhe fora confiada. Uma Igreja em minoria social, mas consciente da grandeza da sua missão precisamente numa sociedade conturbada, para lhe levar, como ninguém o poderia fazer melhor, o Evangelho da justiça, do respeito pela vida e pelo trabalho, da paz, na solidariedade com os que mais sofrem, fazendo suas “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens do nosso tempo, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem…” (Cf. Gaudium et Spes, 1).
Hoje contamos por milhares os cristãos leigos na nossa Diocese, homens e mulheres, jovens e adultos que fizeram esta aprendizagem e descobriram a beleza e os desafios do sacerdócio baptismal, a sua vocações e a missão específicas no mundo e na Igreja.
Muitos destes cristãos leigos ousaram partilhar a fé e o compromisso na sociedade associando-se em movimentos e obras que levam para o mundo a alegria e a esperança do Evangelho. É o CNE com milhares de jovens e crianças. São os Cursilhos de Cristandade com 225 cursos realizados. É o Renovamento Carismático espalhado por toda a parte. São os Convívios Fraternos ao serviço dos jovens. É o Caminho Catecumenal, o Movimento da Mensagem de Fátima e tantos outros...
A Igreja diocesana cresceu particularmente nos serviços de caridade que reúnem mais de cinco mil pessoas ao serviço dos pobres nos Centros Sociais Paroquiais, na Caritas, nas Conferências Vicentinas, nos grupos informais por toda a Diocese, nas Misericórdias e ainda no Vale de Acor, no Centro Jovem Tabor, nos Visitadores dos Reclusos, nos Visitadores de Doentes, na Casa do Gaiato.
Lembro as novas vigararias (em 1975 eram 4; hoje são sete) e as novas paróquias (em 1975 eram 40; hoje são 57). Lembro a comunicação social: o “Notícias de Setúbal” nas duas etapas da sua publicação; “A Seara”; e alguns dos meios que infelizmente se extinguiram: “O Jornal de Almada”; a “Rádio Voz de Almada”; “A Tribuna do Povo”.
Lembro todo o esforço da formação da fé, desde a iniciação cristã à Escola da Fé, presente em várias vigararias.
Lembro, finalmente, o nascimento e crescimento da Cúria, do Seminário e dos Conselhos que assessoram o ministério do Bispo; as peregrinações a Fátima, as Assembleias Diocesanas, as 45 ordenações sacerdotais (em 16 de Julho éramos 40 padres; hoje somos mais de 80), as 15 ordenações de Diáconos Permanentes, as 40 igrejas e locais de culto, construídas com tanto amor e fé; a entrega do Seminário de Almada e do Cristo Rei; e tantas outras coisas que Deus conhece e que estão a florescer sem darmos conta.
Por tudo isto, fazemos hoje memória agradecida de tudo o que nestes 40 anos Deus fez em nós e por nós.

P. José Lobato, Vigário Geral

quinta-feira, 16 de julho de 2015

AS MÃOS DO SACERDOTE


D. Isaura, colaboradora da Casa do Gaiato de Setúbal, que faleceu no passado mês de Maio.


Muitas vezes me têm pedido para contar como e porquê entrei para a Casa do Gaiato, e para a Casa do Gaiato de Setúbal, já que vivia próximo da Casa do Gaiato de Miranda do Corvo.

«Porque escolhestes o Gaiato e a Casa de Setúbal?»

Depois da morte do meu Pai fui viver para Miranda aos cuidados de uma família amiga e na sua companhia frequentava a Casa do Gaiato, ia lá a várias celebrações.
Depois do falecimento de Pai Américo, estaria eu entre os dez ou doze anos, fui lá a uma Missa Nova. O movimento e alegria dos rapazes nos preparativos e a própria celebração foram lindos! Lembro-me de andar no meio dos apertões para beijar as mãos do sacerdote... Não foi fácil... de repente senti que fui puxada... o sacerdote tinha reparado na dificuldade de uma menina franzina. Aconchegou-me a ele, fez-me carícias na cabeça e na face, beijou-me e deu-me as suas mãos a beijar. Aquele gesto do Sacerdote nunca mais foi esquecido na minha vida! Muitas vezes procurava e esperava encontrá-lo, mas nunca mais o vi.

Mais tarde, quando tinha 17 anos, vim a uma Missa Nova a Vila Seca, minha paróquia de origem. Num determinado momento do sermão, o novo padre fez um apelo às raparigas cristãs para que nas suas orações pedissem a Deus, que ao casarem lhes concedesse um filho sacerdote ou ainda que através da oração "adoptassem" um sacerdote que conhecessem ou algum que tivesse maiores dificuldades. De imediato pensei naquele Sacerdote da minha infância, talvez um dia viesse a reencontrá-lo e conhecê-lo.

Começou a minha juventude integrei-me em diversos grupos e actividades culturais e de apostolado, na paróquia de Miranda e mesmo no âmbito da diocese (liturgia, catequeses...) e recomecei a estudar à noite.

Mais à frente pensei que a minha vida tinha que dar uma volta e fui ter com o Padre Horácio, (responsável pela Casa do Gaiato de Miranda) dizer-lhe da minha vontade de integrar a Obra e vir para a Casa do Gaiato, mas ele disse-me que não... que eu estava muito envolvida na paróquia e com trabalhos na diocese, que os Padres iriam sentir a minha falta e pensar que tinha sido ele a puxar-me para outra missão (ele conhecia-me e sabia que a diocese tinha apostado na minha formação, também financeiramente, e que estava também depositada esperança para o meu trabalho na formação na catequese) disse-me também que ia sentir-me dividida ao ver a falta que fazia nas tarefas que desempenhava até ali, e que não podia estar nos dois lados.

A partir desse momento fiz um corte radical com toda a Obra da Rua. Deixei tudo: de frequentar a casa, de ler o jornal... TUDO!

Durante uns anos permaneci no meu trabalho e responsabilidades assumidas... continuei a estudar à noite e fiz os meus projectos... e isto andava assim...

Um dia, surgiu uma Ultreia Diocesana em Chão de Couce. Quando cheguei, um jovem andava a pedir autógrafos e também pediu o meu e disse-me ainda: "Olha, tens o teu autocolante ao contrário, de pernas para o ar". Eu olhei, mexi e respondi: "Está de pernas para o ar para ti, para mim está bem, que é para eu ler", e ele acrescentou “Raciocinaste muito rápido. Está com muito cuidado ao dia de hoje que há uma mensagem para ti".
Fomos às celebrações e trabalhos da manhã e no fim fomos almoçar. O padre Horácio, que também estava, chamou os grupos de Miranda e convidou a almoçarmos juntos, no final da refeição disse: "Arrumamos os farnéis e logo à tarde, no regresso o primeiro carro que encontrar um bom lugar para lanchar encosta, e quando estivermos todos lanchamos". E assim aconteceu.

No final da merenda o Padre Horácio disse: "Para terminar este dia lindo vamos todos ao bar da Casa do Gaiato beber um cafezinho". Ouve-se um "Vamos, vamos..." e depois um silêncio (duas ou três pessoas no grupo sabiam do meu corte com a Casa). O Sr. Fausto Branco interrompeu o silêncio e dirigindo-se directamente a mim falou: "Há uma pessoa que ainda não se manifestou. Então Isaura? Vamos ou não vamos? Ou vamos todos ou não vai ninguém." Eu respondi "Claro, por causa de mim não se vai estragar a festa."
No final, já na Casa do Gaiato, Padre Horácio chamou-me e disse que precisava de mim, ele tinha que sair durante o mês de Agosto e pediu se eu ia fazer um acompanhamento aos rapazes. Também tinha pedido ao Sr. Fausto que aceitou ir ajudar.

«Dentro dos nossos muros tudo se aproveita.
O mal para que se transforme e o bem para que melhore.
Nós somos a seara imensa do trigo e do joio»
Pai Américo

Entretanto, nesse Agosto, quando eu já estava na Casa do Gaiato de Miranda com os rapazes o Padre Telmo mandou um recado. Tinha tido conhecimento da minha situação e chamou-me para dizer que as coisas não podiam ficar assim, que ainda era tempo de eu vir para a Obra... Eu disse que não, que esse assunto, dedicar-me ao Gaiato, estava ultrapassado, que tinha arranjado outras coisas e já não podia. Então ele disse-me "Isaura, na nossa vida Jesus passa uma vez, passa duas vezes e às vezes não passa mais."

Perdi o sono, fiquei sem dormir... e uma noite às três e meia da manhã ajoelhei-me na minha cama e voltei-me para a imagem de Jesus jovem que estava no meu quarto e disse-lhe: "Sim. Eu vou. Vou para Setúbal. Mas agora deixai-me dormir." E adormeci como por encanto. De manhã quando acordei, acordei de um sonho do qual queria fugir. Fui para o terraço, abri a Liturgia das Horas, para ver por onde podia escapar e apareceu-me isto:

 
Fica connosco. Senhor, porque anoitece

Como Te encontraremos.
Ao declinar do dia,
Se o teu caminho não cruzar
O nosso caminho?
Fica connosco,
Dá-nos a tua luz:
E o alegria vencerá
A escuridão da noite.
Venham às nossas mãos
Para Ti estendidas.
As chamas acesas do Espírito,
Fonte da Vida;
E purifica no mais fundo
Do coração do homem
A tua imagem
Que a culpa escureceu.
Vimos romper o dia
Sobre o teu belo rosto,
E o sol abrir caminho
Em tua fronte:
Não deixes o vento da noite
Apagar o fogo novo
Que, ao passar, na manhã,
Tu nos deixaste.



Comuniquei então ao Padre Telmo a minha decisão e que vinha para Setúbal, respondendo aos apelos feitos no Jornal "O Gaiato".

Em Outubro o Padre Acílio foi buscar-me a casa. No carro, na viagem para Setúbal, perguntou-me se eu alguma vez tinha ido a uma Missa Nova a Casa do Gaiato, respondi que sim, quando tinha para aí dez ou doze anos fui a uma Missa Nova de um rapaz, de um gaiato talvez. Então ele contou-me "Esse rapaz era eu". Eu vinha lavada em lágrimas de ter deixado Miranda e ele disse-me que o rapaz era Ele. Nunca mais conversámos sobre esta coincidência, a vida e o Amor de Deus são um mistério e devemos estar atentos aos sinais que Ele nos deixa.

Esta reflexão foi-me pedida no 25e Domingo do Comum em que no Evangelho (Mateus 20, 1-16) Jesus nos conta a parábola do proprietário que vai contratar os trabalhadores para a sua vinha. Começou a contratar pela manhã e terminou ao final do dia. Uns vão o dia todo, outros ao final da manhã e ainda alguns só ao final do dia.

Escuta o recado daquele jovem do autógrafo!

Toma atenção ao recado do Padre Telmo: Jesus passa uma vez, passa duas vezes, pode não passar mais.

Será que alguma vez passou por Tl?

«Não te falo de perfume nem beleza
Falo-te de doação...
De gratuidade...
Só um coração liberto entenderá o segredo»
Pai Américo

Cantinho das Senhoras Casa do Gaiato
Setembro de 2014 (Isaura, Setúbal)

terça-feira, 14 de julho de 2015

Padre António Augusto Sobral


Fazer memória… de duas testemunhas de Fé



Fazer memória sobre os 40 anos da diocese de Setúbal, para mim, é falar sobre as pessoas que a marcaram, durante este período.
Eu tinha 10 anos, quando foi criada a diocese (16 de outubro de 1975) e foram muitos os cristãos, felizmente, que conviveram comigo e foram exemplos de vida cristã durante estes anos, fora e dentro do espaço diocesano.
Ir. Matilde Morgado

A minha reflexão levou-me, em primeiro lugar, a fazer memória da Irmã Matilde Morgado, nascida em 6 de setembro de 1933. A irmã foi, durante 14 anos, a diretora diocesana de Secretariado da Catequese da Infância e Adolescência (de 1990 até 2004). Atualmente, encontra-se na Casa Provincial das Franciscanas Missionárias de Maria, em Lisboa, congregação à qual pertence.

Conheci-a quando eu tinha 25 anos. Convivi com ela durante quase todos esses anos…

Fiz o Curso Básico de Catequese e, a partir desse momento, chamou-me para colaborar na formação dos catequistas da diocese. Ainda hoje me pergunto porquê!!!

Acompanhei muito do trabalho realizado por esta mulher de fibra. Quem a via a caminhar com o seu chapéu de palha não adivinhava os problemas de saúde que ela tinha, desde muito nova, mas que nunca foram motivo para desarmar nas dificuldades. A sua força pessoal e espiritual era enorme e transmitia-a aos que com ela colaboravam.

Colocava um carinho e um amor especiais naquilo que fazia, mas também muita exigência consigo e com os que com ela colaboravam .

As coisas tinham mesmo que funcionar e o melhor possível ... quantas vezes, os que com ela colaboravam, estiveram reunidos, pela noite fora, para prepararem adequadamente as atividades, os cursos, as formações, os retiros, …

Corria a diocese de ponta a ponta, reunindo com os catequistas e párocos, dando formação e auxiliando nas questões que necessitavam de resolução, propondo soluções concretas.

Implementou o funcionamento das equipas vicariais de catequese … e, para melhor funcionarem, por vezes, participava nessas reuniões. No entanto, deixava nas mãos dos responsáveis, padres e catequistas, a dinamização das equipas vicariais.

Uma mulher de garra que enfrentou, por vezes, algumas situações de desconforto para conseguir responder ao pedido que o senhor bispo lhe tinha feito e ela tinha aceite.

Quando, em 2004, deixou de ser a diretora do secretariado, deixou um legado evangelicional muito grande … os catequistas tinham crescido na fé, através das múltiplas atividades formativas pedagógicas, catequéticas, espirituais, biblicas que ela planeou/implementou, tornando-os assim catequistas mais bem preparados para trabalharem ao serviço da Igreja Local e fazer crescer os irmãos na fé e no amor a Jesus Cristo


Só para recordar, houve anos em que, no Dia Diocesano do Catequistas, chegaram a estar presentes mais de 400 catequistas no salão da Anunciada. Nas Jornadas de Adolescentes, normalmete, realizando-se, cada ano, numa vigararia diferente, com atividades diversificadas e motivadoras, havia uma grande adesão por parte dos catequizandos/adolescentes e catequistas.


Pe. Norberto Lino
Outra pessoa que faz parte do meu “património religioso”, do da vigararia do Seixal e do da diocese foi, sem dúvida, o pe. Norberto Lino, nascido em 31 de maio de 1922 e falecido em 18 dezembro de 2009. Antes de se tornar pároco de Corroios (de 1977 a 1997), foi missionário em Moçambique.

O pe. Norberto Lino, jesuita, surgiu na minha vida quando eu andava no seminário e tinha uns 12 anos. Quando vinha a casa, eu acompanhava-o na vida paroquial, acolitando nas celebrações eucarísticas, presenciando/vivenciando muitas das suas tarefas, atitudes, comportamentos e ajudando no que era necessário. Agradeço a Deus a sua presença na minha vida, pois aprendi muito com este homem simples, mas, ao mesmo tempo, muito culto. 


O testemunho do trabalho que realizou e da entrega à Evangelização numa paróquia, inicialmente, tão pouco catequizada/evangelizada, levou a que muita gente, aos poucos e poucos, se fosse aproximando da Igreja.

O seu espírito de partilha fez com que fosse entregando, a leigos comprometidos, muitos dos trabalhos que deveriam e poderiam ser realizados por eles, exigindo-lhes, no entanto, que prestassem contas do que iam fazendo. Assim, foi criando cristãos responsáveis e empenhados em Igreja. Isso permitiu-lhe dinamizar e desenvolver as comunidades de Corroios, Miratejo e Vale de Milhaços.

Não só criou uma Igreja humanizada, feita de cristãos empenhados, comprometidos, com formação religiosa e espiritual, fruto da criação e dinamização de grupos de reflexão e ação, mas também ampliou a igreja paroquial de Corroios e construiu as Igrejas das duas novas comunidades que iam surgiram: Miratejo e Vale de Milhaços, sempre com muito apoio dos seus paroquianos.

Foi este o homem que me acompanhou (ou melhor dizendo, que eu acompanhei, ao longo de alguns anos), um homem que se preocupava imenso com as pessoas e as ajudava quando elas precisavam a nível pessoal, económico, espiritual e social.


Para mim, este homem foi (é) um exemplo de amor e dedicação ao Evangelho e de inspiração para os seus paroquianos. O seu empenhamento foi notável no crescimento deste pequeno Reino de Deus na freguesia de Corroios.
São homens e mulheres como estes que fazem crescer o Reino de Deus.
É por isso que devemos recordá-los para que outros possam também saber que há grandes homens e mulheres, ainda hoje em dia, ao serviço de Jesus Cristo e que vivem de forma simples, mesmo ao nosso lado.

Artur Barros